terça-feira, abril 17, 2018

Estudemos sim, mas com devoção

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"Que a devoção acompanhe todo o seu estudo, e que você estude menos para ser um sábio, e mais para se tornar um santo". (São Vicente Ferrer)

Não adianta estudar tanto, saber tanto sobre encíclicas e catecismos, se no fim das contas ficamos sem virtude, alimentamos apenas o intelecto sem alimentar a alma. Nestes dias de internet, onde há tanta gente querendo ensinar os outros, é preciso pensar na frase do santo com bastante atenção.

Mais busca pela verdade por amor a Deus, e menos por orgulho intelectual. Mais oração bem feita do que muitas horas em redes sociais. Mais vontade de agradar a Deus do que agradar aos homens.


segunda-feira, abril 16, 2018

Comentários Eleison: Antilefebvrismo – II

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLXI (561) (14 de abril de 2018)




 ANTILEFEBVRISMO – II

Demos graças a Deus pelo grande presente que nos concedeu:
O Arcebispo Lefebvre, por quem a Tradição ascendeu.

Existe alguma razão pela qual NM (ver os “Comentários” da semana passada), ao lidar com o problema dos Papas Conciliares, recorre à solução dramática de declarar que eles não são Papas? Parece haver. A Igreja Católica é tanto humana (uma sociedade constituída por seres humanos) como divina (animada especialmente pelo Espírito Santo), e é importante não confundir as duas coisas. Os seres humanos, como tais, são todos falíveis. Somente Deus é infalível. O erro dos católicos que recorrem à solução dramática de NM é que eles estão atribuindo aos Papas humanos muito da infalibilidade que só pode vir de Deus. Vamos usar como exemplo algo que há em uma casa moderna qualquer.

Quando eu enfio um plugue elétrico em uma tomada na parede, a corrente elétrica não vem do plugue, mas da estação de energia através da parede, e qualquer aparelho precisa receber a corrente elétrica pela tomada no plugue. A central elétrica é Deus. A parede e a tomada são a Igreja. A corrente é a infalibilidade da Igreja, vinda de Deus. O plug são as quatro condições que somente o Papa pode inserir na tomada. Essas condições, claro, são: que ele 1) fale como Papa 2) para definir de uma vez por todas 3) uma questão de fé ou de moral 4) com a intenção de obrigar todos os católicos a aceitá-la. Através do envolvimento das quatro condições pelo Papa, ele somente e ele garantiu o acesso como ser humano à infalibilidade divina da Igreja. As quatro condições envolvem o Papa. A infalibilidade envolve Deus.

Ocorre também, é claro, que essa tomada específica, conhecida como Magistério Extraordinário da Igreja (ME), não é o único acesso dos seres humanos à infalibilidade da Igreja. Eles aderem a ela muito mais pelo Magistério Ordinário da Igreja (MO), que é a Tradição Católica, ou, o que todos os mestres da Igreja, Papas e Bispos em particular, ensinaram em todo o mundo desde que Jesus Cristo depositou esse Depósito da Fé em Sua Igreja, confirmada infalivelmente nos Apóstolos em Pentecostes e transmitida infalivelmente por eles até que o último deles morreu. A partir de então, essa doutrina passou a estar nas mãos de seres humanos falíveis, a quem Deus deixou o livre arbítrio para ensinar o erro se assim decidissem fazê-lo. Mas, se alguma vez o erro humano tornou duvidoso o que pertenceria à doutrina infalível e o que não pertenceria, Deus deu à Sua Igreja também o Magistério Extraordinário, precisamente para definir de uma vez por todas o que pertence e o que não pertence ao Magistério Ordinário. Assim, o MO está para o ME como o cão está para a cauda, ​​e não como a cauda está para o cão!

O problema de inúmeros católicos desde a definição solene em 1870 sobre a infalibilidade da Igreja é que, uma vez que o acesso do ME à infalibilidade da Igreja está automaticamente garantido de uma maneira em que o acesso do MO não o está, então o ME parece superior, e os católicos tendem a exagerar o ME e a transferir pessoalmente para o Papa essa infalibilidade que na realidade pertence automaticamente somente à Igreja. Isso significa que se o Papa cometer sérios erros como os dos Papas conciliares, então a única explicação possível é que eles não são Papas. Ou, se são Papas, então é preciso seguir seus erros. A lógica é boa, mas a premissa é falsa. Os Papas não são tão infalíveis quanto a Igreja. Eles podem cometer erros sérios, como o mostraram o Vaticano II e seus Papas Conciliares, como nunca antes em toda a história da Igreja! Mas a Igreja continua infalível, e, portanto, eu sei que a Tradição Católica durará até o final do mundo, apesar do pior que qualquer Papa fraco possa tentar fazer daqui por diante.

Mas como é que eu sei que para o Papa como Papa pertence somente o acesso privilegiado (quatro condições) à corrente elétrica (infalibilidade), e não a corrente em si que pertence à parede (a Igreja)? Porque é o que diz a própria definição de infalibilidade em 1870! Eu só preciso ler: quando o Papa cumpre com as quatro condições (mencionadas acima), ele então possui “aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse Sua Igreja na definição de doutrina relativa à fé ou à moral”.

Assim, os Papas católicos têm liberdade para cometer erros terríveis, sem que a Igreja seja menos infalível.

Kyrie eleison.

Evolução da arte (1800 a 2017) - Música, Pintura e Mobiliário

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Um vídeo simples e bem humorado, mostrando em algumas imagens a evolução das artes até os dias de hoje.


quarta-feira, abril 11, 2018

Tradição ou não?

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Vez ou outra ouço gente reclamando que os tradicionalistas são complicados (perturbados, rígidos, fechados, etc.). E há os que tanto reclamam, que terminam por afastar-se da Tradição por causa de tradicionalistas.

Muito pode-ser discutir sobre o assunto, mas serei breve. Exporei somente a minha opinião.

Justamente por ser a Tradição aquela que guarda inteiro o depósito da Fé é que as pessoas pensam que deveriam encontrar somente gente equilibrada, devota, no meio tradicionalista. Mas, infelizmente, não é a realidade.

Penso que o que importa é a verdade. Se há gente louca ou fofoqueira ou o que quer que seja no meio tradicional, não me interessa tanto quanto o fato de a Tradição Católica ser boa, pois nela estão a Fé inteira, a Missa de sempre, a Doutrina Católica de fato. É assim que vejo.

Então, sou tradicionalista porque a Tradição Católica vale a pena. Por mais que haja gente perturbada (coisa que há aos montes em outros grupos, como RCC, por exemplo), eu prefiro a Tradição. 

Em todos os grupos por onde andei (seja dentro ou fora da Igreja) eu vi gente perturbada. É o mundo, é a crise espiritual, é assim. Paciência.

E digo, com todo carinho, aos que criticam: cuidado ao explicitar demais os defeitos de um grupo católico, pois pode afastar da Verdade os que precisam dela. Os que estão de fora não vão querer saber da doutrina verdadeira por medo de envolverem-se com gente da qual poderão não gostar. 

É isso o mais importante, as pessoas? Ou o mais importante é a Tradição?

segunda-feira, abril 09, 2018

Comentários Eleison: Argumento (Anti) "Lefebvrista" - I

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Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DLX (560) (7 de abril de 2018)




ARGUMENTO (ANTI)“LEFEBVRISTA” – I


O Arcebispo Lefebvre era sábio – sua regra era de ouro,
“Reconhecer, mas resistir” não é algo tão tolo!


Para atacar os sacerdotes dominicanos franceses de Avrillé por seu “Lefebvrismo”, ou seja, por sua recusa em aceitar que os Papas conciliares desde Paulo VI não foram Papas, um leigo francês – Sr. N. M. – acaba de escrever um artigo acusando os dominicanos de rejeitarem três dogmas católicos: que o Papa tenha primazia de jurisdição sobre a Igreja Universal; que o Magistério Ordinário Universal da Igreja é infalível; que é o Magistério vivo da Igreja que determina o que os católicos devem crer. Normalmente é melhor deixar essas questões de doutrina para os especialistas em doutrina, mas os nossos tempos não são normais. Hoje, os católicos podem confiar em seu bom senso católico para decidir essas questões por si mesmos.

Olhemos para as três perguntas de maneira simples e prática. Se eu quero aceitar que os Papas foram verdadeiros Papas desde Paulo VI, por que eu deveria negar, em primeiro lugar, que o Papa é o Chefe da Igreja; em segundo lugar, que o ensino normal da Igreja é infalível; e, em terceiro lugar, que o Papa reinante me diz em que devo acreditar? Vejamos os argumentos de N. M., um por um.

Quanto ao primeiro ponto, N. M. cita o completamente antiliberal Concílio Vaticano I (1879-1871) no sentido de que o Papa é o Chefe direto e imediato de todas as dioceses, de todos os sacerdotes e de todos os católicos. Se, então, como todos os lefebvristas eu me recuso a obedecê-lo, estou implicitamente negando que ele seja meu Chefe enquanto católico, então estou negando que o Papa é o que o Vaticano I o definiu ser. Resposta: eu não estou de forma nenhuma negando que os Papas conciliares têm a autoridade para comandar-me como católico; estou apenas dizendo que sua autoridade católica não inclui a autoridade para tornar-me um protestante, como farei caso eu siga suas ordens de acordo com o Vaticano II.

Em segundo lugar, N. M. argumenta que o Vaticano I também afirmou que o ensinamento cotidiano do Papa e dos Bispos é infalível. Ora, se alguma vez tivemos um ensinamento sério do Papa e dos Bispos juntos, foi no Vaticano II. Se, então, eu recuso esse ensinamento, estou implicitamente negando que o Magistério Ordinário Universal da Igreja seja infalível. Resposta, não, eu não estou. Reconheço plenamente que quando uma doutrina é ensinada pela Igreja em quase toda parte, em todos os tempos e por todos os Papas e Bispos, ela é infalível, mas se foi ensinada apenas nos tempos modernos do século XX pelos Papas e Bispos do Vaticano II, então é contrária ao que foi ensinado pelos Papas e Bispos em todos os outros tempos da Igreja, e eu não me considero obrigado a aceitá-la. Enquanto eu aceito o MOU consistente de todos os tempos, então eu rejeito o MOU inconsistente de hoje, que o contradiz.

Em terceiro lugar, N. M. argumenta que o verdadeiro Papa tem a autoridade viva para dizer-me como católico no que devo crer hoje. Se então me recuso a acreditar no que os Papas conciliares me disseram para crer, estou rejeitando sua autoridade viva como árbitros da Fé. Resposta: não, eu não estou. Eu estou usando meus olhos para ler, e meu cérebro dado por Deus para julgar, que o que os Papas conciliares me dizem contradiz o que todos os Papas anteriores até São Pedro me disseram, e eu prefiro seguir a consistência de duzentos e sessenta e um Papas dizendo-me no que acreditar do que a inconsistência de seis Papas Conciliares. “Mas então você está rejeitando a autoridade viva do Papa reinante como árbitro da Fé!”. Somente porque eu estou seguindo, obedecendo e submetendo-me aos duzentos e sessenta e um Papas como árbitros dessa Fé que meus olhos e meu cérebro me dizem que os Papas conciliares não estão seguindo. “Mas então você está apoiando seus próprios olhos e cérebro contra o Papa católico!” Deus me deu olhos e um cérebro que funcionam, e quando eu estiver diante Dele para ser julgado, responderei pelo uso que fiz deles.

É claro que a própria resposta de N. M. ao problema dos Papas protestantes, modernizadores e conciliares é negar que eles sejam Papas. Deveria ser igualmente claro que, para o problema, que é muito real, não estou obrigado a adotar a solução drástica de N. M. Tampouco, se me recuso a adotá-la, sou obrigado a negar três dogmas da Igreja. Que a paz esteja com N. M.

Kyrie eleison.
 
          Traduzido por Cristoph Klug.