quarta-feira, dezembro 12, 2007

Cavaleiros Templários

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Por Débora Lerrer


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A ordem dos monges guerreiros, que se tornou uma das mais poderosas e controversas organizações na história da Europa medieval, era conhecida com uma variedade de nomes: Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, Milícia de Cristo ou, mais comumente, Cavaleiro Templários. Em 200 anos, a partir de seu objetivo de proteger as rotas de peregrinação, eles construíram um império econômico que pode ser considerado a primeira multinacional européia. Devendo obediência apenas ao papa, os Templários desenvolveram arrojadas técnicas de construção, trouxeram tecnologias dos muçulmanos e se tornaram mais ricos do que vários reinos, emprestando dinheiro para príncipes, bispos e reis. Famosos por sua bravura nas batalhas travadas nas Cruzadas, foram destruídos em menos de uma década por um rei que, não por acaso, era altamente endividado com a Ordem. Para o historiador Ricardo da Costa, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, os templários podem ser considerados os fundamentalistas da época. "Eles estavam na vanguarda da espiritualidade cristã. Ser um padre e ao mesmo tempo combater o infiel era considerado o máximo para a época".

Em 1118, os cavaleiros Hugh de Payen e André de Montbard (tio do abade Bernard de Clairvaux, famoso pregador da época), junto com sete companheiros, se apresentaram para o Rei Balduíno I de Jerusalém, anunciando que tinham a intenção de fundar uma ordem de monges guerreiros e, na medida em que sua força permitisse, manteriam seguras as estradas e caminhos com especial atenção para a proteção dos peregrinos. A nova ordem fez votos de pobreza pessoal, de obediência e de castidade e jurou manter todo seu patrimônio em comum.

Os primeiros Templários passaram nove anos na Terra Santa, alojados em uma parte do palácio que foi cedida a eles pelo rei, exatamente em cima dos estábulos do que outrora foi o antigo Templo de Salomão. Daí veio o nome de cavaleiros do Templo, ou Templários. Para Tim Wallace-Murphy, responsável pela página da Rede Européia de Pesquisa da Herança Templária (ETHRN), a principal razão para a fundação da Ordem, ou seja, a proteção das rotas de peregrinação, não se sustenta - se analisados os primeiros anos da sua existência. Seria fisicamente impossível que nove cavaleiros de meia-idade protegessem as perigosas rotas entre Jaffa e Jerusalém de todos os bandidos e saqueadores infiéis, que acreditavam que os peregrinos que lhes garantiam roubos tão fáceis eram um presente de Deus. Já os indícios existentes das ações desses cavaleiros na região fazem essa hipótese ser ainda mais improvável, pois ao invés de patrulharem as rotas da Terra Santa para proteger peregrinos, eles passaram nove anos na tarefa perigosa e exigente de re-abrir uma série de túneis localizados sob seus quarteirões no Templo do Monte.

Os túneis explorados pelos Templários foram re-escavados em 1867, por um oficial da coroa britânica. Ele não encontrou o tesouro escondido do Templo de Jerusalém, mas pedaços de uma lança e de uma espada, esporas e uma pequena cruz templária, hoje guardados na Escócia. O que os Templários estariam procurando e como eles sabiam exatamente onde escavar?
No exterior da Catedral de Chartres, na porta do norte, está esculpida uma imagem no pilar que nos dá uma indicação do objeto procurado pelos Templários: a Arca da Aliança, representada sendo transportada em um veículo de rodas. Várias lendas contavam que a Arca ficou escondida por muito tempo embaixo da cripta da Catedral de Chartres. As mesmas lendas alegam que os Templários teriam encontrado muitos outros artefatos sagrados do velho templo judeu durante suas investigações, bem como uma considerável quantidade de documentação.

No Concílio de Troyes, em 1128, a Ordem dos Templários recebeu reconhecimento oficial. Seu regulamento foi redigido pelo monge Bernard de Clairvaux, e ganharam o manto branco como distintivo. Mais tarde o Papa Eugênio III lhes outorgou o uso da cruz vermelha octogonal. Em 1139, a Ordem ficou isenta de todos os impostos e passou a dever obediência somente à vontade do papa, não precisando mais prestar contas nem para bispos nem reis.

Desde sua fundação até a queda, os Templários exerceram influência e grande poder na Terra Prometida, e acabaram se tornando uma das forças militares mais importantes do Reino de Jerusalém. Além de seu papel militar, eles construíram castelos em posições estratégicas de defesa e estabeleceram bases importantes em toda a Palestina. "Com seus castelos e os povoamentos que surgiram em torno eles dominavam a área, efetivando a conquista em solo palestino", explica o historiador Ricardo da Costa. Rapidamente os Templários adquiriram fama de bravura em batalhas e de nunca se renderam facilmente aos inimigos.

A medida em que a Ordem crescia em prestígio, suas finanças também aumentavam vertiginosamente. Parte porque membros das famílias mais importantes da Europa se integravam a suas hostes, mas também porque a aristocracia européia acreditava que ao doar suas propriedades a eles, garantiam de antemão a salvação de sua alma. Rapidamente a Ordem tornou-se dona de terras de vários tamanhos espalhadas por todas as regiões européias da Dinamarca à Escócia, ao Norte, até a França, Itália e Espanha, no Sul. "O Rei de Aragão chegou a doar todo seu reino a eles", conta o historiador Costa.

Os interesses comerciais dos Templários eram impressionantes e variados, e suas atividades incluíam administração de fazendas, vinhas, minas e extração de pedras. Como resultado de seu interesse em proteger peregrinos e a manutenção de comunicações com suas bases operativas na Terra Santa, os templários operavam uma frota muito bem organizada que excedia a de qualquer reino daquele tempo. Em menos de 50 anos de sua fundação, os Cavaleiros Templários se tornaram uma força comercial com poder sem igual na Europa. Em cem anos, já haviam desenvolvido um precursor medieval dos conglomerados multinacionais, com interesses em todas as formas de atividades comerciais daquele tempo. Eram de longe muito mais ricos do que qualquer reino europeu.

Entre os principais itens de suas atividades comerciais estavam aquelas que hoje seriam definidas como de "tecnologia e idéias". A rede de comunicação dos Templários era a principal rota pela qual conhecimentos de astronomia, matemática, medicina fitoterápica e técnicas de cura faziam seu caminho da Terra Santa para a Europa. Entre esses avanços tecnológicos trazidos pelos cavaleiros estavam a respiração boca-a-boca e o telescópio.

Os Templários também eram grandes construtores. Em seus próprios Estados eles construíram e sustentaram castelos fortificados, fazendas, celeiros e moinhos, bem como alojamentos, estábulos e oficinas. Diversas ruínas particularmente no Sul da Europa e na Palestina demonstram a razão pela qual eles eram particularmente famosos como engenheiros, pois seus castelos foram construídos em locais estratégicos para defesa que colocavam enormes desafios e dificuldades de construção. As clássicas igrejas templárias, supostamente inspiradas no design da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, influenciou a construção de muitas catedrais européias, especialmente a Catedral de Chartres, na França.
templarios


quinta-feira, dezembro 06, 2007

Deus e a matança dos inocentes

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Pe. David Francisquini (*)


Com zelo de pastor, venho acompanhando os debates de vários projetos de deputados e senadores visando a introdução de leis atentatórias à moral católica em nosso Pais. Agora mesmo, o Projeto de Lei 1135/91, de descriminalizaçã o do aborto, de autoria da deputada Sandra Starling (PT/SP), está para ser posto em votação.

Sob o pretexto de livrar do vexame a mulher vítima de estupro, ou de afirmar que evitar mortes por abortos clandestinos é questão de saúde pública, o Poder Executivo, através do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, alia-se ao Legislativo nessa manobra viperina. Ao fugir do debate moral e religioso, querem eles encurtar o caminho e instituir draconianamente a pena de morte contra crianças indefesas ainda no ventre materno.Se a tais projetos somarmos a pseudo-liberdade sexual (leia-se amor livre) promovida por muitos órgãos da mídia falada, escrita e televisiva, além de uma pressão insolente e agressiva de lobbies internacionais pró-aborto, não fica difícil perceber a existência de uma verdadeira trama maquiavélica com o objetivo definido de erradicar o que ainda existe de cristão na Terra de Santa Cruz.

Ademais, já existem sintomas claros. Mónica Roa, colombiana, advogada e ativista pró-aborto, expôs uma estratégia utilizada com êxito para introduzir o aborto em seu país: "Constatamos que o debate em torno do tema sempre era de ordem moral e religiosa. Decidimos mudar radicalmente o rumo do debate. Começamos a tratar do aborto sempre como um problema de saúde pública, de direitos humanos e de eqüidade de gênero."Relembro aos leitores a doutrina do pecado coletivo de uma nação. Este é tipificado no momento em que se aprova uma lei que fere o Decálogo. E Santo Agostinho ensina que nem no Céu nem no inferno há prêmios e castigos para nações, visto serem elas premiadas ou castigadas neste mundo. O que nos leva a concluir que os protagonistas do aborto estejam a atrair a ira de Deus sobre o Brasil.

Para a moral católica, o aborto "brada aos céus e clama a Deus por vingança", e quem o provoca incorre em excomunhão latae sententiae, isto é, automática, a qual atinge os que o praticam, quer por efeito de estupro, quer por deformidade do feto ou risco de morte da mãe. Sua Santidade Bento XVI afirmou: "A vida é obra de Deus" e "não pode ser negada a ninguém, nem ao pequeno e indefeso feto nem a quem apresenta graves incapacidades" .

No México, ainda há pouco, o Cardeal Rivera formulou a "mais firme condenação" do aborto, qualificando- o de "ato abominável" e de "execrável assassinato". Ademais, admoestou os legisladores, que votaram favoravelmente ao aborto, pelo grave pecado cometido, proibindo-lhes a comunhão, pena extensiva aos médicos e enfermeiros que participarem de ato abortivo.Uma responsabilidade moral difusa, mas não menos grave, pesa sobre todos os que favorecem a difusão da permissividade sexual e o menosprezo pela maternidade. Ela pesa também sobre os que deveriam assegurar políticas familiares e sociais de apoio às famílias, especialmente as mais numerosas, ou aquelas com particular dificuldade financeira para propiciar o desenvolvimento físico e educacional dos filhos.

O aborto e a violência sexual - a qual já é prerrogativa da rua, mas infelizmente se verifica no recinto dos próprios lares, onde crianças são agredidas por pessoas da própria família - são os frutos perniciosos da decadência moral em que está imersa nossa sociedade. Decadência largamente fomentada pela difusão sistemática da imoralidade refletida nas modas, nos programas de TV, na publicidade, nas músicas, etc.Como guardião da ordem, o Estado tem o dever de zelar pela moralidade pública, não permitindo que em nome de uma falsa liberdade se faça em nosso País uma "revolução cultural", que tripudia e aniquila os princípios perenes consubstanciados no Evangelho; e não - como vem infelizmente acontecendo - se tornar um possante propulsor da mesma revolução pela disseminação da imoralidade, da desordem e do caos.


(*) Sacerdote da igreja Imaculado Coração de Maria -- Cardoso Moreira (RJ)
Agência Boa Imprensa - ABIM AGÊNCIA BOA IMPRENSA
Notícias e comentários destinados a órgãos do Brasil e do exteriorNº 972 - Novembro/2007

aborto não!

sexta-feira, novembro 23, 2007

Poema de Bruno Tolentino

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Lindo poema de Bruno Tolentino que foi publicado no site O Indivíduo e que eu reproduzo aqui.



O Cristo não é
um belo episódio
da história ou da fé:

nem o clavicórdio
nos dedos da luz,
nem o monocórdio

chamado da Cruz.
O crucificado
chamado Jesus

é o encontro marcado
entre a solidão
e o significado

do teu coração:
de um lado teu medo,
teu ódio, teu não;

de outro o segredo
com seu cofre aberto,
onde o teu degredo,

onde o teu deserto,
vão morrer, mas vão
morrer muito perto

da ressurreição.



As horas de Katharina. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 180

quarta-feira, novembro 14, 2007

MANIFESTO EM DEFESA DA VIDA

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Nós, Mulheres brasileiras, manifestamos nosso profundo pesar pelos atentados contra a vida humana que têm sido praticados recentemente por parte dos Poderes Públicos.

Lamentamos o desejo obsessivo do governo federal de liberar o aborto por meio da formação de uma comissão Tripartite para cuja composição a Associação Nacional Mulheres pela Vida, não foi convidada.

Deploramos que os membros de tal Comissão, cuidadosamente escolhidos entre os abortistas, falem em nome de nós, mulheres, como se fosse digno de nossa vocação à maternidade pleitear o direito de matar os próprios filhos. Lastimamos o emprego de financiamento externo como meio de instrumentalizaçã o da população feminina para fins de controle demográfico.

Repudiamos o aborto em todos os casos, inclusive naqueles em que nossa legislação penal deixa de aplicar pena ao crime. Não admitimos a morte deliberada e direta de um inocente, nem sequer para salvar outro inocente. Rejeitamos a aplicação da pena de morte às crianças concebidas em um estupro. Abominamos a rejeição de crianças deficientes, em especial as anencéfalas, como se fossem simples mercadorias defeituosas e descartáveis.

Horrorizamo- nos ao constatar que a prática do aborto esteja sendo subvencionada justamente pelo Ministério da Saúde, que não tem o direito nem o dever de matar crianças, mas de zelar pela sua vida e saúde.Envergonhamo- nos com a atuação da secretária Nilcéia Freire, cujo empenho incessante pela liberação do aborto é diametralmente oposto ao que nós mulheres, desejamos, em nossa missão sublime de transmitir e conservar a vida.

Repugnamos a permissão de se destruir embriões humanos pela Lei de Biossegurança, lamentavelmente sancionada pelo Presidente da República.Não aceitamos o argumento de que é preciso liberar o aborto a fim de que ele seja feito “com segurança”, pelo mesmo motivo pelo qual não aceitamos a legalização do furto, do seqüestro e do estupro, a pretexto de que tais crimes precisam ser realizados “com segurança”. Não nos impressionam as estatísticas, quase sempre superfaturadas, de mortes maternas devidas ao aborto “inseguro”. Entendemos que para evitar tais mortes é suficiente evitar o aborto. Nem sequer acolhemos o argumento de que é dever do Estado propiciar a prática do aborto nos casos em que ele já é “legal”. E isso, não apenas porque não há caso algum de aborto “legal” no Brasil, mas porque, ainda que houvesse, nenhuma lei autorizando o genocídio, a escravidão e a violência contra a mulher, poderia o Estado estimular a prática de tais atrocidades a pretexto de estar “cumprindo a lei”?

Reivindicamos que seja revogada a Portaria 1508, de 1º de setembro de 2005, pela qual o Ministro da Saúde Saraiva Felipe, reeditando ato de seu antecessor, oficializou a prática do aborto pelo SUS, com o dinheiro do nosso imposto, ao mesmo tempo em que facilitou ao máximo o procedimento de falsificação de estupros como pretexto para se abortar.Conclamamos as mulheres brasileiras para que neguem seu voto àqueles e àquelas que, em nosso nome, vêm atuando contra a vida humana.


Semana de Defesa e Promoção da Vida.

Rua Humaitá, 172 - Humaitá -
Rio de Janeiro
Cep 22261-001

segunda-feira, outubro 29, 2007

As mulheres na Idade Média

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"Recordaremos aqui que certas mulheres (…) de todas as camadas sociais, como o prova a pastora de Nanterre, desfrutaram na Igreja, e devido à sua função na Igreja, dum extraordinário poder na Idade Média. Algumas abadessas eram autênticos senhores feudais, cujo poder era respeitado de modo igual ao dos outros senhores; algumas usavam báculo, como o bispo; administravam muitas vezes vastos territórios com aldeias, paróquias… Um exemplo entre milhares: pelos meados do século XII, os cartulários permitem-nos seguir a formação do mosteiro de Paráclito, cuja superiora é Heloísa; basta percorrê-los para constatar que a vida duma abadessa na época comporta todo um aspecto administrativo: as doações acumulam-se, permitindo aqui receber o dízimo sobre uma vinha, ali ter direito a foros sobre fenos ou trigos, aqui usufruir duma granja e ali dum direito de pastagem na floresta… A sua actividade é também a dum explorador, ou mesmo dum senhor. É de dizer, pois, que, pelas suas funções religiosas, certas mulheres exercem, mesmo na vida laica, um poder que muitos homens poderiam invejar-lhes hoje.

Por outro lado, constata-se que as religiosas desse tempo - sobre as quais, digamo-lo de passagem; nos faltam absolutamente estudos sérios - são, na sua maior parte, mulheres extremamente instruídas, que poderiam ter rivalizado em saber com os monges mais letrados do tempo. A própria Heloísa conhece e ensina às suas monjas o grego e o hebreu. É duma abadia de mulheres, a de Gandersheim, que provém um manuscrito do século X que contém seis comédias em prosa rimada, imitadas de Terêncio; são atribuídas à famosa abadessa Hrotsvitha, cuja influência sobre o desenvolvimento literário dos países germânicos se conhece. Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como a prova duma tradição escolar que terá contribuído para o desenvolvimento do teatro na Idade Média. Acrescentemos de passagem que muitos mosteiros, de homens ou de mulheres, ministravam localmente a instrução às crianças da região.

É surpreendente também constatar que a enciclopédia mais conhecida do século XII emana duma religiosa, a abadessa Herrade de Landsberg. É o famoso Hortus deliciarum («Jardim de Delícias»), no qual os eruditos vão procurar as informações mais seguras em relação às técnicas no seu tempo. Podia dizer-se o mesmo das obras da célebre Hildegarda de Bingen. Finalmente, uma outra religiosa, Gertrude de Heifta, no século XIII, conta-nos como se sentiu feliz por passar do estado de «gramática» ao de «teóloga», isto é, que, depois de ter percorrido o ciclo dos estudos preparatórios, ela aborda o ciclo superior, como se fazia na universidade. O que prova que ainda no século XIII os conventos de mulheres são o que sempre tinham sido desde São Jerónimo, que instituiu o primeiro deles, a comunidade de Bethléem: centros de oração, rias também de ciência religiosa, de exegese, de erudição; estuda-se aí a Sagrada Escritura, considerada como a base de todo o conhecimento, e também todos os elementos do saber religioso e profano. As religiosas são mulheres instruídas; aliás, entrar no convento é uma via normal para aquelas que querem desenvolver os seus conhecimentos para além do nível corrente. O que pareceu extraordinário em Heloísa, na sua juventude, foi o facto de, não sendo religiosa e não desejando manifestamente entrar no convento, ela continuar, no entanto, estudos demasiado áridos, em vez de se contentar com a vida mais frívola, mais despreocupada, duma rapariga que deseja «permanecer no século». A carta que Pierre, o Venerável, lhe enviou di-lo expressamente.

Mas há mais surpreendente. Se se quiser fazer uma ideia exacta do lugar ocupado pela mulher na Igreja, nos tempos feudais, é preciso perguntar a si próprio o que se diria no nosso século XX de conventos de homens colocados sob o magistério duma mulher. Um projecto desse género teria no nosso tempo a menor possibilidade de resultar? Foi, no entanto, o que se realizou com pleno sucesso, e sem ter provocado o menor escândalo na Igreja, com Robert d’Arbrissel em Fontevrault, nos primeiros anos do século XII. Tendo resolvido fixar a multidão inverosímil de homens e mulheres que chamava atrás de si -porque foi um dos maiores conversores de todos os tempos-, Robert d’Arbrissel decidiu fundar dois conventos, um de homens outro de mulheres entre eles erguia-se a igreja que era o único lugar onde monges e monjas podiam encontrar-se. Ora esse mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não dum abade, mas duma abadessa. Esta, pela vontade do fundador, devia ser viúva, tendo, pois, a experiência do casamento. Acrescentemos, para sermos completos, que a primeira abadessa, Pétronille de Chemillé, que presidiu aos destinos desta ordem de Fontevrault tinha vinte e dois anos. Não vemos que hoje semelhante audácia, mais uma vez, tivesse possibilidades de ser encarada.

Se examinarmos os factos, impõe-se esta conclusão: durante todo o período feudal, o lugar da mulher na Igreja foi certamente diferente do homem (e em que medida não seria uma prova de sabedoria o ter em conta que homem e mulher são duas criaturas iguais, mas diferentes?), mas foi um lugar eminente, que, aliás, simboliza perfeitamente o culto, eminente também, prestado à Virgem entre todos os santos. E pouco nos surpreende que a época termine com um rosto de mulher: o de Joana d’Arc, a qual, diga-se de passagem, nunca teria podido nos séculos seguintes obter a audiência e suscitar a confiança que no fim de contas obteve".

(PERNOUD, Régine: O mito da Idade Média, Publicações Europa-América, S/D, pp.95-99)

Transcrito do site: www.salterrae.org

quinta-feira, julho 26, 2007

Pausa para algumas xícaras de chá

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Pessoal, tenho que ficar longe do blog por um tempo. Mas eu volto.

Deus abençoe a todos vocês!
tempo

domingo, julho 15, 2007

Carta de Dom Bosco à Juventude

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O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens. A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Eu vou lhes indicar um plano de vida cristã que poderá mantê-los alegres e contentes, fazendo-os conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que vocês possam exclamar com o santo profeta Davi: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria".

A segunda artimanha do demônio consiste em fazê-los conceber uma falsa esperança duma longa vida que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão entre as mãos de Deus que dispõe de tudo a seu bel-prazer.

E mesmo se Deus lhes concedesse uma longa vida, escutai, entretanto, sua advertência: “o caminho do homem começa na juventude, ele o segue na velhice até a morte”. Ou seja, se, jovens, começamos uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, nossa morte será santa e nos fará entrar na felicidade eterna.

Se, pelo contrário, os vícios começam a nos dominar desde a juventude, é muito provável que eles nos manterão em escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio a uma eternidade terrível.

Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o vocês têm tudo, mas se o perderem, vocês se tornarão os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre com vocês e que Ele lhes conceda seguir os simples conselhos presentes, para que vocês possam aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados.

Que o Céu lhes dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que os cumule de bens celestes aqui e por toda a eternidade.

Vivam contentes e que o Senhor esteja com vocês.

Seu muito afeiçoado em Jesus Cristo.

João Bosco, Sacerdote
vida

quarta-feira, julho 11, 2007

Frases de Nelson Rodrigues

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Nelson Rodrigues foi uma figura e tanto. Li pouca coisa dele, vi alguns filmes baseados em suas obras e acho um tanto quanto esquisito que ele tenha usado temas tão fortes de maneira tão, como direi, sugestiva, e fosse contrário àquilo mesmo que mostrava...


“Na minha obra está clara, transparente, uma violenta nostalgia da pureza”.


Muito esquisito esse jeito dele de mostrar a nostalgia da pureza! Com aquela imoralidade toda? Não recomendo a obra dele, de jeito algum.

Agora, o que eu gosto mesmo é das frases
dele. Algumas escolhidas para hoje:


“Na velha Rússia, dizia um possesso dostoievskiano: — “Se Deus não existe tudo é permitido”. Hoje, a coisa não se coloca em termos sobrenaturais. Não mais. Tudo agora é permitido se houver uma ideologia”.

“Antigamente, o defunto tinha domicílio. Ninguém o vestia às pressas, ninguém o despachava às escondidas. Permanecia em casa, dentro de um ambiente em que até os móveis eram cordiais e solidários. Armava-se a câmara-ardente num doce sala de jantar ou numa cálida sala de visitas, debaixo dos retratos dos outros mortos. Escancaravam-se todas as portas, todas as janelas; e esta casa iluminada podia sugerir, à distância, a idéia de um aniversário, de um casamento ou de um velório mesmo”.

“Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos”.

“Eu considero a ONU uma delinqüente da pior espécie”.

“Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina”.

“Qualquer indivíduo é mais importante que toda a Via Láctea”.

“A grande tragédia da carne começou quando o homem separou o sexo do amor. Como não somos vira-latas, nem urramos no bosque, o sexo sem amor é um progressivo suicídio”.

“O mundo é a casa errada do homem. Um simples resfriado que a gente tem, um golpe de ar, provam que o mundo é um péssimo anfitrião. O mundo não quer nada com o homem, daí as chuvas, o calor, as enchentes e toda sorte de problemas que o homem encontra para a sua acomodação, que aliás, nunca se verificou. O homem deveria ter nascido no Paraíso”.

“O verdadeiro Cristo? É o Cristo verdadeiro. O falso cristo é o cristo dos padres de passeata. Há um cristo de passeata que é mais falso do que Judas. É a igreja dos padres de passeata. Eu sou cristão, mas não me venham falsificar Cristo como uísque nacional”.
falou e disse

segunda-feira, julho 02, 2007

Diálogo de uma freira com um livre-pensador

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Microcosmo[1]
Carlos de Laet



Sumário: Entrevista (portuguesmente interview) que com uma freira de certo convento, prestes a ser profanado, teve um jornalista que se julga livre-prosador. O que se vai ler é o diálogo ultimamente travado entre uma freira, abadessa ou priora de certa comunidade, nesta capital, e um jornalista que entendeu oportuno entrevistá-la.

Freira — Diz o senhor que tem qualquer cousa a tratar comigo. Pode falar.
Jornalista — Reverenda madre, eu quisera obter informações que me habilitassem a escrever com acerto sobre o seu convento, e dele dar ao público uma notícia que não se apartasse da verdade.
F. — Notícia ao público! E que temos nós com o vosso público, isto é, com o mundo de que voluntariamente nos afastamos, cortando até mesmo os laços de família que a ele nos prendiam?
J. — Não ignoro que menosprezais o mundo, mas não é menos certo que ele vos não menospreza e que se ocupa convosco. Vossa existência murada é um incentivo para a curiosidade. Por trás das chapas e das grades farejamos uns mistérios que ardemos por descobrir. Neste século de publicidade tendes o atrativo do que se recata e esconde. Natural é, pois, a trêfega indagação que ao redor desta casa vagueia, e da qual nós, os homens de imprensa, somos os órgãos naturais. Não seria, pois, preferível dizer-lhes logo o que é, por não deixarmos lugar a conjecturas talvez errôneas e nocivas?
F. — Se assim é como dizeis, o que de melhor poderíeis fazer seria explicar-lhe, ao vosso público, que por trás destes muros e nesta associação religiosa não há outros mistérios senão os da nossa religião, exarados no catecismo. Como vivemos e o que fazemos consta, outrossim, da nossa regra monástica, que muitas vezes se tem publicado.
J. — O público, ou, se preferir, o mundo não pode compreender por que, quando em torno de vós tudo se move e se agita, assim persistis na imobilidade do claustro.
F. — Não me pareceis lógico afirmando a nossa imobilidade, quando há pouco parecíeis de todo ignorar qual o nosso gênero de vida; e singularmente vos enganais acreditando que vivemos ociosas. Ainda mesmo supondo que não trabalhemos materialmente, o que não é bem verdade, ainda assim grande e importante seria a nossa tarefa. As mãos que se erguem para o céu fazem um imenso trabalho: não foi um santo, mas um dos vossos, Victor Hugo, quem o escreveu nos Miseráveis.
J. — Muito folgo, reverenda madre, que me citeis, não padres da Igreja, que não leio, mas pensadores profanos, o que mostra que os tendes lido, ao menos alguns, e isto nos abre um terreno, conhecido por nós ambos e em que sem constrangimento nos poderemos encontrar.
F. — Antes de professar li o que intitulais pensadores profanos, e estimo que isso vos traga qualquer vantagem para nos entendermos. Permiti, porém, que assinale uma das vossas fraquezas habituais. De ordinário, em vossa profissão de jornalista, quando, por exemplo, tendes de atacar a administração militar, procurais livros e autores que especialmente se ocupem da matéria. Tratados de ciência naval não faltariam na vossa biblioteca se tivésseis de escrever sobre marinha... Mas como é que todos discutis assuntos religiosos, sem conhecer ao menos os rudimentos da fé e da disciplina católica? Não falaríeis, certamente, sobre a literatura francesa do século décimo oitavo sem leitura de Voltaire; e vós mesmos, que vos propondes escrever sobre a vida monástica, jamais tendes lido um dos bons tratadistas que vos diriam o que ela seja!
J. — De boa mente confesso que aí não vos falta alguma razão, desde que a censura se dirija a mim, ou a qualquer outro publicista de penúltima classe; mas não acredito que seja fundada em relação aos verdadeiros cientistas.
F. — Haeckel, verbi gratia, o emérito propugnador do monismo, não o tendes por cientista às direitas? Pois bem, ainda outro dia ele assombrava o mundo religioso, revelando, em uma polêmica, a mais estupenda ignorância dos dogmas católicos, por isso que confundia a Encarnação do Verbo com a Imaculada Conceição de Maria. Os vossos governos, aliás, fomentam essa ignorância, proibindo que em país de católicos se ensine a doutrina católica.
J. — Isto se faz para assegurar a liberdade de consciência.
F. — Perdão: então não apanhastes o meu argumento, ou antes fui eu quem não se fez compreender. O que digo é que, independentemente de qualquer intimativa, coação ou sedução religiosa, a doutrina cristã deveria ser ensinada em vossas escolas como elemento essencial e indispensável para a compreensão da atual ordem de cousas, da civilização ambiente. Que fazeis para entender a vida grega e romana? Ler e reler a Cité Antique, de Fustel de Coulanges, ou qualquer outro autorizado especialista. Em Constantinopla, nada entenderíeis da cidade otomana e de seus usos, se de todo estranho vos fosse o Alcorão. Pois bem! viveis em uma sociedade católica — eis o fato — e sonegais aos vossos alunos o único livro que lho poderia explicar.
J. — Percebo agora, reverenda madre, a força de vosso raciocínio, e não vos negarei que, conquanto especioso, não acho de pronto com que o refutar. E igualmente vos dou o parabéns pela agudeza dialética que exibis e que, com franqueza, não pensava encontrar neste retiro, onde fora de supor que no misticismo se embotasse o gume da razão.
F. — A devoção mais fervorosa não é incompatível com o cultivo das letras; e, se acaso vos não tivera esquecido a história literária, bem presente vos seria a nossa matriarca Santa Teresa de Jesus, cujas obras ao mesmo tempo exornam a literatura sacra e enaltecem a prosa e a poesia espanholas do século décimo sétimo.
J. — Teresa de Cepeda e Ahumada foi, reverenda madre, um poderoso engenho sobreexcitado pela histeria, e que, excepcional em tudo, não pode ser trazido como regra.
F. —Nem eu vos digo que Santa Teresa deva ser tomada por espécimem comum da intelectualidade monástica; da mesma sorte que para espécimem da vossa inteligência há fora, no mundo, erradamente se apontariam extraordinários intelectos. Na canonização de Santa Teresa, em 1622, Cervantes compôs uma ode, que foi lida por Lope de Vega. Ora, entre vossos romancistas e dramaturgos não vejo quem com esses dois vultos possa suportar o confronto.
J. — Está bem, reverenda madre, e peço que a mal não tomeis aquilo que me escapou no tocante à histeria: falo como homem do meu século, ao qual repugna o sobrenatural.
F. — Duplo engano, meu filho. Em primeiro lugar não há confundir histeria com o que chamais a exaltação da nossa santa. Vossos hospitais estão cheios de histéricas, e é singular que lá esse estado nervoso só conduza a disparates e loucuras, ao passo que na monja incomparável tão acima se elevou das melhores capacidade contemporâneas. Sei que há uma escola, ou antes um grupo, para o qual todo gênio é uma enfermidade mental. Napoleão foi um epiléptico... Quero crer que o perfeito equilíbrio mental seja para esses tais a mais pacata mediocridade; e neste sentido lhes concedo que hoje tantos se exibam perfeitamente equilibrados.
J. — Este seria o meu primeiro erro; e o segundo...
F. — O segundo é supordes que ao vosso século repugna o sobrenatural. Pura ilusão! Sobrenatural e preternatural (que não são o mesmo) coexistem convosco, e neles estais e viveis imersos. O milagre permanente de Lourdes desafia todos os dias os vossos cientistas, que, não podendo negar os fatos, só têm para explicá-los uma palavra: — sugestão. O preternatural? Mas acaso ignorais que nesta cidade, quotidianamente, se evocam mortos, e milhares de pessoas, aos torvos de espíritos que por eles se apresentam, pedem o segredo da saúde e o da felicidade terrena, com sacrifício da futura? Nunca, eu vo-lo asseguro, nunca tão impregnado de sobrenatural e de preternatural esteve quanto agora o gênero humano. Nesta crise de fé, Deus amiúda os milagres, e para derribar a inconsistente fábrica do materialismo estavam reservadas aos nossos tempos as experiências dos ocultistas.
J. — Consenti, reverenda madre, que vos observe estarmos já muito longe do objeto que me induziu a importunar-vos. Não me dais licença para visitar agora o convento?
F. — Não. Vê-lo-eis depois, quando o tivermos deixado aos profanadores que dele vão fazer um hotel, segundo ouço dizer. [2] Onde se rezava, há de haver festins e dissoluções... Tanto pior para vós! Nós continuaremos ociosas, como dizeis, ou trabalhando, como dizia Victor Hugo, com mãos e olhos alçados para o céu, que é donde baixa a complacência para os que oram e a misericórdia para os que pecam.
J. — Não receais que, mal guiada por vossos inimigos, a opinião se transvie a vosso respeito?
F. — A opinião? Não a conhecemos nem a tememos. Costumais lamentar, e quero crer que sinceramente, a privação de liberdade que nos impusemos... Mas acabais de proferir o nome de um tirano à cujo domínio estamos subtraídas: — a opinião. Dela tremeis todos, desde o primeiro magistrado da República até o último cidadão: e nós impassíveis a afrontamos, melhormente eu diria — nem sequer a avistamos. Morrem às nossas portas essas ondas lodosas que chamais escândalo. Nossos caluniadores, não podemos pessoalmente amá-los, pois não sabemos quem sejam, mas todos os dias rezamos por eles, de ordem expressa de Jesus: Orai pelos que vos perseguem e caluniam.
J. — Mas, se indiferente vos pode ser o aleive em circunstâncias normais, haveis de convir que em quadras agitadas ele pode motivar o esbulho, o desacato, a violência...
F. — Escutai, meu filho. Quando o sacrifício se faz martírio, tanto maior a graça de Nosso Senhor. Lede a história da revolução francesa, e lá encontrareis, em um dos capítulos do terror, a execução das carmelitanas de Compiègne. Morreram contentes, entoando o Te Deum. A priora, uma nobre velha, reservara-se para o fim, não por prolongar de minutos a existência, mas para confortar com sua presença as mais novas, entre as quais algumas na flor da juventude. Morreram todas como os mais bravos dentre os homens! Se em uma de vossas revoluções, que tão amiúde se sucedem, alguma se lembrar de nos bater à porta, achar-nos-á junto do altar; e deste para o céu o caminho é curto, ainda que seja através do apupo e do martírio.
J. — Ninguém, felizmente, em nossa terra, reverenda madre, pensa em prejudicar-vos e menos ainda em perseguir-vos. A tolerância é um dogma da verdadeira democracia...
F. — Sei disso... Vós, por ora, nos tolerais como quem tolera o vício ou o desvairo das ruins paixões. Seja como for, será o que Deus quiser! Se nos tolerardes, como nos Estados Unidos, havemos de conquistar mansa e irresistivelmente as consciências; se nos perseguirdes, como na França e em Portugal, por nós clamarão, diante de Deus, a ignomínia e os sofrimentos a que nos submeterdes.
J. — Mais ou menos o que havemos dito formaria um artigo interessante, pela pintura de dois estados d'alma tão diversos quanto o vosso e o meu. Não haveria, talvez, mal em publicá-lo... E, neste caso, não me fixareis algum ponto, que particularmente desejareis que se soubesse?
F. — Sim. Dizei lá fora que, com amor fraterno, nós vos amamos a todos — aos que nos defendem e protegem, bem aos que nos injuriam e detraem... Dizei-lhes que a nossa prece é uma catedral que não se acaba, e que nas ogivas destas mãos continuamente alçadas há o labor de uma construção que não percebeis, porque não olhais para o céu!
(O País, 30-8-1911)

[1] N. da P. — Sem título no original. "Microcosmo" era como Laet chamava sua coluna no jornal "O País".

[2] Segundo indica este trecho, o convento onde se teria dado este suposto diálogo seria o da Ajuda, em cujo terreno foi construída a atual Cinelândia, no Rio de Janeiro.

terça-feira, junho 26, 2007

A lua não pode ser roubada

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Ryokan, um mestre Zen, vivia a mais simples e frugais das vidas em uma pequena cabana aos pés de uma montanha. Uma noite um ladrão entrou na cabana apenas para descobrir que nada havia para ser roubado.

Ryokan retornou e o surpreendeu lá.

"Você fez uma longa viagem para me visitar," ele disse ao gatuno, "e você não deveria retornar de mãos vazias. Por favor tome minhas roupas como um presente."

O ladrão ficou perplexo. Rindo de troça, ele tomou as roupas e esgueirou-se para fora.
Ryokan sentou-se nu, olhando a lua.

"Pobre coitado," ele murmurou. "Gostaria de poder dar-lhe esta bela lua."


Bens materiais podem ser retirados de você. Situações podem ser retiradas de você. Você pode perder um ser amado, o emprego, o celular, mas há coisas que ninguém pode tirar de ti.

Por mais que esteja difícil sua vida nesse momento lembre-se que certas coisas você recebe gratuitamente e muitas vezes nem se dá conta de tal graça.

Pense nisso.

verdade

domingo, junho 24, 2007

O Fogo que deixa intacto o que toca

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Jean Hani em um texto no qual trata da simbologia aplicada a Maria, mãe de Deus, faz uma observação interessante quanto à virgindade dela, um dos mistérios da religião cristã:



“Deus se oculta na sarça de chamas que não se queima e conserva sua integridade, e igualmente se encerrou O Verbo divino no seio virginal deixando-lo intacto”.


Da mesma forma que O Verbo, falando a Moisés, não destruiu a sarça ao fazê-la arder em chamas, também não retirou a integridade de Maria ao introduzir-se em seu corpo. Há os que dizem ser isso impossível, mas esquecem que para Ele não há o que é considerado impossível para nós.

Interessante como algumas pessoas crêem nas coisas mais, digamos, excêntricas, como Jesus pilotando naves espaciais, inseminação de Maria por ETs e outras pérolas do gênero e não acreditam simplesmente que Deus quis manter o corpo dela íntegro e assim o fez, porque ele pode. É Todo-Poderoso ou não é?

Bem, de qualquer forma eu confio no que ela afirmou, confio em Jesus e em Sua Santa Mãe.

Que Deus abençoe todos nós!
santa

sexta-feira, junho 22, 2007

Top de linha

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Ainda sobre a polêmica entrevista de Bundchen, gostei da resposta da bela Fernanda Tavares. Leiam:



Folha de S. Paulo, segunda-feira, 11 de junho de 2007

Coração de mãe
Mônica Bergamo

Fernanda Tavares não gostou de Gisele Bündchen se declarar a favor do aborto e dizer que "não existe quase nada" até o quarto mês de gestação - justamente o período de gravidez de Fernanda. "Com um mês, a criança já tem coração", diz a top. "É absurdo qualquer mulher, por mais independente que seja, defender o aborto. Estamos falando de outra vida".


É isso aí, Fernanda! 
vida

quarta-feira, junho 20, 2007

O Temor e A Graça

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“Não é qualquer presunção que é considerada pecado contra o Espírito Santo, mas a que nos leva a desprezar a justiça de Deus por confiarmos indevidamente em Sua misericórdia. E tal presunção, em razão da sua matéria, isto é, por nos levar a desprezar um bem divino (que é a justiça), por isso mesmo se opõe à caridade, ou antes, ao dom do temor, que nos manda reverenciar a Deus”. (São Tomás de Aquino - Suma Teológica II-II, q.130, a.2, ad 1).


Outro dia desses estava eu a pensar na palavra “temor”. Percebi que muita gente pensa que este termo quando aplicado ao que devemos sentir em relação ao Criador, quer dizer medo. Até um tempo atrás eu também assim pensava, não entendia isso. Até que – oh, quanta inteligência – consultei o dicionário e descobri que tal palavra quer dizer também “respeito profundo”, reverência.

Ter temor a Deus é ter respeito profundo, é reverenciá-Lo. E como diz o mestre aquinate, tal sentimento é um dom. Bom, eu ainda não sei como funciona essa estória de dom, mas vejo realmente que há um mistério nisso, pois há pessoas para as quais parece “natural” temer a Deus. E a outras isso simplesmente não acontece. Seguindo o que diz Santo Tomás é porque as que reverenciam a Deus, as que O temem, receberam este dom e as outras não.

Mas como fica a questão do mérito nisso tudo? Bom, pensando cá com meus botões, cheguei à conclusão de que Deus não gosta da soberba e sendo assim só os humildes recebem tais dons. É preciso ser simples, ter um coração aberto para receber certas graças. É claro que não sei se é assim mesmo que funciona, estou apenas a fazer conjecturas a respeito.

Mas também me parece que ter o coração pronto para receber graças é já uma graça. Cheguei então à conclusão que Ele nos agraciou desde o princípio e que nós é que desprezamos Sua bondade. Claro, podemos fazer isso, pois temos o livre arbítrio dado a nós por Ele mesmo. E isso é outra graça, não é?

Percebem como Ele nos dá tantas coisas de graça? Sim, porque não fizemos por merecer tanta bondade. Fazemos bobagens, erramos tanto, mesmo tendo lá no fundo do coração escrito que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós mesmos, mesmo tendo recebido revelações divinas das quais nascem as instruções religiosas, morais.

Agora mesmo enquanto escrevo este post, relendo a passagem do livro de Santo Tomás percebo que cometi um erro e que confiei demais na misericórdia Dele (pedi perdão e vou buscar não fazer isso novamente). Mas vejam que percebi o erro justamente quando reli este trecho do aquinate. Explico: eu tinha errado, sabia disso, mas não sabia bem a gravidade do meu erro até que abri esta página com as palavras de Santo Tomás e ao escrever o post fui “iluminada” e notei onde estava a gravidade de minha falta.

Não posso desprezar Sua justiça. Não posso fazer de conta que estou fazendo algo pelo bem dos outros quando estou apenas agindo em consonância com meus caprichos. Isso é falta de caridade mesmo, falta de temor a Deus.

Gente, estou maravilhada em como consegui compreender estas palavras do Santo enquanto escrevo isso aqui! Que coisa! Como Ele é bom!

Leiam e releiam esta passagem da Suma Teológica, contemplem, meditem a respeito. Pode ser que haja uma lição para vocês também.
verdade

terça-feira, junho 19, 2007

Mulheres na arte

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Vejam que interessante: um vídeo-montagem com retratos de mulheres ao longo de quinhentos anos. É uma beleza!


beleza



sexta-feira, junho 15, 2007

Gatinho alado

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Gente que coisa! Um gatinho com asas! Leiam a notícia aqui.

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quarta-feira, junho 06, 2007

Sofrimento e casamento

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Relacionamentos são muito importantes. É bom ler a respeito. Este artigo está bem interessante. Abaixo eu comento.



Sofrimento é chave para casamento feliz, diz pesquisa

Da BBC Brasil 01/06/200708h54

Aceitar que relacionamentos sempre incluem dor e sofrimento é a chave para um casamento feliz, segundo um estudo publicado na Revista de Terapia de Casal e de Família, nos Estados Unidos. Os professores da Universidade do Estado da Califórnia Diane Gehart e Eric McCollum dizem que os contos de fada e histórias de amor atuais criam uma ilusão de que é possível viver um "relacionamento perfeito", o que torna ainda mais difícil lidar com os problemas do dia-a-dia. "Nossa cultura perpetua o mito de que, com esforço suficiente, podemos atingir um estado sem sofrimento", diz a pesquisa.

"Nos Estados Unidos, o valor que é dado à atitude pró-ativa e ao triunfo sobre a adversidade cria um ambiente onde o sofrimento pode ser visto como um sintoma da derrota pessoal." Os autores do estudo criticam psicólogos que usam o termo "saúde mental" como sinônimo de um estado em que as pessoas não sofrem e defendem o uso de uma técnica de meditação budista para lidar com os problemas de família: em vez de eliminar o sofrimento, os budistas buscam entender as mágoas de forma tranqüila e compreensiva.

Segundo os pesquisadores, para alcançar um casamento bem-sucedido, é preciso que as pessoas se afastem da busca pela perfeição, aceitando a existência de "maus momentos", e cheguem a um estado que eles chamam de "aceitação atenta". "A 'aceitação atenta' é a compreensão de que enquanto alguma dor é inevitável, o sofrimento de lutar contra o que não podemos mudar não é", dizem eles. A técnica já foi transformada numa terapia cognitiva, usada para tratar a depressão, e agora deve servir de instrumento para ajudar as pessoas a lidarem com o abuso, o divórcio e a rejeição.

***

No mundo de hoje as pessoas querem ser felizes a qualquer custo. Mas esse desejo só traz mais infelicidade, pois a vida tem altos e baixos. Entender que o sofrimento existe e faz parte da vida, saber lidar com isso torna o ser humano mais maduro e mais apto a receber o que vida tem de melhor. Só pode ser feliz realmente quem conhece o sofrimento. E neste mundo não há como ser totalmente feliz o tempo todo.

Se as pessoas entendessem isso muitos casamentos durariam a vida toda.

vida

terça-feira, maio 15, 2007

How Soon is Now?

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Caminhos se abrem, passagens se fecham e eu tenho que queimar a ponte que acabei de atravessar. Agora é olhar pra frente. Novas situações, velhas pessoas, novo clima, amores de sempre.

É uma nova fase. Que interessante quando muda algo na vida, não? Há oportunidade para fazer o que deveria ser feito, para tomar decisões sérias, para viver com mais liberdade. O melhor de tudo é a bagagem que vou carregando. Não aquela cheia de roupas e sapatos, mas sim aquela que a traça não rói. O tempo passa e reconheço nisso muitas vantagens.
tesouros
Não sei como é para vocês, mas com o passar do tempo as coisas vão ficando cada vez melhores para mim. Vou aprendendo mais, fortalecendo minha fé, buscando sempre agir de acordo com a verdade. Melhorou mesmo.
too long
Vida nova, para alguns é muito cedo...mas o eles que sabem?


When you say it's gonna happen "now"
well, when exactly do you mean?
see I've already waited too long

How soon is now?
cedo ou tarde

domingo, maio 13, 2007

O sonho de Lancelote na Capela do Santo Graal

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Lancelote e o anjo


Esta belíssima obra de arte foi criada por Sir Edward Burne-Jones, artista pré-rafaelita, em 1896. A beleza do quadro não é somente plástica, pois conta uma história plena de significado espiritual.

Na busca pelo Santo Graal, Lancelote chega a Capela onde este está guardado. Ele dorme e sonha com o anjo que protege a relíquia sagrada. O anjo aparece (em forma feminina, que bonito!) e diz ao cavaleiro que ele nunca poderá encontrar o Santo Graal porque está cometendo adultério. Ele é amante de Guinevere, a rainha esposa do Rei Arthur, seu amigo e senhor.

Só os puros podem alcançar o Graal. Lancelote, com a alma manchada pelo pecado, fica então impossibilitado de pôr as mãos naquilo que é sagrado. No fim das contas quem encontra o Graal é seu filho Galaad, “O Puro”, um jovem de comportamento imaculado, puro de coração. Ao tocar o Santo Cálice, Galaad é levado ao Céu.


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Galaad


Curiosamente o modelo utilizado para Sir Lancelote neste quadro foi o próprio Burne-Jones, que vivia uma história parecida, já que era amante da jovem artista plástica grega Maria Zambaco. Ela aparece em algumas de suas pinturas. Aqui está uma delas em que a jovem grega é retratada como Nimue, em mais um quadro sobre a lenda do Rei Arthur:


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Merlin e Nimue


Burne-Jones foi um artista admirável. Suas pinturas sobre as lendas arturianas deixam em mim a impressão de que ele buscava a redenção. Espero que tenha encontrado.

redenção

sábado, maio 12, 2007

Homenageando a vida

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Como não celebrar a vida?

Ontem vi um filme que mostrou como pode ser triste um mundo sem o riso das crianças e como é uma bênção a chegada de um bebê! Como é que não podem enxergar isso? Gente, como dói ver as pessoas discutindo sobre a vida das crianças como se isso fosse nada, como se fosse uma moda ou algo muito descartável! Triste demais!
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Vamos viver e deixar viver!

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Quero celebrar a vida!

Agradeço a Deus por estar aqui e a meus pais também!

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Aceite o presente!

Viva a vida!
vida sim, aborto não!

sexta-feira, maio 11, 2007

Dias de Charlotte

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Charlotte sentia-se só. Mesmo casada, mesmo com amigos, a solidão a rondava. Cânticos religiosos, a beleza da natureza ou dos arranjos artísticos, nada disso a livrava daquela sensação de vazio.

Existia uma barreira entre ela e seu marido, entre ela e o mundo. Dava pra perceber claramente que ela não era compreendida e que nem ela mesma conseguia se entender.

Há dias assim na vida das pessoas: dias de Charlotte.

É, e quem foi que disse que a vida seria fácil?

Se você vive um dia de Charlotte saiba que ele passa. Ou deveria passar. As coisas do mundo são assim, fugidias. Não adianta tentar se agarrar nelas. Você pode querer que seja de um jeito e termina sendo de outro. Paciência.

Atire a primeira pedra quem nunca teve um dia de Charlotte.


a vitória não está aqui

quarta-feira, maio 09, 2007

Nuvens cobrindo o sol

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Ando pela cidade, entre a neblina, debaixo dos pingos de chuva que arrepiam meus cabelos. Tudo é tão cinza e todos parecem tão solitários, é bem esta a impressão que tenho, é forte, parece mesmo que posso ler o coração de cada um. Estão sós. Estão com medo. Ignoram muitas coisas e erram o alvo de seus temores.


As igrejas estão quase vazias, os táxis passam correndo barbeiros, um cão sem dono arfa na esquina, coitado, molhado e também solitário. Com quem conta aquele pobre animal? Com quem conta aquele mendigo debaixo do toldo de uma loja abandonada?

As pessoas passam apressadas, olhando para os lados, desconfiadas. É assim o tempo todo. Querem confiar, mas algo vai endurecendo em seus corações. É um mundo que vai ficando cada vez mais árido.

Alguns riem enquanto as borbulhas do espumante docemente explodem em suas bocas. Olham e não vêem. Já não pensam, mal sentem, mas ao mesmo tempo tudo o que querem é sentir. As sensações são seu mundo agora. Não há mais lugar para a razão. Não há mais lugar para os sentimentos puros.

Corrupção, corrupção por toda parte. Ainda há salvação? Eles procuram por redenção? Olho para o céu e respiro fundo. Há nuvens cobrindo o sol...Sim, ainda há esperança.



Walk with me, someone is waiting in light.

breakfast

sexta-feira, maio 04, 2007

Como é difícil esperar

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Há algo muito difícil de cultivar: a paciência. Fácil é falar ou escrever textos bonitos e tal. Difícil é viver na espera, é tentar correr ou arrumar as coisas e não conseguir. E então só resta esperar. Como isso é difícil às vezes!

Como é duro ter que simplesmente suportar a espera, porque não há mais nada a fazer.

No meio desse processo existe a ansiedade, o medo, a saudade. Tudo ao mesmo tempo. Tanta coisa para ser resolvida e tanto para ser dito e pensado. Vou identificando esses sentimentos e pedindo para ser paciente. Então resolvo uma coisinha e fico mais calma (ou menos ansiosa). Mas daí outra coisa se complica e tenho que aguardar mais um pouquinho.

Talvez alguns de você já tenham passado por situações assim, de longa espera. Situações onde a gente se sente impotente, onde não há muito o que fazer a não ser esperar.

Espero aprender algo com isso. Eu quero ser paciente. Eu nem sou impaciente mesmo. Mas é que às vezes...ah, que demora!

espera

sexta-feira, abril 27, 2007

Ser é sempre mais que conhecer

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“Ser é sempre mais que conhecer. O conhecimento é o espetáculo com que nos regalamos”. (Louis Lavelle)



Ah, a ilusão do conhecimento! Alguns são iludidos por pensar que alguém que “conhece as coisas” seja também alguém bom, ou sábio. Mas há conhecimento e conhecimento. O que se busca conhecer? Há aqueles que são chamados de ilustrados, verdadeiras enciclopédias ambulantes, mas que na realidade emitem discursos vazios de sentido. Isso acontece porque eles não buscam o Ser.

A transcendência é o verdadeiro caminho a ser buscado. O que é imanente é transitório, e por mais que seja divertido discutir sobre o último livro lançado pelo ilustre-catedrático-da-universidade-cultuado-pelo-establishment ou sobre a última foto da ex-alguma-coisa-bonitinha-cultuada-pela-mídia, não é para isto que se deve viver. Viver apenas para colecionar conhecimento sem um sentido mais profundo é pura perda de tempo.

Não estou dizendo que só se deve ler e buscar as coisas sérias, até porque os momentos de diversão podem ser importantes para preparar a pessoa para os dias mais atribulados; podem ser tréguas bem-vindas nas batalhas diárias. Nem estou dizendo que não se deva buscar o conhecimento. Conhecimento é bom quando é algo que tenha sentido. É esse o ponto.

As pessoas sérias* tiram lições até mesmo de acontecimentos banais. Isso é estar conectado a busca de sentido. Ao Ser. E há os bufões que mesmo vendo a coisa mais sublime não sabem reconhecê-la. Os seus olhos estão vendados para a Verdade; colecionam conhecimento sobre quase tudo, mas não entendem nada.

A frase de Lavelle é perfeita. Ser é sempre mais que conhecer.



*Favor não confundir seriedade com sisudez ou falta de humor. Pessoas sérias são aquelas que buscam o sentido maior, que ainda tem alguns – ou todos os – dons inatos ou que buscam viver de acordo com o que Deus quer (mesmo sem saber disso). Pronto.

quinta-feira, abril 26, 2007

Gato misterioso pega ônibus regularmente

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Estava por aí a fazer minhas andanças pela Internet quando me deparei com a notícia de um gato que pega ônibus regularmente sozinho, isso mesmo, sem ajuda de ninguém. Vejam só que coisa! Esses bichos não deixam de me surpreender.

O gatinho aí da foto pega o ônibus sempre no mesmo ponto e desce sempre próximo a uma loja de peixes...que gracinha! Isso acontece na Inglaterra e os motoristas de ônibus o apelidaram de Macavity. O pessoal que anda com ele diz que ele é quietinho, faz o que tem que fazer e pronto, não perturba ninguém.

Gente, que engraçado! Como será que ele aprendeu a fazer isso? E os seus donos, onde estarão e o que pensarão a respeito?

Mistério...


quarta-feira, abril 25, 2007

Os protestantes honravam Maria

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Há um artigo interessante que demonstra como no início do protestantismo Nossa Senhora era honrada pelos protestantes. Hoje somente a Igreja Católica presta a devida homenagem a Mãe do Nosso Senhor; Rainha do Céu, pois todo rei é filho de rainha...

Para saber mais leia o artigo completo onde há também o Manifesto de Dresden - documento redigido por vários teólogos luteranos sobre a Virgem Maria, "mãe do meu senhor" (Lc. 1:43)

Vejam algumas citações de Lutero, Calvino, Zwinglio e Wesley sobre a Virgem Maria:



''Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade.''
(Martinho Lutero, ''Comentário do Magnificat'', cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista ''Jesus vive e é o Senhor'').


***



''Por justiça teria sido necessário encomendar-lhe [para Maria] um carro de ouro e conduzi-la com quatro mil cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem, anunciando: 'Aqui viaja a mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de todo o gênero humano'. Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a pé, por um caminho tão longo e, apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso não nos deveríamos admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de alegria.''
(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista ''Pergunte e Responderemos'' nº 429).


***



''Ser Mãe de Deus é uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera todo e qualquer intelecto. Daí lhe advém toda a honra e a alegria e isso faz com que ela seja uma única pessoa em todo o mundo, superior a quantas existiam e que não tem igual na excelência de ter com o Pai Celeste um filhinho comum. Nestas palavras, portanto, está contida toda a honra de Maria. Ninguém poderia pregar em seu louvor coisas mais magníficas, mesmo que possuísse tantas línguas quantas são na terra as flores e folhas nos campos, nos céus as estrelas e no mar os grãos de areia.''
(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista ''Jesus vive e é o Senhor'')


***



''Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém.
(Martinho Lutero, ''Comentário do Magnificat'').


***



''O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxílio de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem.
(Martinho Lutero, ''Artigos da Doutrina Cristã'')


***



''Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus.''
(João Calvino, Comm. Sur l’Harm. Evang.,20)


***



''Firmemente creio, segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem pura, nos gerou o Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem pura e íntegra.''
(Zwinglio, em ''Corpus Reformatorum'')



***


''Creio que [Jesus] foi feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria que, tanto antes como depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada.''
(John Wesley, fundadador da Igreja Metodista, em carta dirigida a um católico em 18.07.1749)











sexta-feira, abril 20, 2007

Ah, aquele tempo!

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Algumas vezes eu me volto para o passado em busca de algo que não tenho ou que penso não ter agora. Fico recordando momentos alegres, pensando em como era bom aquele tempo, amargurada porque agora tudo é diferente. O mais interessante é que se eu parar para pensar vou lembrar também que nem tudo era lindo e maravilhoso naquela época, que sentia falta de outras coisas e que ansiava por outras experiências, reclamava da situação ou das pessoas.

Existe, em muitas pessoas, uma tendência em ficarem presas, apegadas às coisas do passado, como se aquilo sim tivesse sido perfeito. Vez ou outra eu ouço alguém dizer: “ah, no meu tempo era tão bom!”. E agora? Não é mais seu tempo?

O apego a pessoas, fatos e lugares do passado não permite que se veja com clareza o presente e é justamente o presente o momento mais importante! Quero aprender a viver o agora de forma plena, aceitando o que não pode ser mudado e transformando o que deve ser transformado. Aprender a aceitar que cada coisa tem seu tempo e agradecer aos fatos, às pessoas, aos lugares transformando os laços de apego em laços de amor, de amizade, de gratidão.

Não, não é fácil, mas eu bem que venho tentando fazer isso, ficar no presente e não me voltar nem para o passado nem para conjecturas sobre o futuro. Ficar planejando o futuro – fazendo deste um tempo perfeito, onde tudo vai dar certo – é digamos, coisa de doido.

Eu tenho o presente e tenho que buscar o melhor agora. Sei que o amanhã virá, mas não sei como será, nem tenho lá muito controle sobre isso. Sei que se eu faço o bem agora, já estou fazendo muito bem. Mas se eu fico pensando em fazer o bem amanhã, e hoje faço bobagens – no estilo “os fins justificam os meios” - estou brincando de viver e arriscando algo muito mais sério.

É por isso que tenho hoje total ojeriza a utopias. Os utópicos pensam em um amanhã maravilhoso e enquanto esse amanhã não chega, vale tudo para se dar bem e para “construir um futuro magnífico”, não importa se para isso seja preciso derrubar quantos não queiram participar deste tal futuro gla-mou-ro-so (sic). Não dá. No way. Cansei.

Responsabilidade é bom e eu gosto. Bom senso também.

sábado, abril 14, 2007

O amor é a razão

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O amor é a razão de nossas existências. Amamos, somos amados, ficamos felizes se estamos amando e sendo amados e nos entristecemos se pensamos não receber amor. Tudo o que nós precisamos é amor. Do amor viemos e para o amor devemos voltar. Estamos aqui aprendendo a amar, aprendendo o caminho de volta para Deus.

Mas estou me referindo aqui ao amor que se reporta a Deus em primeiro lugar. Deus é amor. Quando amamos estamos ligados a Ele.

Amor se constrói a cada dia, aos poucos, com muita vontade de fazer o melhor, com paciência, desprendimento e respeito. Amor nasce, se desenvolve, amadurece, é algo verdadeiro, nunca morre.

Amar é saber esperar, saber respeitar o espaço do outro, saber o momento de chegar e de partir. Amar é procurar apoiar o outro, limpar suas feridas quando necessário e até mesmo se ferir no lugar dele se for possível.

Amor é entrega, é desnudamento da alma, revelação de sonhos.

O amor nos move a todo instante, quer queiramos ou não.



domingo, abril 08, 2007

É Páscoa! Ele ressuscitou!

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Hoje é um dia de muita alegria!


Ele ressuscitou!


Abriu as portas para a humanidade!



Que Ele olhe por nós!



Feliz Páscoa!


sexta-feira, abril 06, 2007

Sexta-feira da paixão

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Numa sexta-feira Ele morreu na cruz.

Sacrificou-se pela redenção dos homens.

Este é um dia de reflexão.


Olhai por nós, Pai do Céu!

Amém.

quarta-feira, abril 04, 2007

Pequenas coisas que matam

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Interessante como pequeninas coisas podem magoar. Podem atuar como o veneno que vai sendo inoculado aos poucos e destruindo devagar.

Certas atitudes e palavras funcionam assim e vão minando uma relação, seja de trabalho, de pai e filho, de marido e mulher, de amigos, qualquer uma.

Percebo como é importante o diálogo, a tentativa de entender o outro, de buscar compreender o que se passa na mente e no coração dele. O que acontece, porém, é que muitas vezes termino por projetar meus próprios anseios e receios no outro e termino por brigar com ele, quando deveria resolver em mim mesma as questões que me incomodam. Em uma relação isso pode servir para me conhecer melhor, mas o ideal seria que eu evitasse um conflito para resolver o que está incomodando. É claro que às vezes conflitos são inevitáveis e o jeito é tentar minimizar os efeitos e ter humildade para reconhecer o erro e pedir perdão quando necessário. Tomar a iniciativa de fazer as pazes é muito importante, pois senão torna-se aquele joguinho infantil de “eu só faço se ele fizer”, o que pode levar a um desgaste desnecessário.

Cada um de nós deve saber o que quer num relacionamento e, então, buscar construir uma relação de acordo como o que se espera. Ninguém disse que isso é fácil, mas há que se procurar ter cuidado com as pequenas coisas e não deixar para resolver amanhã o que pode ser resolvido hoje, sob pena de destruir algo que poderia ser muito bom.

sábado, março 31, 2007

Homem escravo das paixões

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Há pouco tempo vi um filme muito bom: “Tempo de Paixão” (Lover’s Prayer/All Forgotten). Baseado em um livro de Anton Tchecov, a história se passa na Rússia e tem como atriz principal Kirsten Dunst. Mas não é sobre a personagem dela que quero escrever.

Uma das personagens secundárias da estória é uma mulher que cria seu filho e trabalha duro enquanto seu marido está na guerra. Ela sentindo-se só, diz, ao homem que se torna seu amante, que não ama o marido e que casou com ele por obrigação. Eles se envolvem, vivem uma paixão e eis que um belo dia seu marido volta, aleijado, mas feliz por ver novamente a esposa amada e o filho.

O marido fica sabendo do que aconteceu e magoado tem um ataque de raiva, esperneia e chora. Isso tudo na frente do filho e do amante, que arrependido diz que ela deveria se penitenciar e buscar se reconciliar com o marido.

Não quero aqui entrar no mérito da questão do casamento sem amor ou com amor. Fiquei mesmo impressionada com o pobre guerreiro machucado em duas guerras: àquela para a qual ele se retirou e a que se travou em seu lar, a guerra das paixões. Ele confiava na esposa, a amava e imagino a sua surpresa terrível, sua dor e indignação ao descobrir o que se passou em sua casa enquanto esteve fora.

Pode-se comentar que ela tinha o direito de ser feliz. Mas penso: quando é que o direito de ser feliz tem que passar por cima dos sentimentos alheios? E mais, passar por cima do sentimento de alguém com quem ela se comprometeu e que nela confiava.

Parece que no mundo de hoje as pessoas só buscam o prazer. Querem ser felizes a qualquer custo e isso não as impede de passar por cima de quem quer que seja para satisfazer seus impulsos e realizar suas paixões.

Onde a caridade de um ser pelo sofrimento de outro? Onde o amor ao próximo? O que parece na estória é que ele era um homem bom, não a tratava mal. Então ele deveria estar se perguntando: por que ela me tratou tão mal assim? O que fiz?

Ele ali no chão, com o corpo despedaçado e o coração em frangalhos, triste, deveria estar pensando em como seria miserável sua existência dali em diante, pois até mesmo seu sentimento de virilidade deveria estar mexido, sua auto-estima deve ter ido a zero. Ela pode se desculpar dizendo que não casou por amor, mas será que estava realmente feliz tendo um amante? Será que ela não pensou no quanto o magoaria? No quanto o faria sentir-se mal?

O que quero destacar é: será que a busca pela satisfação pessoal, pelos prazeres, enfim, esta vida hedonista que vivemos hoje não é mesmo uma vida doente? Ou melhor, não seria na realidade uma morte? Estamos mortos?

Vale a pena satisfazer os nossos apetites em detrimento do outro? Qual o papel do outro em nossa vida? É mero objeto de prazer ou de sevícia? Ou dos dois alternadamente? Onde fica o respeito ao ser?

E depois do erro cometido? Qual o sentimento que fica? Será realmente que o traidor se satisfez? Ou foram apenas os seus instintos que se satisfizeram? É o homem puro instinto? Claro que não. É muito mais que isso, mas também não é tudo, ou seja, deve obedecer a certas leis, leis estas que estão escritas na consciência de cada um – nem vou mencionar o que diz a religião (que magnificamente dispõe as leis para uma vida correta, diga-se de passagem), vou me ater aqui somente a lei natural mesmo.

Abordei a questão porque vejo que o ser humano hoje encontra boas desculpas para fazer o que é errado, para fazer aos outros aquilo que não gostaria que fosse feito a ele. E então, vale a pena se entregar às paixões? E a consciência tranqüila, não tem mais razão de ser? Como se faz para apaziguar a alma intranqüila com a mancha do erro? Vale a pena viver desse jeito? Isso é vida?

domingo, março 25, 2007

Grandes Expectativas

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Hoje não quero ser tomada por grandes expectativas. Quero seguir simplesmente, caminhando devagar, apreciando a paisagem, parando de vez em quando para apanhar uma flor ou ajeitar um ninho de passarinhos. Não preciso de muito para ser feliz. Basta viver de acordo com minha consciência, com o que Ele quer. Que eu continue a apreciar o fim de tarde, o sorriso de uma criança, o brilho das estrelas numa noite de verão.

Tantas são as belezas proporcionadas por este mundo, tanto para agradecer! E assim, simplesmente vou vivendo, buscando a Luz, tentando espalhar amor, colorindo algumas mui preciosas vidas com meu carinho e dedicação.


Amar , somente amar.

terça-feira, março 20, 2007

O Simbolismo da Lua e a Virgem Maria

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É muito bom estudar os símbolos. Vejam que interessante essa análise de
Jean Hani sobre Nossa Senhora e o simbolismo da lua.
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A lua simboliza tradicionalmente os ritmos da vida: cresce, decresce, desaparece, reaparece, sua vida está submetida à lei universal do devir, que inclui a morte, mas também a ressurreição, a ressurreição que precisamente representa a lua crescente. A lua controla todos os planos cósmicos regidos pelo devir cíclico: as águas, a vegetação, a fertilidade, as marés e a fecundidade das mulheres; daí sua relação com o signo de Touro, que é o segundo signo da primavera e, detalhe importante, o «lugar de exaltação» da lua.

No pensamento cristão pode se aplicar a lua ao mistério de Cristo e sua mãe. Assim, Cristo é o sol, mas a luz do Cristo-Soles é levada a sombria terra pela maternal mediação de Maria (e da Igreja, que é o corpo místico de Cristo): porque a lua é o símbolo desse ser que acolheu maternalmente a luz e a recebeu com humildade; a concepção e a prosperidade na terra seguem o ritmo desta maternal lua.

Sobre este tema se desenvolveu uma espécie de mito das «bodas do sol e da lua»: Lua recebe a luz do Sol, se converte em mãe e engendra tudo o que vive. No silêncio e na obscuridade, a «lua nova» dialoga com seu amado; são os diálogos místicos da «harmonia das esferas» dos pitagóricos, como evocava Plutarco em seu tratado Sobre a face que há na lua: «Selene descreve em todos os tempos círculos de amor ao redor de Hélios, e dele recebe, mediante sua união, o poder de fazer nascer». Assim, a lua é a intermediaria entre o sol e a terra, a mediadora: tem por função atenuar a força da luz ampliando o «fogo» do sol a «água» de seu ser, a «água celestial da lua», o «rocio celestial» nele que se mesclam o «quente» e o «úmido» para engendrar o principio criador de vida na terra.

A partir daí, a reflexão cristã se centrou na lua e o sol de Natal: Maria deu à luz o «Sol de justiça», se converteu em seu «espelho», «Speculum justitiae», «Espelho da justiça», como a chamam as litanias de Loreto; conduz durante a noite o carro do sol da manhã, é a Lua com a que o Sol se uniu na aniquilação de sua encarnação noturna, e assim é mãe de tudo o quanto vive.

E isto nos remete ao tema da lua e da imagem lunar de Maria. Para compreender-la, há que se situar a expressão Janua coeli no sistema de representação antigo do Cosmos, construído no escalonamento das sete esferas planetárias, sendo a primeira a da lua que separa o mundo que há por baixo, denominado mundo sublunar, submetido ao ciclo do devir, das esferas superiores, entre elas a do sol, que participam da vida permanente y divina do «céu» em sentido religioso. Desta perspectiva, a lua é denominada Janua coeli; é o lugar de passagem do mundo inferior ao mundo divino. Na ascensão celestial da Divina Comédia, Dante situa precisamente na esfera da lua o Purgatório, que para os pecadores arrependidos abre o caminho até o sol, a Via Láctea e o «Círculo supremo»; ali, diz Plutarco que se purificavam os justos para encontrar-se em estado de ascender até a morada dos Deuses (Paraíso). Fazendo de Maria a Janua coeli, se quer dar a entender o papel imenso que desempenha no caminho da salvação, não só porque traz ao mundo o Cristo, autor da salvação, mas também porque segue ajudando ao ser humano em seu caminho; na figura da Mulher do Apocalipse, a Virgem, posto que dela se trata, está sobre a lua e está vestida com o sol, faz nascer os homens e os faz passar do mundo terreno e mortal ao mundo eterno.

domingo, março 18, 2007

Alguns enxergam os outros como num espelho

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Quando você vê beleza em um ser, você está vendo ou começando a ver sua própria beleza. E sua beleza é um pedacinho da Beleza.

Há um tipo de pessoa que encontra outras pessoas que são tão lindas, tão bondosas e doces. Mas esse tipo não vê a bondade, a beleza dessas outras. Ela interpreta a bondade como falsidade, a beleza como máscara e a doçura como bajulação. Sabe por quê? Porque ela é assim. Porque está iludida, com o coração cheio de fel.

Entendeu como funciona? Por isso se você é alguém bom, que gosta de levar doçura à vida dos seres e é mal compreendido por alguém, não fique triste em demasia. Pense que aquele que te despreza é alguém que está doente. Veja-o como uma criança que tem muito que aprender ainda. Não estou dizendo que você deve sentir-se melhor que ele. Não. Apenas que deve ser compreensivo quanto a suas falhas, que você também já pode ter sido assim e que ainda pode ser assim – cheio de falhas - em outros aspectos.

Isso não quer dizer que se você enxerga um ser cruel você seja cruel também. O que importa é quanto isso se repete e com que intensidade você sente isso. Se te incomoda demais é hora de parar e pensar no que há em você que parece com aquele ser.

Ninguém gosta de ser visto como coitadinho, a não ser que esteja carente demais, e carência é desequilíbrio. Então não o veja como coitadinho. Deseje o melhor para ele, do fundo do coração. Se não conseguir fazer isso de imediato, vá treinando e pedindo a Deus para lhe conceder tal graça. O importante é semear algo bom. E lembre-se de que “a cada um segundo suas obras”.

Que obras você tem realizado?