domingo, novembro 30, 2008

Pausa para meu casamento

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Vou me casar em dezembro e por isso estou sem tempo para postar. Quando tudo se acalmar eu volto.

Fiquem com Deus!

terça-feira, novembro 18, 2008

«Os outros nove, onde estão?»


Comentário ao Evangelho feito por S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja Sermões diversos, n.º 27

«Os outros nove, onde estão?»

Vemos, hoje em dia, muitas pessoas que rezam, mas, afinal, não as vemos a voltar atrás para dar graças a Deus [...] «Não foram os dez curados? Onde estão pois os outros nove?» Estais a lembrar-vos, penso eu, que foi nestes termos que o Salvador se lamentou acerca da ingratidão dos outros nove leprosos. Podemos ler que eles sabiam «rezar, suplicar e pedir», pois tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Filho de David, tende piedade de nós». Mas faltou-lhes uma quarta coisa que o apóstolo Paulo reclama: «a acção de graças» (1Tm2,1), porque não voltaram para dar graças a Deus.

Nos nossos dias é ainda frequente ver um considerável número de pessoas pedir a Deus com insistência o que lhes falta, mas são em pequeno número as que parecem ficar reconhecidas com os dons recebidos. Não há mal em pedir com insistência, mas o que faz que Deus não nos atenda é considerar que nos falta gratidão. Afinal, talvez seja até um acto de clemência da sua parte recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados com rigor por causa da sua ingratidão [...]. É pois por misericórdia que Deus retém por vezes a sua misericórdia [...]

Vede portanto como todos os que estão curados da lepra do mundo, quero dizer, das desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais perigosa por ser uma chaga mais interior. É por isso com razão que o Senhor do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores se afastam da salvação. É por isso que, depois de o primeiro homem ter pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9).

sexta-feira, novembro 14, 2008

Nelson Rodrigues - extratos de uma entrevista


vida
EXTRATOS DE UMA ENTREVISTA À REVISTA MANCHETE EM AGOSTO DE 1977:

Manchete — Você está lançando o seu livro O Reacionário. Por que o livro e por que esse título?
Nelson Rodrigues — Este livro é uma das coisas mais sérias que já fiz na minha vida. Antes de falar de mim, mal ou bem, o sujeito deve ler o meu livro para saber o que eu acho, para saber do meu anticomunismo, saber do meu horror a Marx... Marx não toma conhecimento da morte. E nós exigimos de Marx a devolução de nossa alma imortal. Tudo isso está no livro. Agora, eu tenho uma virtude única, que é a seguinte: não tenho medo de passar por reacionário. Querem me chamar de reacionário, chamem; querem me pichar como reacionário, pichem; querem me pendurar num galho de árvore como ladrão de cavalo, pendurem. Mas eu sou homem que não aceita essa impostura gigantesca dos chamados países socialistas. Por mais que eu tenha horror da política, há muita política no meu livro. Eu acho que a política corrompe qualquer um, mas ela é um fato. Alias, vocês querem saber de uma coisa? Eu comecei a ficar anticomunista aos 11 anos de idade. Eu era um rato de jornal e nessa ocasião comecei a freqüentar o jornal A Nação, do Leônidas de Rezende, um comunista tremendo. Então, um dia assim sem mais nem menos, um rapaz me disse que, se o partido mandasse, ele estrangularia a sua própria mãe. Era só o partido mandar. A ONU, por exemplo, não considera o Brejnev um canalha. Para ela, o fato de existirem intelectuais internados em hospícios não representa um ato atentatório aos direitos humanos. Agora, vou te dizer uma coisa: eu pensei muito quando dei ao meu livro o título de O Reacionário. Porque no duro, no duro, eu não sou reacionário. A mais cruel forma de reacionarismo está nos países socialistas, na Rússia, em Cuba, na China, etc. Realmente, eu sou um libertário. Veja você: dois pobres-diabos cidadãos soviéticos seqüestraram um avião para deixar o paraíso e foram parar na Finlândia. Entregaram-se ao governo finlandês, que os devolveu ao Brejnev. Vão ser naturalmente fuzilados. Pois bem: quem protestou contra isso? Onde está o manifesto dos intelectuais com 3.999 assinaturas? No duro eu sou um libertário. Eles, marxistas, é que são reacionários. Repito mais uma vez: os marxistas é que são reacionários.

Manchete — Nelson, ainda existe o padre de passeata? Eles ainda estão em plena atuação?
Nelson Rodrigues — Ainda existem e estão em plena atuação. Sempre houve o padre de passeata. É o falso padre, o sujeito que trai a Igreja, que trai Cristo, trai Deus. Este é o padre de passeata.

Manchete — Você está a favor do Lefebvre ou do Papa?
Nelson Rodrigues — Sou inteiramente a favor de Lefebvre. Eu acho que a Igreja de Cristo é a Igreja de Lefebvre. Acho que qualquer faxineiro prefere o latim. O latim é a verdadeira linguagem. Aliás, a gente não precisa entender a língua, basta o som.(...)

Manchete — Nelson, você gostaria de viver agora ou na Idade Média?
Nelson — Em primeiro lugar, eu não vejo nada de ruim na Idade Média, como você está insinuando. Foi uma etapa da história da humanidade, simplesmente. A Idade Média tinha seus valores formidáveis. A par disso, já afirmei que tinha uma alma de Belle Époque. Hoje estamos assistindo a uma destruição de valores. Nunca a maldade humana, a perversidade humana, a ferocidade humana foram tão violentas como em nossa época. Eu digo o seguinte: se houvesse uma guerra nuclear e o mundo acabasse, não se perderia grande coisa. Alias, de todas as épocas eu acho que a pior é exatamente a nossa.(...)

Manchete — Mas você é muito amargo.
Nelson Rodrigues — Como?

Manchete — Muito amargo em face da vida.
Nelson Rodrigues — Meu coração, meu anjo: a amargura é o elemento do artista. A amargura dá uma dimensão fantástica ao artista.


Extraído de Tradições Gratuitas

quinta-feira, novembro 06, 2008

À procura da ovelha perdida

por Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara. Retiro em Nazaré, Novembro de 1897

Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a Vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. [...] A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos. Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. [...] Dáveis-me essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.

Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois, se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. [...] Os perigos de viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! Oh, meu Deus, como tínheis a Vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as Vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na Vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.

Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo Vosso. [...] Foi a Vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demónio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demónio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, oh Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o Vosso inimigo.

terça-feira, novembro 04, 2008

"...para que a minha casa fique cheia"

Comentário ao Evangelho feito por Divina Liturgia de São Basílio (século IV) Oração eucarística, I Parte

«Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar para que a minha casa fique cheia»

Santo, santo, Tu és verdadeiramente santo, Senhor nosso Deus, e não há limite para a grandeza da Tua santidade: Tu dispuseste todas as coisas com correcção e justeza. Modelaste o homem com o barro da terra, honraste-o com a imagem do próprio Deus, colocaste-o num paraíso de delícias, prometendo-lhe – se observasse os mandamentos – a imortalidade e o gozo dos bens eternos. Mas ele transgrediu os Teus mandamentos, Deus verdadeiro, e, seduzido pela malícia da serpente, vítima do seu próprio pecado, submeteu-se à morte. Pelo Teu justo juízo, foi expulso do Paraíso para este mundo, reenviado para a terra de onde havia sido tirado.

Mas Tu dispuseste para ele, no Teu Cristo, a salvação pelo novo nascimento, pois não rejeitaste para sempre a criatura que havias criado na Tua bondade; velaste por ela de muitas maneiras, na grandeza da Tua misericórdia. Enviaste profetas, fizeste milagres pelos santos que, em cada geração, Te foram agradáveis; deste-nos a Lei para nos socorrer; estabeleceste os anjos, para nos guardarem.

E, ao chegar a plenitude dos tempos, falaste-nos no Teu único Filho, por Quem criaste o universo; Ele que é o esplendor da Tua glória e a imagem da Tua natureza; Ele que tudo realiza pelo poder da Sua palavra; Ele, que não preservou ciosamente a Sua igualdade com Deus mas, desde toda a eternidade, veio à terra, viveu com os homens, tomou carne na Virgem Maria, aceitou a condição de escravo, assumiu o nosso corpo miserável, para nos tornar conformes ao Seu corpo de glória (Heb 1, 2-3; Fil 2, 6-7; 3, 21).

E, como foi pelo homem que o pecado entrou no mundo – e, pelo pecado, a morte –, agradou ao Filho único, a Ele que Se encontrava eternamente no Teu seio, ó Pai, mas que nasceu de mulher, condenar o pecado na Sua carne, a fim de que aqueles que haviam morrido em Adão tivessem a plenitude da vida em Cristo (Rom 5, 12; 8, 3). Enquanto viveu neste mundo, Ele deu-nos preceitos de salvação, desviou-nos do erro dos ídolos, levando-nos a conhecer-Te, a Ti, Deus verdadeiro. Desse modo, conquistou-nos para Si como povo escolhido, sacerdócio real, nação santa (1 Ped 2, 9).

sábado, novembro 01, 2008

Da terra ao Céu




"Quanto mais a árvore mergulha as raízes na escuridão da terra, mas a folhagem remonta às alturas". (Louis Lavelle)



Que esta frase faça refletir àqueles que vêem o mal no mundo e não conseguem compreender que podem se elevar em meio às trevas.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Os Que Não Foram Consultados

por Gustavo Corção



Ouvi hoje contar o caso de um acrobata americano que teve uma idéia. "Brain wave". Uma idéia nova para seu programa de televisão. É assim: em pé no rebordo do telhado de um arranha-céu ele faz cabriolas, não com seu próprio corpo, mas com o corpo de uma criancinha de meses que ele atira para o ar, apanha, equilibra, muda de mão e passa entre as pernas. Como se vê, o espetáculo deve ter sido excitante e gostoso para os pupilas cansadas de outros espetáculos mais rotineiros.

Essa história lembrou-me outra. Estavam duas ou três senhoras de nossa melhor sociedade, dessas que tomam chá de chapéu, a discutir o caso de um desabusado cirurgião (também da melhor sociedade) que provocara um aborto sem consultar ninguém. Dizia, então, uma das senhoras, a do chapéu de lilás: "Eu acho que a família deve ser consultada..." A dama de chapéu cor-de-amora foi mais precisa: "Eu acho que compete à mãe, exclusivamente, resolver o caso". E estava a conversa neste ponto quando um amigo meu, tímido e gago, que nunca consegue ser ouvido por ninguém, sugeriu que quem devia ser consultada era a criança. E é a ausência dessa consulta que me horrorizou na história do acrobata. Por muito menos zangou-se um dia Jack London, numa tourada, porque os touros e cavalos não eram ouvidos. Mas ninguém ouviu a reflexão de meu amigo. Como ninguém ouve a misteriosa linguagem com que os embriões de dois a três meses declaram categoricamente que querem viver. Como também cada dia menos se ouve a linguagem, já menos mistificada, das crianças de dois ou três anos que são energicamente contrárias ao divórcio. O fato é esse: na ginástica, no aborto e no divórcio, há pessoas, personagens, pessoas humanas, vivas, que estão envolvidas e que não são ouvidas."Ora, direis, ouvir crianças... certo perdeste o siso!", dirá algum leitor que ainda se lembre dos esplendores do nosso parnaso. Como é possível ouvir um embrião? Como se pode ponderar o que diz uma criança de dois anos?

Digo-te eu, leitor, que foste tu que perdeste o siso. E acrescento: o mundo está como está, e o nosso Brasil chegou onde sabemos que chegou, porque as pessoas (a começar pelas da melhor sociedade) não têm mais ouvidos para ouvir e entender a linguagem dos fetos. Fuzilam-se inocentes, aos milhões, sem remorsos, dada a circunstância supersônica de seus protestos. Vou explicar-te, amigo, mais uma vez, como se pode ouvir o que não fala, e consultar o que não tem a idade da razão. É muito simples: ouvindo e consultando a lei que está gravada na natureza das coisas, a lei que qualquer consciência desobstruída de chás e chapéus pode ouvir e consultar. Uma boa lavadeira, uma honesta cozinheira, sem procurar psicólogos e sociólogos, têm ouvidos para a voz da Inocência perfeita, para a voz que condena o aborto, o divórcio, e outras acrobacias feitas com carne de gente.

* * *

Por falar em aborto, ouvi dizer que na Suíça tornou-se legal. Não sei detalhes. Não sei em circunstâncias, pelos quatro cantões da Suíça, tornou-se admissível matar a criança que teve a impertinência de brotar num ventre de moça. Imagino que os suíços, que são reconhecidamente um povo ordeiro e asseado, e sobretudo muito deferente com os turistas, tenham descoberto excelentes razões para assassinar pequeninos suíços. Uma das razões que imagino seria a seguinte: mata-se a criança excedente pelo bem da pátria e da família. Um pouco como se queima o café, para valorizá-lo. De uma senhora, que tem um Pontiac verde-claro, já ouvi dizer que se justifica "não guardar" para manter o "padrão de vida". Não se guarda a criança para guardar-se o Pontiac. Outra senhora, um pouco menos desvairada, alega que fuzila a criança não nascida em benefício das outras já nascidas. Esses argumentos chegaram aos ouvidos de meu amigo Álvaro Tavares que sugere uma emenda para a teoria dessa senhora que mata um filho em benefício dos outros: admitido que se deva matar um para benefício da família e da sociedade, devemos deixar a criança nascer, e, mais tarde, num conselho de família, escolher a criança mais feia, ou mais bronca na tabuada, ou mais birrenta na mesa, e então executá-la para o maior bem da família e da pátria.

Concordo inteiramente com essa emenda apresentada pelo meu amigo Álvaro Tavares. Em nome da psicologia, da sociologia e da eugenia, acho precipitada a pena de morte que recai sobre a "criança desconhecida". O mundo, entre seus momentos de prolongado desvario, já teve a idéia de honrar o soldado desconhecido; mas nos seus piores momentos ainda não teve a idéia de fuzilar um criminoso desconhecido. E muito menos um desconhecido inocente. Aprovo pois a emenda e aqui acrescento o meu pesponto. Em lugar do conselho de família, eu sugiro que consultem um psicotécnico.

Voltando aos suíços, confesso que não me espantei demais com a notícia. Tenho desconfiança desses países muito ordeiros, muito arrumados. Tenho horror a hotéis. Só me espanto com uma incoerência que vejo nessa lei dos suíços: se a religião daquele pitoresco país é o turismo, se tratam tão bem os que chegam das Américas, porque diacho maltratam assim o pequenino turista que ingressa num dos quatro cantões pela mais antiga das portas?

(Dez Anos. Rio de Janeiro, AGIR, 1957.)

Adaptado por Acarajé Conservador.
Texto completo no site Permanência.

quarta-feira, outubro 29, 2008

A mesa no Reino de Deus

Comentário ao Evangelho feito por Santo Ireneu de Lyon (c.130 - c.208), bispo, teólogo e mártir. Contra as heresias, V, 32, 2

«Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus»

A promessa feita anteriormente por Deus a Abraão manteve-se estável. Deus tinha-lhe dito, com efeito: «Ergue os teus olhos e, do sítio em que estás, contempla o norte, o sul, o oriente e o ocidente. Toda a terra que estás a ver, dar-ta-ei, a ti e aos teus descendentes, para sempre» (Gn 13,14-15). [...] No entanto, Abraão não recebeu herança alguma durante a sua vida terrena, «nem mesmo um palmo de terra»; foi sempre um «estrangeiro e hóspede» de passagem (Act 7,5; Gn 23,4) [...] Portanto, se Deus lhe prometeu a herança da terra, e se não a recebeu durante a sua estadia terrena, terá de recebê-la na posteridade, isto é, com aqueles que temem a Deus e n'Ele crêem, aquando da ressurreição dos justos.

Ora a sua posteridade é a Igreja, que, pelo Senhor, recebe a filiação adoptiva em relação a Abraão, como diz João Baptista: «Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão» (Mt 3,9). Também o apóstolo Paulo diz na sua Epístola aos Gálatas: «E vós, irmãos, à semelhança de Isaac, sois filhos da promessa» (Gl, 4,28). Diz claramente ainda, na mesma epístola, que os que acreditaram em Cristo recebem, de Cristo, a promessa feita a Abraão: «Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não se diz: «e às descendências», como se de muitas se tratasse; trata-se, sim, de uma só: E à tua descendência, que é Cristo» (Gl 3,16). E, para confirmar tudo isto, diz ainda «Assim foi com Abraão: teve fé em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça. Ficai, por isso, a saber: os que dependem da fé é que são filhos de Abraão. E como a Escritura previu que é pela fé que Deus justifica os gentios, anunciou previamente como evangelho a Abraão: Serão abençoados em ti todos os povos» (Gl 3,6-8) [...]

Se portanto nem Abraão nem a sua descendência, isto é, todos os que são justificados na fé, não recebem agora herança alguma na terra, recebê-la-ão no momento da ressurreição dos justos, porque Deus é verídico e estável em todas as coisas. E é por este motivo que o Senhor dizia «Felizes os mansos, porque possuirão a terra.» (Mt 5,5).

terça-feira, outubro 14, 2008

«Quem fez o exterior não fez também o interior?»

Comentário ao Evangelho feito por Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja Comentário sobre o Evangelho de S. Lucas, 7, 100-102

«Quem fez o exterior não fez também o interior?»

«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato.» Como vedes, os nossos corpos são aqui designados por nomes de objectos frágeis e feitos de barro, que se partem com uma simples queda. E os sentimentos íntimos da alma são designados por expressões e gestos do corpo, como aquilo que está no interior do copo pode ser visto do exterior. [...] Como vedes, não é o exterior deste copo e deste prato que nos suja, é o seu interior.

Como bom mestre que é, Jesus ensina-nos a limpar as manchas do corpo, dizendo: «Dai antes de esmola o que estará dentro e tudo para vós ficará limpo.» Vedes de quantos remédios dispomos? A misericórdia purifica-nos. A palavra de Deus também nos purifica, de acordo com o que está escrito: «Vós estais limpos, devido à palavra que vos tenho dirigido» (Jo 15, 3). [...]

É o ponto de partida de uma passagem muito bela: o Senhor convida-nos a procurar a simplicidade e condena a nossa ligação àquilo que é supérfluo e terra-a-terra. Devido à sua fragilidade, os fariseus são comparados – e com razão – ao copo e ao prato: observam pontos que não têm qualquer utilidade para nós, negligenciando aqueles onde se encontra o fruto da nossa esperança. Cometem, pois, uma grande falta, desdenhando o melhor. E, contudo, até a essa falta é prometido o perdão, desde que depois dela venha a misericórdia e a esmola.

segunda-feira, outubro 13, 2008

«São cegos a conduzir outros cegos»

Comentário ao Evangelho feito por Santo Agostinho (345-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja - Sermões sobre São João, nº 34

«São cegos a conduzir outros cegos»

«Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas» (Jo 8,12). De facto o Senhor ilumina aqueles que estão cegos. Nós, irmãos, somos iluminados, desde esta vida, pelo colírio da fé. O Senhor começou por misturar a sua saliva com terra para com ela ungir os olhos do cego de nascença (Jo 9,6). Também nós, filhos de Adão, somos cegos de nascença e precisamos que o Senhor nos ilumine. Ele mistura a sua saliva com terra: «E o Verbo fez-se homem, e veio habitar connosco» (Jo 1,14) [...].

Vê-lo-emos face a face. «Agora, diz o apóstolo Paulo, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face; agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido» (1 Cor 13,12). São João também diz na sua epístola: «Caríssimos, agora já somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é» (1 Jo 3,2). Eis a promessa que te é feita: se amas, segue-O, portanto.

Amo-O, dir-me-ás, mas por que caminho O seguir? [...] Perguntas pelo caminho que se deve tomar? Escuta o Salvador a dizer-te, logo: «Eu sou o Caminho». Onde vai dar este caminho? «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6) [...]. Não te é dito: esforça-te por procurar o caminho que conduz à verdade e à vida; não, não é isso que te é dito. Levanta-te, preguiçoso, o caminho em pessoa veio encontrar-te. Ele despertar-te-á do teu sono, se ouvires a sua voz a dizer-te: «Levanta-te e anda» (Mt 9,5).

quinta-feira, setembro 25, 2008

Simbolismo do Fogo

O fogo não fala aos animais mas, fala ao homem, e a linguagem que ele usa só o homem podia entendê-la.

Ante o fogo, o animal se espanta e foge, mas o homem espanta-se e aproxima-se. É que entre ele e o fogo, há alguma coisa que os irmana. Em todos os povos, o fogo é objeto de culto, e do culto mais profundo. É o homem o único ser que se apropria do fogo e o domina, sem dominá-lo. Misto de bem e de mal, o homem dirige-o apenas buscando-lhe o bem que ele oferece. E a lenda de Prometeu expressa bem a significação que o fogo tem, na formação do próprio homem. Os raios solares, fonte da vida, encontram no fogo algo que se lhes assemelha. A luz solar ilumina a terra e o fogo também ilumina, embora em grau menor.O fogo é assim o símbolo do sol, que é o símbolo do Ser Supremo.

Nos mitos hindus, Agni nasce do sol e do fogo e é, com fogo, que se lhe prestam culto.O fogo está ligado à vida, que é uma chama, que fermenta, cresce, até que finalmente se apaga. Mas a chama da vida brilha sempre, perdurando pelas cintilações das vidas individuais que surgem e perecem. Os pedaços de madeira trazem em si o gérmen do fogo, e graças ao atrito deixam-no surgir. É Agni que é despertado, é o filho celeste que surge, é a criança que nasce, depois desenvolve-se e multiplica-se em seus semelhantes, como o fogo que se multiplica sempre em fogo.

O culto do fogo encontramo-lo em todos os povos, nos lares, nas lareiras dos romanos, nas nossas noites de São João, em todos os rituais à volta do fogo, dos diversos povos.

É a chama mantida pelas vestais, a chama dos lares, que simboliza a família. E a casa em que o fogo morreu e se extinguiu, perdeu a sua potência, por isso ainda conservamos, sem bem compreender a sua significabilidade, o fogo aceso nas igrejas, as piras dos atletas, as velas acesas dos templos, como encontramos também as flamires dos romanos, a vesta, o fogo do Estado, cujas sacerdotizas, as vestais, amparavam e serviam.

0 facho ardente do renovador, do que traz a luz, do que aponta o amanhã, pois nas alvoradas crescem as chamas no horizonte, são símbolos universais. Todas as coisas são destruídas pelo fogo, e todas em fogo se transformam, eis a razão por que encontramos na arquê, princípio primordial de muitas doutrinas, o fogo, como o símbolo do principio fluídico, do poder que se oculta, da matéria, das energias eletrônicas da física moderna, princípio de todas as coisas corpóreas, manifestação ainda do poder supremo. É assim o fogo símbolo do princípio e do fim, onde as coisas principiam e onde as coisas terminarão, porque, nas lendas das diversas crenças, o universo se gerou do fogo e ao fogo retornará. O nosso mundo foi antes uma bola de fogo e a ela retornará. É o fogo também o símbolo do devir, o símbolo da heterogeneidade constante das coisas, mas também da homogeneidade, porque, como já mostrava Buda a seus discípulos, a chama é sempre vária e é sempre a mesma. Depois dela, quando ela se extingue, resta apenas nirvana. E para dar a vivência do Nirvana aos discípulos, ele a expressava através da simbólica da chama que se apaga. Nada mais restava da chama, era agora o outro, o negativo o nirvana, o ser sem determinações.

Encontramos (segundo L. von Schroeder) três classes do fogo sagrado nos povos indo-europeus: o fogo do sacrifício, o fogo da defesa, e o fogo do lar. Entre os hindus, Agni, o fogo do sacrifício, é também o mensageiro, que põe em comunicação os homens com a divindade e o sacerdote que faz a oferenda. Mas também torna-se o fogo do lar, o protetor dos rebanhos, e fogo de proteção e de esconjuro. O fogo vem de três origens: primeira da terra, das árvores (masculina, ficus religiosa; feminino, acotio Sama, que esfregados, um contra o outro, produzem o fogo); segunda do espaço, a nuvem da tempestade; terceira do céu, o sol.

Diz Geiger que o fogo, para os crentes de Mazda, é a elemento mais sagrado e puro, o resplendor de sua suprema divindade, de Ahura-Mazda. É o símbolo da pureza moral e um meio de repelir os demônios.

Em cada casa de família, existia um fogo conservado pelo chefe da família.

Nos gregos, L. von Schroeder cita Apolo como o deus originário da luz e do fogo, que era venerado numa labareda sobre um trípode e que servia para se fazerem os oráculos, como entre os persas. Também era considerado protetor do fogo do lar, da cidade, das colônias e também dos rebanhos.

Hefaístos, nos gregos, era o deus do fogo material e do fogo da forja. A Héstia, deusa do fogo, particularmente do lar, também protetora do fogo da cidade e do Estado, eram dadas oferendas, antes e após cada sacrifício.

Corresponde-lhe, nos romanos, o deus Vulcano, deus do fogo, da forja, do incêndio, do fogo destruidor, mas também da família, do Estado, do lar. Sobre a família e o Estada pela Vesta, servida pelas virgens vestais, as encarregadas do fogo sagrado, da cidade e do Estado.

Entre os germânicos, a figura misteriosa e dúplice de Loki, mais próxima a Vulcano do que a Agni-Apolo, por seu caráter vivo e astuto, apresenta uma nota especial, que Sophus Bugge, citado por Schmoeder, explica pela influência da figura cristã de Lúcifer.

Entre os eslavos, lituanos e letões, há noticias de fogos sagrados, não porém de verdadeiros deuses do fogo. "Na época primitiva dos árias, diz L. Von Schroeder, o culto do fogo do lar era diferente do culto do fogo como força da natureza e do deus masculino do fogo.

0 fogo do lar recebe seu culto por motivos sociais. É considerado como um ser de natureza superior, ao qual se oferecem também oferendas de alimentos, e o qual era conservado com respeito, e honrado com cerimônia, sobretudo nas festas de casamento, onde devia acender-se o fogo de um novo lar. O culto do fogo, como grande força elementar, parece, entretanto, que não é separável de o do sol, até tal ponto que as festas do sol e da vida eram ao mesmo tempo festas do fogo. O culto restante compreendia o sol e o fogo, e a cerimônia do novo fogo, mediante a fricção das madeiras, verificava-se especialmente nas festas dos solstícios."Frazer revela que no culto à Diana em Nemi, acendiam-se tochas nos bosques, onde a veneravam, e as estátuas de bronze representavam a deusa com uma tocha na mão direita levantada, e que as mulheres, cujas súplicas fossem escutadas por ela, iam ao santuário da deusa, levando tochas acesas. Diz Frazer que há analogia desse costume com o católico de levar velas à igreja em cumprimento de promessas.

Diana também se chamava Vesta, o que esclarece a conservação de um fogo sagrado e perpétuo no seu santuário. Na magia do fogo, vemos em algumas tribos o sacerdote não sair do templo, enquanto os guerreiros estão na guerra, porque dia e noite é preciso manter o fogo aceso, e se se deixar o fogo apagar, crêem que sobrevirá um grande malogro.

Não só nas tribos primitivas encontramos a influência que o fogo exerce. Diz-nos ainda Frazer em seu livro, que camponeses da Europa moderna, como por exemplo os camponeses franceses, acreditam que os sacerdotes possuem o poder de extinguir as chamas de um incêndio.

Um historiador árabe conta que havia uma tribo de nômades, os quais, para fazer cessar uma chuva, cortavam um ramo de certa árvore do deserto, prendiam-lhe fogo e, depois atiravam água no ramo e a fúria da chuva cessaria, da mesma maneira que a água, ao cair sobre o ramo ardente o apagava. Vamos encontrar também entre os lituanos a conservação de fogos perpétuos, feitos com lenha de certos carvalhos, em homenagem a um de seus deuses. Esse fogo era aceso com a fricção da madeira sagrada.

Flechas incendiárias eram atiradas em direção ao sol por ocasião de um eclipse, o que revela um desejo de domínio mágico do sol, contado por Frazer, entre tribos peruanas.Conta-nos Frazer que nos bosques de Cambogia "vivem dois soberanos conhecidos como o rei do fogo e o rei da água.

O rei do fogo é mais importante dos dois e seus poderes sobrenaturais nunca foram discutidos. Oficia nos casamentos, festas e sacrifícios em honra de Yan, o espírito, etc."O fogo também está presente nas festas, em toda a Europa, dos camponeses, que, em determinados dias do ano, acendem fogueiras e dançam à volta dele, ou saltam sobre fogueiras, como em nossas festas de São João. Também nas corridas pelos campos, com tochas acesas, por entre árvores frutíferas, para afugentar pragas. Há ainda a queima de bruxa, no meio de uma fogueira, que encontramos, com certa analogia, na queima do Judas.Há tribos árabes ou de línguas árabe que acendem as fogueiras e saltam, repetindo o salto sete vezes.

Além de julgarem o fogo purificador, também usam as cinzas das fogueiras como benéficas, e passam-nas pelo corpo e cabeça.

Pensam que ao saltar a fogueira livram-se de todas as suas desgraças. Em suma, encontra-se a simbólica do fogo em toda a Europa, em fogueiras acesas com madeiras especiais ou de qualquer outra, mas sempre o fogo tem o sentido purificador, e afugentador de desgraças, pragas nas plantações, maus espíritos, etc.

Pensa Frazer que a queima de bruxas talvez substitua o sacrifício de um ser humano ou animal em tempos remotos, quando um membro da comunidade era escolhido para ser o sacrificado.
Há ainda na simbólica, ademais, a significação do fogo como ato e a água como potência. O fogo divino é o ato puro, o ato do Ser Supremo que não tem qualquer hibridez. Este fogo, o fogo da nossa experiência, é assim o símbolo do fogo divino, eminentemente puro. Por purificar, o fogo da nossa experiência participa de um dos atributos da divindade e essa a razão principal porque o vemos presente em todas as crenças religiosas.

(Trecho do livro de Mario Ferreira dos Santos. Tratado de Simbólica. Editora LOGOS, 1956)

quarta-feira, setembro 24, 2008

A Majestade Suprema proclamada pelos pequeninos









Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia depois de Constantinopla, doutor da Igreja - 4ª homilia sobre a 1ª epístola aos Coríntios

«A tua majestade suprema é proclamada pela boca das crianças, dos pequeninos» (Sl 8,3)


A cruz conquistou os espíritos no meio de pregadores ignorantes, e isso no mundo inteiro. Não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o Evangelho, e do julgamento futuro.

A cruz transformou, pois, em filósofos, pessoas simples e iletradas. Eis como: «a loucura de Deus é mais sábia que o homem, e a sua fraqueza, mais forte» (1 Co 1,25). Como é que é mais forte? Porque se propaga pelo mundo inteiro, porque submeteu os homens ao seu poder e resiste aos inumeráveis adversários que gostariam de ver desaparecer o nome do Crucificado. Pelo contrário, esse nome desabrochou e propagou-se; os seus inimigos pereceram, desapareceram; os vivos que combatiam um morto foram reduzidos à impotência...

Com efeito, o que publicanos e pecadores conseguiram vencer pela graça de Deus, os filósofos, os oradores, os reis, em breve, a terra inteira, em toda a sua extensão, não foi sequer capaz de o imaginar...

Era pensando nisso que o apóstolo Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte que todos os homens». De outro modo, como teriam podido esses doze pecadores pobres e ignorantes imaginar uma tal empresa?

quinta-feira, setembro 11, 2008

Sede misericordiosos...

Comentário ao Evangelho do dia feito por S. Máximo, o Confessor (c. 580-662), monge e teólogo Centúria 1 sobre o amor, Filocalia

"Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso"

Não te prendas às suspeitas nem às pessoas que te levam a escandalizares-te com certas coisas. Porque aqueles que, de uma forma ou de outra, se escandalizam com as coisas que lhes acontecem, quer as tenham querido quer não, ignoram o caminho da paz que, pelo amor, leva ao conhecimento de Deus os que dela se enamoram.

Não tem ainda o perfeito amor aquele que é ainda afectado pelo temperamento dos outros, que, por exemplo, ama uns e detesta outros ou que umas vezes ama e outras detesta a mesma pessoa pelas mesmas razões. O perfeito amor não despedaça a única e mesma natureza dos homens só porque eles têm temperamentos diferentes mas, tendo em consideração essa natureza, ama de igual forma todos os homens. Ama os virtuosos como amigos e os maus, embora sejam inimigos, fazendo-lhes bem, suportando-os com paciência, aceitando o que vem deles, não tomando em consideração a malícia, chegando mesmo a sofrer por eles se se oferecer uma ocasião. Assim, fará deles amigos, se tal for possível. Pelo menos, será fiel a si mesmo; mostra sempre os seus frutos a todos os homens, de igual modo. O Nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, mostrando o amor que tem por nós, sofreu pela humanidade inteira e deu a esperança da ressurreição a todos de igual forma, embora cada um, com as suas obras, atraia sobre si a glória ou o castigo.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Dez datas chaves da História da Igreja e da civilização

A professora Julia Duin, especialista em história medieval do Northern Virginia Community College (EUA), deplora que os católicos estejam esquecidos de sua história e da importância do catolicismo na História Universal.

“A história católica é a história da civilização ocidental”, escreveu ela no diário Washington Times. “Os católicos não apreciam a herança de sua fé e não tem noção do que está sendo perdido. Ainda mais, sabem pouco das heresias e do Islã”.Por isso ela propõe as “Dez datas que todo católico deve conhecer”. Eis elas:

1) 313: Edito de Milão acaba com as perseguições aos cristãos;
2) 452: S. Leão Papa salva Roma dos hunos;
3) 496: batismo de Clovis, rei da França;
4) 800: sagração de Carlos Magno imperador da Cristandade;
5) 910: fundação do mosteiro de Cluny;
6) 1000: novo impulso do cristianismo na Europa;
7) 1517: Lutero inicia a revolta em Wittenberg;
8) 1571: católicos derrotam muçulmanos em Lepanto;
9) 1789: Revolução Francesa ataca a Igreja Católica;
10) 1917: revolução comunista e aparição de Fátima.

Para a professora o auge do catolicismo deu-se na civilização medieval. O período preferido dela é o século XIII porque foi “o maior de todos os séculos” e porque foi a época em que a Igreja Católica estava no seu melhor nível.

“A civilização medieval foi grande porque estava centrada em Deus, era Cristocentrica”, explicou, “a Igreja modelava todas as instituições. Ela era a campeã dos direitos dos servos e dos pobres”.

“Foi o século mais criativo, o período de criatividade mais concentrado desde o século V a. C. [N.R.: século de grandes filósofos gregos como Sócrates e Platão].

“Nesse século, São Tomás de Aquino ensinava a Filosofia, aproveitando as recentes traduções de Aristóteles para o latim. O alto estilo gótico florescia e era o mais recente estilo arquitetônico criado em 700 anos”.

Santos como São Francisco, São Boaventura, Santa Isabel de Hungria, São Luis rei da França iluminavam os horizontes.

Para a professora Duin, o século XIV trouxe uma série de desastres que começaram com a peste negra por volta de 1340 e que fez morrer um terço da população européia.

Outras desgraças foram a Guerra dos Cem Anos iniciada em 1337, e o Grande Cisma de Ocidente que instalou anti-papas em Avignon, França.

“Hoje, concluiu, os estudantes não tem senso do tempo nem das datas. Os rapazes se perguntam se Napoleão veio antes ou depois de Colombo. Não podemos cair tão baixo, se queremos ter estudantes brilhantes a nível colegial”.


Extraído do site “Glória da Idade Média”.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Perseguição aos cristãos na Índia







Em um momento como este que estamos vivendo, quando cristãos estão sendo perseguidos e martirizados na Índia, é muito bom ler algo como isto:


"Felizes os que são perseguidos por amor da justiça" (Mt 5,10) A morte de Cristo está na origem de uma multidão incontável de crentes. Pelo poder desse mesmo Jesus e graças à sua bondade, a morte preciosa dos seus mártires e dos seus santos fez nascer uma grande multidão de cristãos. Com efeito, nunca a religião cristã pôde ser aniquilada pela perseguição dos tiranos nem pelo assassinato injustificácel de inocentes: pelo contrário, sempre tirou disso grande fonte de crescimento.

Temos um exemplo em S. João, que baptizou Cristo e cujo santo martírio hoje festejamos. Herodes, esse rei infiel, quis, por fidelidade ao seu juramento, apagar completamente da memória dos homens a lembrança de João. Ora não só João não foi aniquilado como milhares de homens, inflamados pelo seu exemplo, acolheram a morte com alegria por amor da justiça e da verdade... Que cristão, digno desse nome, não venera hoje João, aquele que baptizou o Senhor? Em toda a parte do mundo, os cristãos celebram a sua memória, todas as gerações o proclamam bem-aventurado e as sua virtudes enchem a Igreja de perfume. João não viveu só para si e não morreu só para si.


Texto de Lansperge, o Cartuxo (1489-1539), religioso, teólogo. Sermão para a Degolação de S. João Baptista, Opera Omnia, t.2, p. 514s

segunda-feira, agosto 25, 2008

São Luís IX, Rei da França e Confessor




25 de Agosto, dia de São Luís IX, Rei da França e Confessor (+ Tunísia, 1270)

Embora o calendário litúrgico registre considerável número de monarcas santos, talvez nenhum deles tenha realizado de modo tão completo a imagem ideal de Rei cristão quanto São Luís IX. Herdou a coroa com 12 anos, assumindo a regência sua mãe D. Branca de Castela, dama de excepcionais virtudes. Dizia ela ao filho que preferia mil vezes vê-lo morto a vê-lo manchado por um pecado mortal. Fiel aos ensinamentos maternos, São Luís foi sempre homem de muita oração e piedade. Era modelo de governante, de guerreiro e de legislador.

Considerava um dos principais deveres do monarca fazer justiça aos súditos, e por isso costumava sentar-se todos os dias à sombra de um carvalho, e ali atendia a todos os queixosos que se apresentassem, qualquer que fosse a condição social deles. Realizou duas Cruzadas para libertar a Terra Santa da opressão maometana, e morreu durante a segunda delas, vitimado pela peste.

Tão grande era seu prestígio moral que, tendo caído prisioneiro dos maometanos, estes o tomavam como juiz para resolver pendências que tinham entre si. Mandou construir em Paris a "Sainte Chapelle", um dos mais belos monumentos da arquitetura medieval, para guardar a Coroa de espinhos de Nosso Senhor.

Foi casado com Margarida daProvença, da qual teve onze filhos. Em 1864, o Príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, que trazia em suas veias o sangue de seu antepassado São Luís, casou com a Princesa Isabel, filha do Imperador D. Pedro II e herdeira do trono do Brasil. Em conseqüência desse casamento, a Família Imperial do Brasil tem a glória de descender, por linha direta, varonil e legítima, do grande rei cruzado.

Clique aqui para ler a história completa deste admirável santo.

sexta-feira, agosto 22, 2008

E TODAS AS GERAÇÕES ME PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA!

Por Evelyn Mayer de Almeida

"E então Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão Bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo!" (Lc 1,46-49).


Este cântico mariano é conhecidíssimo entre os cristãos. Em todas as Bíblias têm e todos deveriam saber muito bem o que ele quer dizer.

Como todos sabem (cristãos e não cristãos), Maria foi escolhida para ser a Mãe do Salvador. Deus, em sua infinita bondade, criou tudo por amor e deu ao homem para que administrasse, mas este preferiu voltar-se contra Deus. Não foi a única 'espécie' que se voltou contra Ele. Também os Anjos, criaturas perfeitas e criadas por amor, voltaram-se contra o seu Senhor (é verdade que não todos, mas uma terça parte liderada por Lúcifer). O pecado encontrou espaço no mundo e Deus viu que seus filhos amados se afastavam Dele a cada dia mais e mais. Diante disto, prometeu a seu povo que não os deixaria viver em vão. No auge do Seu amor sublime, sonhou, idealizou e criou uma mulher que pudesse receber em seu ventre imaculado o Ser mais puro, mais Sublime, o Verbo de Deus, a Salvação Eterna: Jesus Cristo. Não poderia ser qualquer mulher (como alguns "cristãos" afirmam), mas A mulher.

Já no começo do Evangelho de São Lucas lemos que o Arcanjo Gabriel anunciou à Virgem a Encarnação; só que este anúncio não foi de qualquer jeito; Ele a saudou como a "Cheia de graça" (cf. 1, 28-38), e em seguida afirmou que Deus era com Ela, pois ela havia encontrado diante Dele graça. Deus se alegrou com Maria que não O decepcionou; ao contrário, colocou-se a serviço do seu Senhor, assumindo todos os riscos que sua decisão acarretaria. Tornou-se então Maria, naquele momento, a Filha, a Mãe e a Esposa da Trindade Santa.

O Arcanjo também contou a Maria nesta ocasião que sua prima Izabel estava grávida. Aquilo era um milagre, já que ela era tida como estéril (cf. Lc 1,36). Às pressas pôs-se a Mãe de Deus a serviço. Juntou suas coisas e foi cuidar de Izabel que já estava no sexto mês de gestação e ficou com ela o tempo necessário para seus cuidados. Chegando à casa de Zacarias, quando Izabel avistou Maria, João Batista, seu filho, último profeta antes de Cristo, nosso Senhor e Salvador, estremeceu no ventre de sua mãe a ponto de Izabel exclamá-la como a mais Bendita entre todas as mulheres. Diante da graça de Deus contida em Maria (porque Deus assim quis e fez) Izabel se humilha e reconhece as maravilhas do Senhor. Logo Nossa Senhora responde humildemente que o mérito não é dela, mas de Deus. Isto fica claro no famoso cântico "Magnificat" (leia Lc 1, 46-55).

Ora, podemos concluir que Deus, em seu infinito amor, deu-nos novamente a chance de vivermos uma vida plena. As portas do Céu foram abertas por Maria para que a Salvação chegasse a nós! Gosto muito da afirmação de São Luís Maria Montfort em seu livro "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem" quando diz: "Deus juntou todas as águas e fez o mar; juntou todas as graças e fez Maria." Estupendo!

E Jesus veio, viveu, proclamou ao mundo a Verdade, morreu numa Cruz para nos salvar do pecado, ressuscitou, prometeu que voltará para nos buscar, e mesmo assim o mundo continua indiferente a tudo isso. Não somente indiferente a Jesus, mas também com tudo o que seja Seu (e é claro que o homem está contido nisto também).

As formas de indiferença àquilo que é Divino são demonstradas a cada segundo para nós: luta pelo aborto, pelas pesquisas com células-tronco embrionárias, eutanásia, apelo à pornografia, à uma cultura de sexo depravado, à destruição dos lares, dos valores, da moral e da ética, à desvalorização do ser humano, à idolatria da natureza, do corpo, dos bichos, do dinheiro, dos bens materiais e de todo o tipo... Enfim, tantos absurdos colocados como "razão de ser" do homem do novo século. É a modernidade nada moderna cooperando para o seu mal próprio. Transmitem-nos isto de uma forma muito disfarçada, propondo de modo sujo que engulamos essas bizarrices como verdades supremas. E se alguém não aceitar, simples: exclua do grupo e culpe a retrógrada Igreja, pedra no sapato das "mentes livres".

Uma boa desculpa que se criaram para culpar a Santa Igreja foi dizer que o Estado é Laico, separado da Igreja, e, portanto esta não tem o direito a opinar em nada que seja referente a este. Só que não é esse o sentido primário da Doutrina Filosófica Laicista. O Laicismo (ou Secularismo) foi criado no intuito de separar o Estado da Igreja, permitindo que cada ser humano siga sua própria consciência. O Estado, por sua vez, teria uma posição neutra aos assuntos religiosos, zelando pela igualdade entre os cidadãos – em matéria religiosa –, permitindo que cada um professe sua fé livremente. Logo, o significado de laico não é ateu, mas separado. E esta doutrina insiste que todos têm o direito à liberdade de consciência (e aí eles "forçam a amizade" alegando que a Igreja oprime com seus dogmas, justo ela que tanto cooperou para o crescimento cultural e filosófico da civilização. Afirmam sem nexo algum que ela interferiu negativamente na idade média na política e nas Universidades e que por isto era urgente a necessidade de tal separação) e a liberdade de expressão, sendo todos iguais perante a Lei do Estado.

Claro que o Laicismo só é verdade no papel. Platão também idealizou uma sociedade politicamente perfeita que só ficou no papel. E nesta sociedade insana, o que vemos não é o respeito ao pensamento religioso, mas a saga pela sua extinção. Ou seja: aquela máxima de priorizar a liberdade de consciência e expressão só se limitou a quem está contra a Igreja. Todo o que se coloca a favor dela e/ou concorde com o que a mesma diz é um insano e deve ser linchado.

Pergunto-me que liberdade é esta que este Estado propõe, alegando surgir do autoritarismo eclesial, se ele mesmo está agindo conforme atesta a Igreja agir? Não é imaturo pensar, por exemplo, que por meu pai bater mim eu tenho que nele bater e assim alcanço minha liberdade? Ora, se a Igreja oprimiu, o Estado está oprimindo com este ideal ridículo. O Estado está usando a Igreja como "Judas em sábado de Aleluia" pra colocar nela os 'defeitos' que são deles.

Mas como a alegria de muitos é apenas opor-se à Igreja, surgiu por estes dias a mais nova moda: decretar o dia da Padroeira do Brail como um dia apenas para católicos! Isso mesmo. O ex-Deputado e Professor Victorio Galli criou um projeto de Lei (2623/07) onde retira o título de Nossa Senhora como Padroeira do Brasil. Sua tese para isto? "O País, por ser um Estado laico, não deve ter este ou aquele padroeiro". Certamente este Professor não sabe o que quer dizer Estado Laico. A Doutrina Filosófica diz que sobre os assuntos religiosos o Estado deve manter-se neutro, sem interferir-se (talvez porque na cabeça deles há o desejo louco de 'ensinar' a Igreja a não se meter também nos assuntos do Estado). Só que esta Lei é tão arbitrária e opressora que parte de uma mente presa ao preconceito religioso, uma atitude anti-católica e uma postura repressora onde não prima em momento algum pela liberdade, seja em que sentido entende-se isso. Como pode o Estado acusar a Igreja de opressora depois de pensar criar uma Lei grotesca como esta?

O autor do projeto confessa que alguns não católicos posicionaram-se a favor desta Lei (os protestantes). Engraçado ver os "evangélicos" (título dado por eles mesmos, assim como todos os outros títulos que eles mesmos se dão pautado em seu próprio "achismo" teologal) colocarem-se contra o Evangelho. Sim! Apoiando esta Lei, colocam-se contra o Evangelho. Por quê? Ora, a própria Virgem foi exaltada como a Bem-aventurada, e não só por sua Prima Izabel, mas pelo próprio Deus! Foi o Senhor quem a escolheu e quem a fez Bendita sobre todas as mulheres e em todas as gerações. Com que direito arbitrário podem então estes irmãos que se gabam de seguir plenamente as Escrituras passarem por cima desta verdade, opondo-se frontalmente à vontade Divina inspirada no cântico do Magnificat? Ah tá, talvez eles pensem que porque foi Maria quem o cantou, não é digno de mérito (mal sabem eles que Ela cantou do que o seu coração estava cheio. E não só seu coração, mas em seu ventre!).

Vale lembrar que o Professor é nada mais, nada menos, que um pastor da Assembléia de Deus e que também quis criar uma lei para "O dia do Evangélico". Pah! Então no Estado Laico não podemos ter uma Santa como Padroeira, mas vale criar o dia do Evangélico? Já pensou se a moda pega?

E daí que o Estado é Laico? Por causa disso não pode então ter uma Padroeira? Qual o mal em ter este Estado uma Padroeira? Já foi dito que ser laico não é ser ateu. Não sou eu quem digo, mas o próprio pensamento filosófico.

E Nossa Senhora só quer cooperar com a humanidade... Vejam vocês: quando o Papa João Paulo II consagrou a Alemanha ao Imaculado Coração de Maria (nação esta que sofria pelo comunismo) houve a queda do muro de Berlim. Ter uma nação consagrada a Nossa Senhora é estar certo de que ela nos indicará o caminho Àquele que é, que foi e sempre será. É ouvir sempre sua doce voz nos ensinando: "Fazei o que Ele vos disser!"

Com tanta coisa pra solucionar neste Brasil corrupto, de pouca renda, com uma educação de péssima qualidade, com tantas famílias sem o mínimo de condição pra viver, a gente tem que ler uma notícias desta? Faça-me o favor...

Matéria sobre a Lei 2623/07 disponível em http://www.clicnews.com.br/politica/view.htm?id=72961

Para citar este artigo:
ALMEIDA, Evelyn Mayer de. Apostolado Veritatis Splendor: E TODAS AS GERAÇÕES ME PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA!. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5065. Desde 8/18/2008.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Tal qual Narciso


Há algum tempo atrás reli um texto do Professor de Filosofia Luiz Felipe Pondé, da USP, muito bom. Baseada neste artigo escrevi este post.


Enquanto o homem escolher estar no Caminho Dele, que Ele enviou como Seu Filho mesmo à terra, então há esperança de realizar no homem aquilo que Deus viu se realizar no humano Jesus. Porque Jesus foi o ser humano perfeito, o modelo de humanidade mesmo para cada um de nós e ao mesmo tempo é Deus. Isso tão fascinante, que me pergunto como é que não vi isso antes!

Eu não sei se em algum momento vivi essa “espiritualidade agônica” da qual fala o Pondé. Mas desde que me voltei para a Igreja passei a pensar em várias coisas nas quais não pensava antes. E dia desses me peguei pensando que só estou viva, só existo porque sou sustentada por Deus. Eu poderia cair no aniquilamento se Ele não me sustentasse. E pode acontecer também que eu fique separada Dele (no inferno). Isso é assustador! Muito! Pensando nisso me admiro em ver as pessoas vivendo como se nada tivesse tanta importância quanto seu jogo de futebol ou o vestido novo. Me admiro cada vez mais de ver que as pessoas à minha volta, a maioria, não pára mesmo para pensar no transcendente, no sentido da vida (ao menos é isso o que aparentam). Não é que eu não goste de diversão ou vestidos. É que não coloco isso em primeiro plano. É como foi colocado no texto, o ser humano fica “alienado do Bem” porque deseja o que não pode nunca lhe dar o verdadeiro conforto. Não repousa porque busca as coisas efêmeras. Só podemos repousar em Deus e enquanto isso não acontece vivemos sentindo falta, muita falta Dele, mesmo que não saibamos disso.

Pondé vê a cultura do bem-estar como narcísica e tem razão. Essa cultura é tão forte que causa estranheza que alguém queira se privar de doces na quaresma ou que não queira faltar a nenhuma missa de domingo. Pois hoje o que vale é sugar da vida até a última gota, como se nada mais tivesse sentido. Somente que a vida para estas pessoas é aquilo que há de mais mundano, vulgar até. Logo a gente vê que não há lugar aí para o cristianismo autêntico – digo isso porque há por aí um pastiche de cristianismo, com musiquinhas piegas, rock’n’roll na missa e pregações pseudo-sociais de cunho marxista entre outras barbaridades.

Há uma frase fantástica no texto dele: “o narcisismo só pode ser vivido como desespero da consciência mergulhada na própria miséria”.

Calculem então o tamanho da miséria na qual estamos mergulhados atualmente. Pois nunca vi sociedade mais narcísica do que a nossa.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Cada qual segundo suas capacidades


Comentário ao Evangelho feito por Orígenes (cerca 185-253), padre e teólogo. Catequeses sobre o livro do Génesis 1,7

«Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os só a eles a um monte elevado» (Mc 9,2):

S. Tiago, testemunha da luz Nem todos os que contemplam Cristo são igualmente iluminados por ele, mas cada um na medida que pode receber a luz. Os olhos do nosso corpo não são igualmente iluminados pelo sol; quanto mais subimos a lugares elevados, quanto mais alto contemplamos o nascer do sol, melhor nos apercebemos da luz e do calor.

Igualmente o nosso espírito, quanto mais subir e se elevar para perto de Cristo, mais próximo se lhe oferecerá a luz da sua claridade, mais magnificamente e mais brilhantemente será alumiado pela sua luz. O Senhor disse de si próprio pelo profeta: «Aproximai-vos de mim, e eu me aproximarei de vós» (Zac 1,3) ...

Portanto não vamos todos a ele do mesmo modo, mas cada qual «segundo as suas próprias capacidades» (Mt 25,15). Se é com as multidões que vamos a ele, ele alimenta-nos em parábolas para que não enfraqueçamos de privação no caminho. (Mc 8,3). Se permanecemos a seus pés sem cessar, preocupando-nos apenas em ouvir a sua palavra, sem nunca nos deixarmos perturbar pelos múltiplos cuidados das obrigações (Lc 10,38s) ...; sem dúvida alguma que aqueles que se aproximam assim dele recebem muito mais a sua luz. Mas se, como os apóstolos, sem nunca nos afastarmos, «permanecemos constantemente com ele em todas as suas provações» (Lc 22,28), então ele explica-nos em segredo o que disse às multidões, e é ainda com mais claridade que nos ilumina (Mt 13,11s).

Enfim, se ele acha alguém capaz de subir com ele à montanha, como Pedro, Tiago e João, esse não é iluminado somente pela luz de Cristo, mas pela voz do próprio Pai.

sexta-feira, agosto 15, 2008

"Exalta os humildes"

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Ticiano "Assunção da Virgem Maria"

Comentário ao Evangelho feito por S. Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo leigo grego Homilia sobre a Dormição da Mãe de Deus.

"Exalta os humildes"

Era preciso que a Virgem fosse associada a seu Filho em tudo o que respeita à nossa salvação. Tal como ela o fez partilhar a sua carne e o seu sangue..., assim ela tomou parte em todos os seus sofrimentos e em todas as suas dores... Foi ela quem primeiro se tornou conforme à morte do Salvador por uma morte semelhante à dele (Rm 6,5). Foi por isso que, antes de qualquer outro, ela participou da ressurreição. Com efeito, depois de o Filho ter quebrado a tirania do inferno, ela teve a felicidade de o ver ressuscitado e de receber a sua saudação e de o acompanhar tanto quanto pôde até à sua partida para o céu. Depois da ascensão, ela tomou o lugar que o Salvador tinha deixado livre entre os apóstolos e os outros discípulos... Não convinha isso a uma mãe, mais do que a qualquer outra pessoa?

Mas era preciso que aquela alma santíssima se separasse daquele corpo sacratíssimo. Deixou-o e uniu-se à alma de seu Filho, ela que era uma luz criada uniu-se à luz que não teve princípio. E o seu corpo, depois de ter ficado algum tempo debaixo da terra, também ele foi levado ao céu. Era preciso, com efeito, que ele passasse por todos os caminhos que o Salvador tinha percorrido, que resplandecesse para os vivos e para os mortos, que santificasse a natureza em todos os aspectos e que, em seguida, recebesse o lugar que lhe convinha. Por isso, o túmulo o abrigou durante algum tempo; depois, o céu acolheu aquela terra nova, aquele corpo espiritual, mais digno do que os anjos, mais santo do que os arcanjos. E o trono foi entregue ao rei, o paraiso à árvore da vida, o mundo à luz, a árvore ao seu fruto, a Mãe ao Filho; ela era perfeitamente digna pois que ela o tinha gerado.

Ó bem-aventurada! Quem encontrará as palavras capazes de exprimir os benefícios que recebeste do Senhor e os que prodigalizaste a toda a humanidade?... Só lá em cima podem resplandecer as tuas maravilhas, nesse "novo céu" e nessa "nova terra" (Ap 21,1), onde brilha o Sol da Justiça (Ma 3,20) que as trevam nem seguem nem precedem. O próprio Senhor proclama as tuas maravilhas, enquanto os anjos te aclamam.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Quer saber mais sobre Idade Média?

Se você quiser saber mais sobre Idade Média, não espere encontrar nada de verídico ou ao menos substancioso nos livros do MEC.

Muitos autores tendenciosos, ao escreverem sobre essa era histórica, tem como alvo atacar a Igreja; e para tal, não pensam duas vezes em deturpar fatos ... ou inventar outros.

Para se ter uma idéia do que foi essa verdadeira era de luzes, não deixe de visitar os seguintes blogs:


Glória da Idade Média
As Cruzadas
Castelos Medievais
Catedrais Medievais


Para comentar este artigo, acesse o blog fonte:

quarta-feira, agosto 13, 2008

Simbolismo do Sol



Em todos os ciclos culturais surge o sol como símbolo mais constante da divindade. Aqueles que buscam uma explicação naturalista das religiões, em suas especulações, prendem-se, sobretudo, ao temor que causa ao homem primitivo os longos crepúsculos vespertinos, que antecedem as noites, como também a imensa satisfação do amanhecer, em que o sol ergue-se outra vez no horizonte.

Percorre o sol, durante o dia, diversas fases, a de ascensão e a de declínio. A noite penetra pelos abismos do mundo e vencendo todas as oposições, renasce outra vez, para outra vez realizar o mesmo ciclo.

Oferecia o sol o exemplo do herói em suas lutas constantes, mas vitorioso cada vez e cada vez vencido, numa luta eterna, com fluxos e refluxos, vitórias, derrotas e ressurreições.Esta pujança do sol seria para o homem primitivo o exemplo do extraordinário poder que ele possui, símbolo do máximo poder e, conseqüentemente, do poder supremo.

Não há que negar o aspecto positivo desta concepção naturalista. Realmente o sol é, em todas as culturas, o deus-herói, que conhece as vicissitudes, inclusive o holocausto, para ressurgir afinal, outra vez, vitorioso.

Encontramos esse símbolo na grande festa de Natal, da luz que cresce, crescite lux. É o sol invictos dos romanos, Apolo, o Helios dos gregos, Amon e Aton dos egípcios, que serviu de símbolo mais vivo na religião de Akenaton, no Novo Império Egípcio, há treze séculos antes de Cristo. No cristianismo, encontramos em S. Francisco estas palavras poéticas:

"Louvado sejas Tu, Senhor, com todas as tuas criaturas, principalmente o senhor Sol, meu irmão, que nos traz o dia e por meio do qual Tu iluminas; é belo e resplandece com o grande brilho de Ti, ó Altíssimo, ele traz a tua imagem. Louvado sejas Tu, Senhor, pela minha irmã Lua, e pelas estrelas, Tu as formastes no céu, luminosas, preciosas e belas."

Esta fraternidade cósmica entre os homens e as coisas do mundo é uma exaltação às participações que todas coisas, têm com as perfeições divinas. Toda a literatura clássica está cheia de hinos ao sol, e é ele sempre o símbolo da iluminação, da beatitude, da vitória do bem, etc.

Fonte da vida e de toda a ordem do nosso sistema solar, é o sol uma presença indireta da divindade junto a nós, daí o seu culto estar presente em todo o orbe, com as naturais variâncias dos diversos ciclos culturais.

Ao sol erguem-se Templos, como também as mais esperançosas orações humanas. A sua face resplandecente cega-nos, e se podemos sentir o benefício dos seus raios, não podemos vê-lo face a face, porque nos cega. Também face a face, nós criaturas finitas, não podemos ver a divindade, cuja luz resplandecente também nos cegaria.

Encontra-se assim, no sol, uma série de perfeições que uma, análise analógica, logo nos mostraria a significação simbólica, bem como a justificação do que exotèricamente estabelecem inúmeras religiões. (NA: No livro do prof. Anibal Vaz de Mello "O Evangelho à Luz da Astrologia" encontramos um estudo sobre os mitos solares nas diversas religiões, para onde remetemos o leitor desejoso de conhecer as particularidades das diversas crenças, bem como os pontos de encontro, tão bem evidenciados nessa obra.)

(Trecho do livro de Mário Ferreira dos Santos: Tratado de Simbólica. Editora LOGOS, 1956)

terça-feira, agosto 12, 2008

Veneração de imagens pelos cristãos primitivos


Os apóstolos veneravam a imagem da Virgem Maria nas catacumbas de Roma, onde eles celebravam ocultamente:

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Veja como os primeiros cristãos veneram as sagradas imagens:

"Uma vez que evoquei a lembrança desta cidade [Paneas], não considero justo omitir uma narrativa digna de memória até para os pósteros. Com efeito, diz-se ter sido oriunda deste lugar a hemorroíssa que, conforme narram os santos evangelhos encontrou junto do Senhor a cura de seus males(cf. Mt 9,20ss; Mc 5,25; Lc 8,43). Mostra-se na cidade sua casa, e subsistem admiráveis monumentos da beneficência do Salvador para com ela.

Com efeito, sobre um rochedo elevado, diante das portas da casa, ergue-se uma estátua feminina de bronze. Ela tem os joelhos dobrados, as mãos estendidas para a frente, em atitude suplicante. Diante dela há outra estátua da mesma matéria, representando um homem de pé, sobre uma coluna, parece brotar uma planta estranha que se eleva até as franjas do manto de bronze; é o antídoto de doenças de toda espécie.

Assegurava-se que a estátua é imagem de Jesus; ela subsiste ainda até hoje, de sorte que nós a vimos ao visitarmos a cidade" (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,1-3. 375 DC)

"Não é de admirar que outrora pagãos beneficiados por nosso Salvador, a tenham erguido [a imagem do relato anterior], quando sabemos terem sido preservados ícones pintados em cores dos apóstolos Pedro e Paulo e do próprio Cristo. É natural, pois os antigos, segundo um uso pagão entre eles observado, tinham o costume de honrá-los desta maneira sem preconceitos, quais salvadores." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,4. 375 DC)

"Igualmente o trono de Tiago, o primeiro a receber do Salvador e dos apóstolos o episcopado da Igreja de Jerusalém e freqüentemente nas Escrituras é designado como irmão de Cristo (Gl 1,19; 1Cor 15,7; Mt 13,55), foi conservado até hoje e os irmãos da região sucessivamente o cercaram de cuidados. Deste modo realmente demonstram a todos a veneração que os homens de outrora e os atuais dedicavam e ainda dedicam aos homens santos, porque amados de Deus. Eis o referente a esta questão." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,19. 375 DC).

Fonte: Dicionário da Fé

Mais imagens aqui.

sexta-feira, agosto 01, 2008

A Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental








Reproduzo aqui o texto escrito pelo Lord Tupiniquim sobre as impressões dele ao ler o livro How the Catholic Church built Western Civilization de Thomas E. Woods Jr, Ph.D. Os grifos são meus.

Acabo de concluir a leitura do livro How the Catholic Churc built Western Civilization de Thomas E. Woods Jr. Livro de leitura simples, rápida e agradável, no entanto, revelador de verdades que foram "esquecidas", ou seria melhor dizer, deliberadamente apagadas da memória dos contemporâneos.

Seleciono algumas verdades que foram e são sonegadas: o moderno pensamento econômico da Escola Austríaca (teoria subjetiva na formação dos preços) foi pela primeira vez formulada por pensadores escolásticos. A lei da inécia de Newton já está in potentia na obra dos pensadores cristãos. O apoio que a Igreja Católica deu à ciência durante séculos e séculos - que vai desde a construção das universidades ao apoio financeiro aos cientistas - quer sejam eles clérigos ou não. O número expressivo de clérigos cientistas em todas as áreas do conhecimento humano. A preservação do legado cultural do Ocidente durante a fase terrível após a queda do Império Romano por meio dos mosteiros - claro, houve também neste particular contribuição decisiva dos muçulmanos.

Além disso, a tese - que parecerá fantástica e pouco crível- mas inteiramente coerente com as fontes históricas é que o pensamento cristão - ao contrário das outras tradições sapienciais do mundo - favorece e FAVORECEU o surgimento da ciência moderna - o que explica o seu aparecimento e cultivo na Europa, onde o domínio cultural da Igreja Católica foi absoluto durante séculos. O fato principal é que a metafísica cristã propugna que o mundo natural é cosmos, é ordem, é inteligível. Além disso, a mensagem cristã dessacraliza radicalmente o cosmos (todo o universo físico), ao enfatizar que só Deus é transcendente. E Mais. O homem é o ápice da criação e dotado de razão, o dom maior dado por Deus a ele. Tal concepção do mundo permitiu aos cristãos e somente a eles investigar, de maneira inédita, com as poderosas armas da razão, o mundo circundante, tratando-o como matéria de investigação e não objeto de temor revencial, que o cristão só deve a Deus. Assim, a conclusão fantástica: o desencantamento do mundo que Weber coloca como fato da Idade Moderna, em especial após o Iluminismo, é na verdade, a própria metafísica cristã. O mundo já estava desencatado desde a pregação de Cristo - só os propagandistas querem que acreditemos que foi conquista da razão contra a Igreja Católica. Pelo contrário, foi conquista da razão em virtude da metafísica cristã e de sua defesa pela Igreja Católica durante séculos a fio.

Um outro fato paralelo e crucial: os escolásticos são retratados como pensadores de pouco importância teórica a repetir servilmente as verdades arisotélicas. Nada mais falso. A física aristotélica depois da síntese tomista foi rejeitada pela Igreja católica em 1277. O que poderia parecer um "erro" aos olhos modernos, visto que a Igreja Católica estaria censurando a livre circulação do pensamento de Aristóteles representou na verdade um ganho a longo prazo, visto que libertou os pensadores cristãos dos equívocos da física aristotélica dando início à livre investigação do mundo físico - o que a metafísica cristã já autorizava. Em suma: o livro é um tesouro precioso para quem quer saber a verdade sobre nós, sobre a civilização ocidental.

quinta-feira, julho 31, 2008

Pensamentos de São João da Cruz

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Para chegares a saborear tudo,
não queiras ter gosto em coisa alguma.
Para chegares a possuir tudo,
não queiras possuir coisa alguma.
Para chegares a ser tudo,
não queiras ser coisa alguma.
Para chegares a saber tudo,
não queiras saber coisa alguma.
Para chegares ao que não gostas,
hás de ir por onde não gostas.
Para chegares ao que não sabes,
hás de ir por onde não sabes.
Para vires ao que não possuis,
hás de ir por onde não possuis.
Para chegares ao que não és,
hás de ir por onde não és.

Modo de não impedir o tudo:
Quando reparas em alguma coisa,
deixas de arrojar-te ao tudo.
Porque para vir de todo ao tudo,
hás de negar-te de todo em tudo.
E quando vieres a tudo ter,
hás de tê-lo sem nada querer.
Porque se queres ter alguma coisa em tudo,
não tens puramente em Deus teu tesouro.


Extraídos do livro “O Amor não cansa nem se cansa”, seleção de textos feita por Frei Patrício Scidiani, ocd, Editora Paulus, 2a. ed.

quarta-feira, julho 30, 2008

Hildegard de Bingen antecipa Leonardo da Vinci


Trecho extraído do artigo "Olhando para as estrelas, a fronteira imaginária final", de Ricardo Costa.

“Certamente o homem medieval possuía todas essas capacidades sensitivas e talvez mais, pois tinha em si um sentimento profundo de pertencer ao universo, de fazer parte de algo transcendente, de integrar e estar unido a todo o espaço imaginado, visível e invisível. A teia de reciprocidades tão característica da sociedade dita feudal ultrapassava e muito o mundo material, mundo considerado das aparências.

Ao contrário dos homens de hoje e do homem do tempo de Bilac – que considera tresloucado aquele que ouve e entende as estrelas porque ama – o homem medieval tinha esse amor em si quando contemplava o cosmo, quando dirigia seus olhos para as estrelas. Pois ele não era mesmo um microcosmo do universo? Para a visionária Hildegard de Bingen (c.1098-1179) sim: antecipando Leonardo da Vinci em quatro séculos, para a monja, o homem ocupava – e legitimamente – o centro do mundo, no centro de uma série de círculos maravilhosos:

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Hildegard descreve a visão desta figura:

"No centro do peito da figura que eu havia contemplado no seio dos espaços aéreos do Sul, eis que surgiu um roda de maravilhosa aparência. Continha os signos que a reaproximavam dessa visão em forma de ovo, que eu tive há dezoito anos e que descrevi na terceira visão do meu livro Scivias (...) na parte superior aparecia um círculo de fogo claro que dominava outro, de fogo negro (...) em seguida vinha um círculo que era como que de ar carregado de umidade (...) sob este círculo de ar úmido aparecia um de ar branco, denso (...) esses dois círculos estavam igualmente ligados entre si (...) Enfim, sob esse ar branco e firme apresentava-se uma segunda camada aérea, tênue, que parecia estender-se sobre todo o círculo, provocando nuvens, ora claras, ora baixas e sombrias. Esses seis círculos estavam ligados entre si, sem espaço intermediário (...) A figura do homem ocupava o centro dessa roda-gigante..." (HILDEGARD DE BINGEN. O Livro das Obras Divinas. Citado em PERNOUD, 1996: 72-73)

terça-feira, julho 22, 2008

Sol e Cristo

“O símbolo ao qual fazíamos alusão é exatamente o que a liturgia católica atribui a Cristo quando lhe aplica o título de Sol Justitiae; o Verbo é efetivamente o «Sol espiritual», quer dizer, o verdadeiro «Centro do Mundo»; e ademais, esta expressão de Sol Justitiae se refere diretamente aos atributos de Melki-Tsedeq. Há que se observar também que o leão, animal solar, é, na Antiguidade e na Idade Média, um emblema da justiça ao mesmo tempo que do poder; o signo de Leão é, no Zodíaco, o domicílio próprio do Sol.

Se o Sol figura Cristo, os doze raios são os doze apóstolos (a palavra apostolos significa «enviado», e os doze raios são também «enviados» pelo Sol). Além disso pode-se ver no número dos doze Apóstolos uma marca, entre muitas outras, da perfeita conformidade do Cristianismo com a tradição primordial”.

Extraído de “El Rey del Mundo”, de René Guenón.

domingo, julho 20, 2008

A Igreja enxotou os costumes depravados e criminosos

bela dama caridosa

Os padrões de moralidade foram modelados pela Igreja Católica.

Platão ensinava que um doente, ou um incapacitado de trabalhar, devia ser morto. Na Roma antiga havia 30% mais de homens do que de mulheres. As meninas e os varões deformados eram simplesmente abandonados. Os estóicos favoreceram o suicídio para fugir da dor ou de frustrações emocionais. Os romanos afundaram tanto na sensualidade, que até perderam o culto da deusa Castidade. Ovídio, Catulo, Marcial e Suetônio contam que as práticas sexuais do seu tempo eram perversas e até sádicas. Segundo Tácito, no século II uma mulher casta era fenômeno raro. Enfim, reinavam os torpes vícios em que hoje vai recaindo o mundo neopagão que apostatou da Cristandade.

A Igreja restaurou a dignidade do matrimônio e gerou um fato desconhecido pelos pagãos: suscitou mulheres capazes de tocar suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos.

A Igreja definiu e delimitou a guerra justa. Nem Platão nem Aristóteles fizeram qualquer coisa de comparável. Em sentido contrário, o espírito moderno antimedieval teve um mestre em Nicolò Machiavello. Ele postulou que a política é um jogo cínico, onde "a remoção de um peão político, embora envolva cinqüenta mil homens, não é mais perturbadora que a remoção de uma peça de xadrez do tabuleiro" (p. 211).


Extraído do artigo: “Sem a Igreja não haveria Civilização Ocidental”, de Luis Dufaur, baseado na obra de Thomas E. Woods, Jr. Ph. D., How the Catholic Church built Western Civilization, Regnery Publishing Inc., Washington D. C., 2005, 280 pp. Disponível em Revista Catolicismo.

quinta-feira, julho 17, 2008

O Que é Coragem?



Para acordar cedo todas as manhãs é preciso coragem. Para enfrentar o trânsito também. Para procurar emprego, fazer a prova final na faculdade, prestar exame para tirar a habilitação como motorista, fazer uma declaração de amor, ter um filho, para tudo isso é preciso coragem. Mas o interessante é que eu nunca tinha pensado em como a coragem é um atributo valioso e quantos outros atributos ela engloba. Neste mundo todos nós precisamos mesmo ser corajosos, pois os desafios são muitos.

Coragem para mudar. Coragem para crescer. Coragem para deixar para trás hábitos, idéias e pensamentos daninhos.

Coragem para fazer o exame de consciência. Coragem para ver os erros cometidos. Coragem para admitir os erros.

Coragem para pedir perdão. Coragem para buscar a reparação. Coragem para buscar não pecar mais.

Outro dia li que Deus não gosta dos covardes.

segunda-feira, julho 14, 2008

As Bem-aventuranças evangélicas





Do Catecismo de São Pio X:



922) Quantas e quais são as Bem-aventuranças evangélicas?
As Bem-aventuranças evangélicas são oito:
1a Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino do Céu;
2a Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra;
3a Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados;
4a Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados;
5a Bem-aventurados os que usam de misericórdia, porque alcançarão misericórdia;
6ª Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus;
7ª Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus;
8ª Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino do Céu.

923) Por que Jesus Cristo nos propôs as Bem-aventuranças?
Jesus Cristo propôs-nos as Bem-aventuranças para os fazer detestar as máximas do mundo, e para nos convidar a amar e praticar as máximas do seu Evangelho.

924) Quem são aqueles que o mundo chama bem-aventurados?
O inundo chama bem-aventurados aqueles que desfrutam abundância de riquezas e de honras, que vivem em delícias e que não têm nada que os faça sofrer.

925) Quem são os pobres de espírito, que Jesus Cristo chama bem-aventurados?
Os pobres de espírito, segundo o Evangelho, são aqueles que têm o coração desapegado das riquezas; fazem bom uso delas, se as possuem; não as procuram com solicitude, se não as têm; e sofrem com resignação a perda delas se lhes são tiradas.

926) Quem são os mansos?
Os mansos são aqueles que tratam o próximo com brandura, e lhe sofrem com paciência os defeitos e as ofensas que dele recebem, sem alteração, ressentimentos ou vingança.

927) Quem são os que choram, e todavia são chamados bem-aventurados?
Os que choram, e todavia são chamados bem-aventurados, são aqueles que sofrem com resignação as tribulações, e que se afligem pelos pecados cometidos, pelos males e pelos escândalos que se vêem no mundo, pela ausência do céu, e pelo perigo de o perder.

928) Quem são os que têm fome e sede de justiça?
Os que têm fome e sede de justiça são aqueles, que desejam ardentemente crescer cada vez mais na graça de Deus e na prática das obras boas e virtuosas.

929) Quem são os que usam de misericórdia?
Os que usam de misericórdia são aqueles que amam, em Deus e por amor de Deus, o seu próximo, se compadecem das suas misérias, assim corporais como espirituais, e procuram socorrê-lo conforme as suas forças e o seu estado.

930) Quem são os puros de coração?
Os puros de coração são aqueles que não têm nenhum afeto ao pecado, sempre se afastam dele, e evitam sobretudo toda a espécie de impureza.

931) Quem são os pacíficos?
Os pacíficos são aqueles que vivem em paz com o próximo e consigo mesmos, e procuram estabelecer a paz entre aqueles que estão em discórdia.

932) Quem são os que sofrem perseguição por amor da justiça?
Os que sofrem perseguição por amor da justiça são aqueles que suportam com paciência os escárnios, as censuras, as perseguições por causa da Fé e da Lei de Jesus Cristo.

933) Que significam os diversos prêmios prometidos por Jesus Cristo nas Bem-aventuranças?
Os diversos prêmios prometidos por Jesus Cristo nas Bem-aventuranças significam todos, sob diversos nomes, a glória eterna do Céu.

934) Alcançam-nos as Bem-aventuranças só a glória eterna do Paraíso?
As Bem-aventuranças não nos alcançam só a glória eterna do Paraíso; são também meios de tornar nossa vida feliz, tanto quanto é possivel, neste mundo.

935) Recebem já alguma recompensa nesta vida os que seguem as Bem-aventuranças?
Sim, certamente, os que seguem as Bem-aventuranças recebem já alguma recompensa nesta vida, porque já gozam de uma paz e de um contentamento íntimos que são princípio, embora imperfeito, da felicidade eterna.

936) Poderão dizer-se felizes os que seguem as máximas do mundo?
Não. Os que seguem as máximas do mundo não são felizes, porque não têm a verdadeira paz da alma e estão em risco de se condenar.

sábado, junho 28, 2008

A caridade cristã exorcizou a brutalidade pagã

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W. E. H. Lecky destaca que nem na prática nem na teoria a caridade ocupou na Antigüidade uma posição comparável à que teve no Cristianismo. O historiador da medicina Fielding Garrison mostra que antes de Cristo "a atitude face à doença e à desgraça não era de compaixão. O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja” (p. 176). Os cristãos causavam admiração pela coragem com que atendiam os agonizantes e enterravam os mortos. Os pagãos abandonavam em ruas e estradas os parentes e melhores amigos doentes, semi-mortos, ou mortos sem enterrar.

Santo Agostinho fundou uma hospedaria para peregrinos, resgatou escravos, deu roupa aos pobres. São João Crisóstomo fundou hospitais em Constantinopla. São Cipriano e Santo Efrém organizaram os auxílios durante epidemias e fomes.

O rei de França São Luís IX dizia que os mosteiros eram o "patrimônio dos pobres". Eles davam diariamente esmolas aos carentes. Por vezes, míseros seres humanos passavam a vida dependendo da caridade monástica ou episcopal. Também distribuíam alimentos aos pobres em sufrágio da alma de um religioso falecido, durante trinta dias no caso de um simples monge, e durante um ano no caso de um abade. E, às vezes, perpetuamente.


Extraído do artigo: “Sem a Igreja não haveria Civilização Ocidental”, de Luis Dufaur, baseado na obra de Thomas E. Woods, Jr. Ph. D., How the Catholic Church built Western Civilization, Regnery Publishing Inc., Washington D. C., 2005, 280 pp.
Disponível em www.catolicismo.com.br

sexta-feira, junho 27, 2008

Encarando a chuva


Estou aqui parada encarando a chuva. Observando as gotas que caem ora suavemente, ora com força, fazendo doer a pele, refrescando um dia de verão.

Encaro a chuva esperançosa por dias ensolarados. Lavo meus pensamentos e desejos, vou curando chagas e enviando os meus melhores votos enquanto a água escorre pelas ruas.

Chuva batendo na janela como lágrimas derramadas ao longo da vida. Chuva que parece abençoar e purificar o ambiente.

As gotas vão caindo e eu vou contando, paciente, os minutos, as horas, os dias. Exercito a paciência, dou voltas na imaginação, afasto o mau humor procurando cantar, exorcizo os fantasmas enviando-os com os pingos de chuva que se derramam pelo telhado.

Eu sei que a partir de agora nada mais será como antes e que cada escolha traz uma conseqüência.

Mas eu estou aqui encarando a chuva. Nem sempre tão firme, mas cada vez mais forte.

sexta-feira, junho 20, 2008

Podcast sobre lavagem cerebral

Vale a pena ouvir o podcast do site Veritatis Splendor sobre lavagem cerebral. É feito numa linguagem bem simples e didática.

O autor, Jaime Francisco de Moura é um estudioso da Igreja Primitiva e pesquisador do protestantismo na América Latina e Brasil.

Está dividido em seis partes.

Lavagem Cerebral

terça-feira, junho 17, 2008

Ser grata a quem me amaldiçoa

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Ser grata a quem me amaldiçoa. Pode parecer algo inatingível, mas não é. É possível, sim, abençoar os que me amaldiçoam, agradecer ao inimigo que mostra onde estão minhas falhas e onde tenho que mudar. É uma chance de exercitar o auto-controle também. Talvez por isso seja permitido que tais males aconteçam.

É claro que se o outro fez um mal em tocar numa ferida minha ele vai ter a pena dele (“a cada um de acordo com suas obras”), mas isso não impede que eu possa tirar uma lição daí, não é?

Quando eu enxergo as mazelas do mundo é que tenho mais vontade de voar bem alto. Quando percebo que nada neste mundo pode me dar a verdadeira felicidade, firmo minha intenção em Deus. Nele estou a salvo, realizada, amada, nutrida, segura. Posso então continuar a viver neste mundo mesmo, mas consciente de que nele tudo é efêmero.

segunda-feira, junho 09, 2008

O holocausto, Che e o politicamente correcto


Dois posts muito bons que eu indico:

O holocausto nazi e o politicamente correcto

"Che" Guevara e o Festival de Cannes

Vejam a tristeza do mundo que vivemos, a mentira, a tentativa de destruição das mentes humanas, da dignidade do ser! Fico triste vendo as pessoas defendendo a mentira e a morte. Triste!

sábado, junho 07, 2008

A Igreja e as mulheres na Idade Média

Régine Pernoud*


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Recordaremos aqui que certas mulheres (…) de todas as camadas sociais, como o prova a pastora de Nanterre, desfrutaram na Igreja, e devido à sua função na Igreja, dum extraordinário poder na Idade Média. Algumas abadessas eram autênticos senhores feudais, cujo poder era respeitado de modo igual ao dos outros senhores; algumas usavam báculo, como o bispo; administravam muitas vezes vastos territórios com aldeias, paróquias…

Um exemplo entre milhares: pelos meados do século XII, os cartulários permitem-nos seguir a formação do mosteiro de Paráclito, cuja superiora é Heloísa; basta percorrê-los para constatar que a vida duma abadessa na época comporta todo um aspecto administrativo: as doações acumulam-se, permitindo aqui receber o dízimo sobre uma vinha, ali ter direito a foros sobre fenos ou trigos, aqui usufruir duma granja e ali dum direito de pastagem na floresta… A sua atividade é também a dum explorador, ou mesmo dum senhor. É de dizer, pois, que, pelas suas funções religiosas, certas mulheres exercem, mesmo na vida laica, um poder que muitos homens poderiam invejar-lhes hoje.

Por outro lado, constata-se que as religiosas desse tempo - sobre as quais, digamo-lo de passagem; nos faltam absolutamente estudos sérios - são, na sua maior parte, mulheres extremamente instruídas, que poderiam ter rivalizado em saber com os monges mais letrados do tempo. A própria Heloísa conhece e ensina às suas monjas o grego e o hebreu. É duma abadia de mulheres, a de Gandersheim, que provém um manuscrito do século X que contém seis comédias em prosa rimada, imitadas de Terêncio; são atribuídas à famosa abadessa Hrotsvitha, cuja influência sobre o desenvolvimento literário dos países germânicos se conhece. Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como a prova duma tradição escolar que terá contribuído para o desenvolvimento do teatro na Idade Média. Acrescentemos de passagem que muitos mosteiros, de homens ou de mulheres, ministravam localmente a instrução às crianças da região.

É surpreendente também constatar que a enciclopédia mais conhecida do século XII emana duma religiosa, a abadessa Herrade de Landsberg. É o famoso Hortus deliciarum («Jardim de Delícias»), no qual os eruditos vão procurar as informações mais seguras em relação às técnicas no seu tempo. Podia dizer-se o mesmo das obras da célebre Hildegarda de Bingen. Finalmente, uma outra religiosa, Gertrude de Heifta, no século XIII, conta-nos como se sentiu feliz por passar do estado de «gramática» ao de «teóloga», isto é, que, depois de ter percorrido o ciclo dos estudos preparatórios, ela aborda o ciclo superior, como se fazia na universidade. O que prova que ainda no século XIII os conventos de mulheres são o que sempre tinham sido desde São Jerônimo, que instituiu o primeiro deles, a comunidade de Bethléem: centros de oração, mas também de ciência religiosa, de exegese, de erudição; estuda-se aí a Sagrada Escritura, considerada como a base de todo o conhecimento, e também todos os elementos do saber religioso e profano. As religiosas são mulheres instruídas; aliás, entrar no convento é uma via normal para aquelas que querem desenvolver os seus conhecimentos para além do nível corrente. O que pareceu extraordinário em Heloísa, na sua juventude, foi o fato de, não sendo religiosa e não desejando manifestamente entrar no convento, ela continuar, no entanto, estudos demasiado áridos, em vez de se contentar com a vida mais frívola, mais despreocupada, duma moça que deseja «permanecer no século». A carta que Pierre, o Venerável, lhe enviou di-lo expressamente.

Mas há mais surpreendente. Se se quiser fazer uma idéia exata do lugar ocupado pela mulher na Igreja, nos tempos feudais, é preciso perguntar a si próprio o que se diria no nosso século XX de conventos de homens colocados sob o magistério duma mulher. Um projeto desse gênero teria no nosso tempo a menor possibilidade de resultar? Foi, no entanto, o que se realizou com pleno sucesso, e sem ter provocado o menor escândalo na Igreja, com Robert d’Arbrissel em Fontevrault, nos primeiros anos do século XII. Tendo resolvido fixar a multidão inverossímil de homens e mulheres que chamava atrás de si -porque foi um dos maiores conversores de todos os tempos-, Robert d’Arbrissel decidiu fundar dois conventos, um de homens outro de mulheres entre eles erguia-se a igreja que era o único lugar onde monges e monjas podiam encontrar-se. Ora esse mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não dum abade, mas duma abadessa. Esta, pela vontade do fundador, devia ser viúva, tendo, pois, a experiência do casamento. Acrescentemos, para sermos completos, que a primeira abadessa, Pétronille de Chemillé, que presidiu aos destinos desta ordem de Fontevrault tinha vinte e dois anos. Não vemos que hoje semelhante audácia, mais uma vez, tivesse possibilidades de ser encarada.

Se examinarmos os fatos, impõe-se esta conclusão: durante todo o período feudal, o lugar da mulher na Igreja foi certamente diferente do homem (e em que medida não seria uma prova de sabedoria o ter em conta que homem e mulher são duas criaturas iguais, mas diferentes?), mas foi um lugar eminente, que, aliás, simboliza perfeitamente o culto, eminente também, prestado à Virgem entre todos os santos. E pouco nos surpreende que a época termine com um rosto de mulher: o de Joana d’Arc, a qual, diga-se de passagem, nunca teria podido nos séculos seguintes obter a audiência e suscitar a confiança que no fim de contas obteve.


(PERNOUD, Régine. O mito da Idade Média. Publicações Europa-América, S/D, pp.95-99)

*Régine Pernoud: historiadora e medievalista francesa (1909-1998). Doutora em Letras e diplomada pela École des Chartes e pela École du Louvre, foi diretora do Museu de Reims, do Museu de História da França, dos Arquivos Nacionais e do Centro Jeanne d´Arc d´Orléans (que fundou em 1974). Escreveu numerosas obras sobre a Idade Média, entre as quais destacamos “Idade Média: o que não nos ensinaram”, “Luz sobre a Idade Média” e “A mulher no tempo das catedrais”.

Texto adaptado por mim para o portugês do Brasil. Os grifos são meus.