quarta-feira, abril 30, 2008

Três mil católicos voltam à Igreja graças a um site

0 comentários





Através da publicidade e de respostas a perguntas de fé
Por Nieves San Martín

PHOENIX, terça-feira, 29 de abril de 2008 (ZENIT.org).

Cerca de três mil católicos voltaram à Igreja Católica na diocese americana de Phoenix, graças ao trabalho do site http://www.catholicscomehome.org/, que explica de maneira atrativa e simples, e através de uma série de propagandas e de respostas, a graça de pertencer à Igreja fundada por Cristo. O site tem uma versão em espanhol: http://www.catolicosregresen.org/.

«Católicos, Regressem a Casa – explica o site –, é um ministério dirigido a todos os que deixaram a Igreja Católica, por qualquer motivo. Seja por ressentimento, irritação, divórcio, isolamento, apatia, rebelião ou falta de entendimento da fé, regressar a casa nunca foi mais fácil.»

«Nossa meta é proporcionar uma variedade de recursos que ajudarão a entender mais claramente a Igreja Católica e seus ensinamentos», informa o site em sua página inicial.

«Em Católicos, Regressem – acrescenta –, nós lhes prometemos que honestamente sempre diremos a verdade, sem ocultar nada. Não fugiremos de temas difíceis, nem hesitaremos em assinalar as muitas maravilhas e os aspectos milagrosos da Igreja Católica.»

«Também – explica o site – sinceramente rezamos para que vocês não deixem de examinar a Bíblia cuidadosamente e seus fatos históricos e que considerem sinceramente que o catolicismo é muito mais do que conheceram.»

Em uma entrevista concedida a CatholicNewsAgency, o presidente e fundador de Catholics Come Home, Inc., Tom Peterson, explicou que as informações permitem às pessoas que encontrem respostas às perguntas sobre alguns ensinamentos da Igreja e também as colocam em contato com sua paróquia local «para voltar para casa, para a Igreja Católica».

Peterson explica que a diocese de Phoenix o contratou para que fizesse uma campanha, lançada no mês passado, de propagandas que já foram transmitidas em grandes redes como Fox News, ESPN, Lifetime, entre outras, para conseguir que mais católicos voltassem à Igreja.

Após a campanha, explica Peterson, mais de «31.000 visitantes entraram no site de Phoenix» para apresentar «perguntas, inquietudes, para averiguar horários de missas, ler sobre assuntos relacionados com o matrimônio ou para pedir o livro de Matthew Kelly, ‘Redescobrindo o catolicismo’».

Os informes publicitários foram produzidas também por CatholicsComeHome.org. A primeira delas, «Épico», mostra uma breve resenha da história, espiritualidade e beleza da Igreja Católica que «Jesus iniciou há dois mil anos».

Peterson comenta que «muitas pessoas não conhecem a história da Igreja. Não sabem que Pedro foi o primeiro Papa. Não têm idéia das grandes conquistas que a Igreja fez ao longo dos séculos».

Com o segundo informe publicitário, «Filme», «muitas pessoas chegam inclusive a chorar. Este vídeo mostra a misericórdia de Deus, sem importar o que tenhamos feito, podemos aceitar a misericórdia de Jesus, que nos ajudará a criar o final perfeito para cada uma de nossas vidas».

«O site proporciona respostas a perguntas sobre os ensinamentos da Igreja; e explica por que uma fé sólida é importante no mundo de hoje, que anda ocupado em meio à confusão. Também oferece um olhar geral à fé, com recursos adicionais, assim como um localizador de paróquias», informa Peterson.

A meta da organização é lançar os informes publicitários em todo o mundo quando forem aperfeiçoados.

*************

Aqui no Brasil há bons sites sobre a doutrina católica. Um deles é o Veritatis Esplendor e outro é o da Frente Universitária Lepanto.

sábado, abril 26, 2008

Escolas e educação na Idade Média

6 comentários
Trechos de “A Igreja das Catedrais e das Cruzadas”, de Daniel-Rops*


Photobucket

Se há uma idéia comumente admitida, é certamente a da ignorância das massas na Idade Média. Um povo iletrado e, por isso mesmo, dócil às instruções supersticiosas de um clero tirânico - essa é a imagem que muitas vezes se apresenta desses homens que, no entanto, deixaram às gerações futuras tantos testemunhos de uma admirável fecundidade intelectual. Voluntário ou não, deve existir forçosamente aqui um mal-entendido.

Em primeiro lugar, é preciso perguntar se o número de iletrados na Idade Média era realmente tão grande como muita gente superficial pensa. Ultrapassaria a proporção que se observa nos nossos dias em certos países do Ocidente europeu? Ainda hoje encontramos nos nossos arquivos um grande número de atas notariais cujas testemunhas assinaram os seus nomes. E ao vermos a multidão de clérigos e de professores de renome que saíram das fileiras da plebe, somos obrigados a concluir que, mesmo nos meios mais humildes, a instrução das crianças não devia ser tão negligenciada como se imagina.

Além do mais, ao pensarmos nesta época, não podemos nem devemos identificar o conhecimento do alfabeto com a instrução. Se nos nossos dias a pedagogia e a cultura assentam sobre dados acima de tudo visuais, adquiridos pela leitura e pela escrita, na Idade Média, na qual o livro era raro e custoso, o ouvido desempenhava um papel muito mais importante. Num capítulo dos Estatutos municipais da cidade de Marselha, do século XIII, lê-se uma enumeração das qualidades requeridas num bom advogado, que termina com estas palavras: litteratus vel non litteratus", quer seja letrado ou não; conhecer o direito e os costumes era mais importante que saber ler e escrever bem.

E, quanto a admitir que a Igreja tinha interesse em manter a ignorância para melhor estabelecer a sua autoridade, é o mesmo que aceitar uma pura calúnia, contra a qual se insurgem os fatos.

Já no século VI se ouvira o grande São Cesário de Arles expor no concílio de Vaison (529) as razões imperiosas que exigiam a criação de escolas no campo. Seria longa a enumeração de bispos que eram da mesma opinião: um São Nizier de Lyon, um Teodulfo de Orléans, um Leidrade, um Hincmar notabilizaram-se pelo seu esforço nesse sentido. Da mesma forma, foi a Igreja que ditou a Carlos Magno a sua política escolar, a primeira que foi praticada com seriedade no Ocidente. E se, no decurso do trágico século X, as escolas decaíram, como todas as atividades ligadas à civilização, logo que o clima melhorou, a Igreja retomou a sua tarefa educadora, reabriu as suas escolas e voltou a pregar do púlpito (quando se usavam púlpitos - prática enterrada pelo Concílio Vaticano II) a necessidade da instrução. É com admiração que se relêem os cânones de um Concílio como o de Latrão em 1179, sob a presidência de Alexandre III, nos quais se ordena ao clero que abra escolas em toda a parte para instruir gratuitamente as crianças, mesmo "os estudantes pobres".

A necessidade, numa sociedade bem ordenada, de manter o povo estagnado na sua ignorância, não foi a Igreja medieval que a defendeu: foi Voltaire!** (essa é para quem ama a Idade das "Luzes"). As categorias escolares que conhecemos já estavam definidas: primária, secundária e superior. Na base, encontravam-se as escolas paroquiais, "as pequenas escolas". As paróquias estavam muitas vezes na dependência dos senhores; eram eles, na realidade, que criavam a sua escola, como aquele senhor de Rosny-sur-Seine, que celebrou em 1200 - conhecemos o texto - um contrato cheio de sabedoria com o seu pároco para abrir uma escola nas suas terras.

Por vezes, eram os habitantes de uma aldeia que se associavam para contratar um mestre, e chegou até nós um texto divertido, uma reclamação de uns pais solicitando a demissão de um professor tão frouxo que os alunos o bombardeavam com os seus estiletes. Em princípio, todas as crianças deviam ir a essas escolas; muitos contratos de aprendizagem estabeleciam o compromisso assumido pelo patrão de enviar o aprendiz para lá. A imagem tradicional da escola "laica e obrigatória" num país como a França, tem certamente mil anos de antiguidade. O ensino era ministrado num local contíguo à igreja ou mesmo na própria igreja. O mestre era geralmente um leigo que exercia simultaneamente as profissões de sacristão, de participante do coro e, como diríamos hoje, de secretário do conselho paroquial. Recebia ordinariamente dos alunos uma modesta remuneração em espécie: favas, peixe e vinho, e mais raramente um soldo. Antes de ser nomeado, devia, em princípio, ser confirmado pela autoridade eclesiástica; em certas dioceses, como Paris, Reims, Lyon, Toulouse e Montpellier, os futuros professores eram submetidos a uma espécie de exame. O que é que ensinavam? Antes de mais nada, ministravam instrução religiosa, explicavam o catecismo; mas ensinavam também a ler, a escrever, a contar - utilizando tentos -, davam umas noções de gramática e mesmo de latim. Como os livros eram inacessíveis, usavam-se quadros murais, feitos com peles de bezerro ou de carneiro, nos quais estavam pintadas as genealogias do Antigo Testamento, a lista das virtudes e vícios, e modelos de escrita. Alguns desses quadros chegaram até nós. Podemos ter como certo que, nos séculos XII e XIII, nos países mais avançados do Ocidente, havia um sistema de instrução primária bastante espalhado, um sistema em que se difundia a moral tanto como os conhecimentos.

Um homem viria a prestar homenagem a esse antigo ensino medieval, em que a educação e a instrução jamais se separavam, um homem que não tem nenhuma fama de clerical - Thiers - e que exclamava, há cem anos, durante a discussão da lei sobre a liberdade de ensino: "Ah! Se a escola sempre permanecesse a cargo do pároco e do seu sacristão, como outrora, eu estaria longe de me opor a que crescesse a rede de escolas para todos os filhos do povo!". Num plano superior, encontravam-se as escolas monásticas, por um lado, e, por outro, as escolas catedrais e capitulares, que correspondiam ao nosso ensino secundário, com, mais ou menos, um pouco de ensino superior. Eram, em primeiro lugar, os mosteiros que, fiéis à sua missão de "cidadelas do espírito", tinham abrigado as primeiras escolas cujo nível de ensino era um pouco mais elevado. Saint-Riquier, Gembloux, Reinchenau, Luxeil, Marmoutier, Saint-Remy em Reims, mais tarde Fleury, Saint-Martial de Limoges e, em Paris, Santa Genoveva, São Vítor e Saint-Germanin-des-Prés foram prestigiosos centros de ensino; de Fleury saiu o rei Roberto o Piedoso; de Saint-remy saiu Gerberto, o futuro papa Silvestre II, que foi a glória do seu mosteiro, depois de ter começado a estudar em Saint-Géraud d'Aurillac. No limiar do século XII, contavam-se na França setenta abadias dotadas de escolas, entre as quais algumas eram célebres, como Bec-Hellouin na Normandia, conhecida pelo prestígio de mestres como o Bem-aventurado Lanfranc e Santo Anselmo; Saint-Denis, de onde saíram o rei Luís o Gordo e o seu ministro Suger; e, finalmente, Cluny, onde Pedro o Venerável incentivava muito a atividade docente dos monges. para as moças, era notável Argenteuil, onde foi educada Heloísa e onde Abelardo lecionou.

No entanto, em meados do século XII, as escolas monásticas entraram em declínio, pois o espírito de reforma inquietava-se com a coexistência de uma escola "interna" para os noviços e de uma escola "externa" para os alunos. Depois de Pedro o Venerável, Cluny deixou periclitar a sua. Em Cister, recusaram-se a admitir crianças "no interior ou nas dependências do mosteiro". Dali para a frente, já não foi a Igreja regular, dos monges, que teve o ensino nas mãos, mas - favorecida aliás pelo renascimento urbano - a secular, cuja atividade neste campo em breve seria excelente. As escolas dos bispados ou dos cabidos - muitas vezes uma ao lado da outra - nasceram pouco depois das dos conventos. Todos os grande bispos quiseram ter estabelecimentos de ensino; foi o que aconteceu com a escola de Orléans, onde o próprio Santo Aignan gostava de ensinar.

No limiar do século XII, não existiam na França menos de cinqüenta escolas episcopais, e o terceiro Concílio de Latrão obrigou todas as dioceses a abrirem uma. Várias delas conheceram um sucesso inaudito, como a de Chartres, ilustrada sucessivamente por Fulberto, Yves, e depois João de Salisbury, e que foi verdadeiramente um cadinho onde fervilhavam as idéias do tempo, mesmo as mais inquietantes; a da Avranches, que se beneficiou da projeção de Bec e de Santo Anselmo; a de Besançon, que Frederico Barba-roxa sempre procurou encorajar; a de Châlons-sur-Marne, onde ensinou Guilherme de Champeaux; a de Châtillon-sur-Seine, que teve São Bernardo como aluno; e, finalmente, a de Paris, verdadeiro celeiro de bispos e de grandes personalidades, embrião da mais célebre Universidade da época. Fora da França, destacam-se Canterbury e Durham na Inglaterra, Toledo na Espanha, Bolonha, Salerno e Ravena na Itália.

Em todas essas casas, a autoridade religiosa exercia uma vigilância e, mais do que vigilância, uma influência direta e estimulante. O écolâtre, geralmente um cônego designado pelo bispo ou pelo deão do cabido, entregava-se de corpo e alma à sua tarefa, e não se pode duvidar de que tinha muito que fazer, porque a vida escolar, nessa época, estava longe de ser um mar de rosas (Parece que era difícil manter a disciplina nessas escolaa; aliás, não tinham locais especiais e os assistentes sentavam-se no chão e escreviam sobre os joelhos com os seus estiletes e tábuas de cera. A grande afluência de alunos também contribuía evidentemente para tornar a disciplina mais difícil. São Bernardo criticou energicamente os costumes escolares do seu tempo, acusando os estudantes das escolas catedrais de muitos vícios e crimes, entre os quais a fornicação e até o incesto. A literatura dos Golliards conservou vestígios desses desregramentos, cuja tradição será mantida pelos estudantes universitários até Villon).

Que tipo de estudantes acolhiam estas escolas, quer monásticas, quer episcopais? Desde os sete aos vinte anos, todos eram recebidos, sem distinção de classes: "filhos de homens ricos e filhos de fanqueiros", diz Gilles Le Muisis. A única distinção estabelecida consistia na retribuição que se pedia a alguns. Originalmente, e em princípio, o ensino era gratuito, e assim se conservou nas escolas monásticas (imaginem aulas gratuitas no colégio São Bento!); nas diocesanas, estabeleceu-se o hábito de fazer com que os ricos pagassem, sem recusar o acesso aos cursos àqueles que nada possuíam. Certos mestres de renome, que exigiam dinheiro de todos, foram várias vezes censurados pelos concílios. Os exames eram gratuitos; o Concílio de Latrão proibiu que se exigisse qualquer gratificação "dos candidatos ao professorado para a concessão da licenciatura”.

As moças se beneficiavam também do ensino, menos apurado, sem dúvida, porque as casas de educação feminina eram menos numerosas, e diversos concílios tinham proibido que elas freqüentassem as escolas de rapazes (e com razão!); no entanto, certas casas que lhes estavam reservadas deviam ser de alto nível, visto sabermos que, em Argenteuil, Heloísa não só aprendeu a Sagrada Escritura (para quem diz que a bíblia estava terminantemente proibida aos leigos) e os Padres da Igreja, mas também medicina e cirurgia, sem falar desses cursos de grego e hebraico em que tanto gostava de escutar as lições de Abelardo...

O ensino mantinha-se fiel às divisões tradicionais. Como no tempo em que Alcuíno o organizara por ordem de Carlos Magno, dividia-se em trivium (gramática, dialética e retórica) e quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). No entanto, a avaliar pelos tratados pedagógicos da época - os de Hugo de São Vítor e de João de Salisbury, por exemplo -, verificamos que os mestres procuravam sair dessas categorias sistematizadas. Um grande pedagogo, Thierry de Chartres, observava com muita razão que o trivium e o quadrivium eram apenas o meio e que o fim era formar alunos na verdade e na sabedoria. O que se pretendia inculcar era sobretudo um método que permitisse atingir o conjunto do saber humano. Assim, a dialética, que aguça o espírito e lhe dá flexibilidade para o jogo do conhecimento, ocupava um lugar de honra.

Da mesma forma, ciências que nunca figuravam nos cursos clássicos dos estudos eram ensinadas por mestres que, muito mais livres diante dos programas do que hoje, exerciam sobre os seus alunos um ascendente mais direto. Assim, enquanto Bernardo de Chartres ensinou nessa cidade, a "gramática" foi na verdade um curso geral de literatura latina. Em certas escolas, ministravam-se até conhecimentos técnicos, como na de Vassor, perto de Metz, onde os alunos aprendiam a trabalhar o ouro, a prata e o cobre. Pouco a pouco, foram aparecendo verdadeiras especializações: ia-se a Chartres para as letras, a Paris para a teologia, a Bolonha para o direito, a Salerno e Montpellier para a medicina, uma especialização que viria a refletir-se na organização das Universidades.

Assim, no meio de uma extraordinária fermentação intelectual, tende-se, por volta de 1200, a criar um ensino superior. Os alunos mais velhos das escolas catedrais reclamavam um alimento intelectual mais rico. Ao passo que, até esse momento, os que verdadeiramente queriam obter uma cultura superior tinham de frequentar a escola dos árabes na Espanha, como Gerberto, que frequentou os cursos de Toledo, ou a dos bizantinos, onde o principal filósofo, Miguel Psellos, contava muitos ocidentais entre os seus ouvintes, daí por diante, os amadores da alta cultura passaram a encontrar no Ocidente o modo de a adquirirem. Reduzidas as escolas episcopais ao ensino secundário, o ensino superior iria desenvolver-se numa nova formação: a das Universidades.


Trechos de “A Igreja das Catedrais e das Cruzadas”, de Daniel-Rops* extraídos de adaptação postada na internet. Os grifos são meus.

* Daniel-Rops (pseudônimo literário de Henri Petiot) nasceu em Épinal, em 1901, e faleceu em Chambéry, em 1965. Foi professor de História e diretor da revista Ecclesia (Paris), e tornou-se mundialmente famoso sobretudo pelas obras de historiografia que publicou: a coleção História Sagrada, que abrange os volumes O povo bíblico (1943), Jesus no seu tempo (1945) e os onze tomos desta História da Igreja de Cristo (1948-65). Também foi autor de diversos ensaios, obras de literatura infantil e romances históricos, entre os quais destacamos Morte, onde está a tua vitória? (1934) e A espada de fogo (1938). Foi eleito para a Academia Francesa em 1955.

**Frase de Voltaire: “Parece-me essencial que haja pobres ignorantes. ... Não é preciso instruir o artesão, mas sim o burguês. ... Se o povo se mete a raciocinar, tudo estará perdido”. Besterman, T. (ed.); Voltaire: Correpondance (avril 1765 – juin 1767), vol. VIII, Gallimard: França, 1983, p. 422.

sexta-feira, abril 25, 2008

Perseverança

3 comentários

Photobucket


No caminho espiritual o que é perseverar? Como saber se sou perseverante ou se estou sendo na realidade compulsiva? Aquele que esquece de seus deveres perante a família, o trabalho, a comunidade não está sendo perseverante. Pode ser qualquer outra coisa menos isso. Está sendo obsessivo, compulsivo ou algo do gênero. Perseverar é algo muito mais profundo, sublime.

Perseverar é estar com a mente fixa no propósito da Verdade, na busca pelo conhecimento, apoiando-se no amor de Deus. Isso é muito difícil, pois são inúmeras as dificuldades diárias. Tudo é mudança o tempo todo, mas mesmo com todos os altos e baixos se você está centrado no Divino, em Seu amor, em Seu Ser você está sendo perseverante.

Quando eu passo a extrair de cada dificuldade um aprendizado, estou transformando em doce perfume toda minha existência. Quando me dou conta de que, com exceção de Deus, tudo passa, de que este mundo é como é e ninguém muda num passe de mágica, que este globo azul pode até mesmo ser visto como uma escola, então posso ficar mais tranqüila e aproveitar melhor minha vida.

Quando eu consigo me firmar NAQUELE QUE É O QUE É, tudo o mais pode ser vivido com alegria e coragem, pois sei que estou bem acompanhada o tempo todo, imersa em Seu amor.

terça-feira, abril 22, 2008

Iluminuras

6 comentários

Um pouco de arte da Idade Média para o deleite dos que amam a beleza. São iluminuras de um "livro das horas" medieval, Les Trés Riches Heures, de autoria dos irmãos Limbourg.



Photobucket
Adoração dos Magos
Photobucket
A coroação da Virgem
Photobucket
O homem anatômico
Photobucket
A deposição
Photobucket
Cristo deixando o pretório
Photobucket

O Jardim do Eden

sexta-feira, abril 18, 2008

Alguns mitos sobre as Cruzadas

Por Thomas F. Madden



Muitas pessoas, no Oriente e no Ocidente, consideram as Cruzadas uma mancha negra na História da Civilização Ocidental em geral, e da Igreja Católica em particular. Citadas por ambas as partes no conflito entre os Estados Unidos e os terroristas árabes, as Cruzadas voltaram aos noticiários, aos filmes e às séries de televisão. Propalam-se velhos mitos e reacendem-se discussões. Um bom exame da História das Cruzadas é, portanto, indispensável

O Presidente George W. Bush foi infeliz quando chamou a guerra contra o terrorismo de “Cruzada”, tendo recebido inúmeras críticas por empregar uma palavra que seria tão ferina e ofensiva para com os muçulmanos de todo o mundo. No entanto, os próprios árabes também fazem uso desse termo. Osama bin Laden e o Mullah Omar com freqüência chamaram os norte-americanos de “cruzados”, e qualificaram os atuais conflitos como uma “Cruzada contra o Islã”. De fato, as Cruzadas estão bem presentes na memória do mundo muçulmano.

O Ocidente, por sua vez, também não esqueceu as Cruzadas. Qualquer um que queira intimidar os católicos não demorará a jogar-lhes no rosto as Cruzadas e a Inquisição. As Cruzadas são com freqüência apresentadas como um exemplo clássico do mal que pode ser feito por uma religião organizada. O homem médio, tanto no Cairo como em Nova York, tende a concordar com a idéia de que as Cruzadas foram um ataque não-provocado, cínico e insidioso, promovido por fanáticos contra o pacífico, próspero e sofisticado mundo muçulmano da época.

Isso não foi sempre assim. Na Idade Média, não havia cristão na Europa que não tivesse certeza de que as Cruzadas eram sumamente boas e justas. Os próprios muçulmanos respeitavam os ideais das Cruzadas e a nobreza dos homens que nelas lutavam.

As coisas começaram a mudar com a Reforma Protestante. Para Martinho Lutero – que já havia rejeitado a autoridade do Papa e a doutrina sobre as indulgências – as Cruzadas não passavam de manobras de um papado sedento de poder. Chegava a afirmar que lutar contra os muçulmanos equivalia a lutar contra o próprio Cristo, pois Ele tinha enviado os turcos para punir a Cristandade pelos seus pecados. Quando o sultão Suleiman o Magnífico (1495?-1566) começou a invadir a Áustria com os exércitos otomanos, Lutero mudou de opinião sobre a necessidade de lutar, mas manteve-se firme em suas críticas às Cruzadas.

Ao longo dos duzentos anos seguintes, as pessoas tendiam a ver as Cruzadas com olhos confessionais: os protestantes lançavam-lhes vitupérios e os católicos, elogios. Quanto a Suleiman e seus sucessores, ambos concordavam: queriam livrar-se dele.

A atual visão a respeito das Cruzadas nasceu do Iluminismo do século XVIII. Muitos dos então chamados “filósofos”, como Voltaire, pensavam que a Cristandade medieval fora apenas uma vil superstição. Para eles as Cruzadas foram uma migração de bárbaros devida ao fanatismo, à ganância e à luxúria.

A partir desse momento, a versão iluminista sobre as Cruzadas entrou e saiu de moda algumas vezes. As Cruzadas receberam boa imprensa e foram consideradas como guerras de nobreza (mas não de religião) durante o Romantismo e até o início do século XX. Depois da Segunda Guerra, contudo, a opinião geral voltou-se decisivamente contra as Cruzadas. Na esteira de Hitler, Mussolini e Stalin, os historiadores concluíram que a guerra por motivos ideológicos – seja qual for a ideologia em questão – é abominável.

Esse sentimento de aversão foi resumido por Steven Runciman nos três volumes do seu livro A History of the Crusades (Uma História das Cruzadas, 1951-1954). Para Runciman, as Cruzadas foram atos de intolerância moralmente repugnantes praticados em nome de Deus. Os homens medievais que brandiam a cruz e marchavam rumo ao Oriente Médio eram ou perversos cínicos, ou avarentos vorazes, ou crédulos ingênuos. Esse livro, aliás literariamente bem escrito, tornou-se logo o padrão: com esse único golpe, Runciman conseguiu definir a moderna visão popular sobre as Cruzadas.

A partir de 1970, as Cruzadas receberam a atenção de centenas de pesquisadores, que as esquadrinharam meticulosamente. Como resultado, sabemos hoje muito mais a respeito das guerras santas da Cristandade do que jamais soubemos. Contudo, os frutos de décadas de pesquisa histórica só lentamente vão penetrando nas mentes do grande público. Isso se deve em parte aos próprios historiadores profissionais, sempre propensos a publicar estudos que pela sua própria natureza exigem uma linguagem muito técnica, de difícil compreensão para quem não é especialista. Contribui também para essa situação a clara relutância das elites contemporâneas em abandonar a visão “runcimaniana” das Cruzadas. Sendo assim, os livros populares sobre o tema – livros que as pessoas continuam querendo ler, apesar de tudo – tendem a repetir a conversa de Runciman.

O mesmo vale para as outras mídias, como o cinema e a televisão. Um exemplo é o documentário As Cruzadas, uma produção da BBC/A&E de 1995, estrelada por Terry Jones. Para dar um certo ar de autoridade ao que mostravam, os produtores intercalaram as cenas com entrevistas a importantes historiadores das Cruzadas, que expressavam suas opiniões sobre cada evento retratado. O problema é que os historiadores de hoje discordam das idéias de Runciman. Mas os produtores não se importaram com isso: simplesmente editaram as gravações das entrevistas, selecionando fragmentos e seqüências que, uma vez montados, davam a impressão de que os historiadores concordavam com Runciman. Um deles, o Dr. Jonathan Riley-Smith, veio dizer-me depois, num tom irado: “Eles me mostraram dizendo coisas nas quais eu não acredito!”

Mas afinal, qual é a verdadeira história das Cruzadas? Como o leitor pode imaginar, trata se de uma longa história. Mas existem muitos bons historiadores que ao longo dos últimos vinte anos vêm colocando as coisas no seu devido lugar. Por agora, tendo em vista o bombardeio que as Cruzadas vêm recebendo atualmente, o melhor será esclarecer justamente o que as Cruzadas não foram. Enumeramos a seguir alguns dos mitos mais comuns, dizendo por que eles são falsos.

Mito nº 1: As Cruzadas foram guerras contra um pacífico mundo muçulmano que nada fizera contra o Ocidente.

Não há nada de mais falso. Desde os tempos de Maomé, os muçulmanos lançaram-se à conquista do mundo cristão. E fizeram um ótimo trabalho: após poucos séculos de incessantes conquistas, os exércitos muçulmanos tomaram todo o norte da África, o Oriente Médio, a Ásia Menor e a maior parte da Península Ibérica. Em outras palavras: ao findar o século XI, as forças islâmicas já haviam capturado dois terços do mundo cristão. A Palestina, terra de Jesus Cristo; o Egito, berço do monaquismo cristão; a Ásia Menor, onde São Paulo estabeleceu as primeiras comunidades cristãs. Não conquistaram a periferia da Cristandade, mas o seu núcleo. E os impérios muçulmanos não pararam por aí: continuaram pressionando pelo leste em direção a Constantinopla, até que finalmente a tomaram e invadiram a própria Europa.

Se uma agressão não-provocada existiu, foi a muçulmana. Chegou-se a um ponto em que só restava à Cristandade defender-se ou simplesmente sucumbir à conquista muçulmana. A Primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II em 1095 para atender aos apelos urgentes do Imperador bizantino de Constantinopla, Aleixo I Comneno (1081-1118). Urbano convocou os cavaleiros cristãos para irem em socorro dos seus irmãos do Leste. Foi uma obra de misericórdia: livrar os cristãos do Oriente de seus conquistadores muçulmanos. Em outras palavras, as Cruzadas foram desde o início uma guerra defensiva. Toda a história das Cruzadas do Ocidente foi a história de uma resposta à agressão muçulmana.

Mito nº 2: Os Cruzados traziam o símbolo da Cruz, mas o que realmente queriam eram as pilhagens e as terras. As intenções piedosas não passavam de máscara para encobrir a ganância e cobiça.

Uma opinião comum entre os historiadores é a de que o aumento da população na Europa originou uma crise, devida ao excesso de “segundos filhos” de nobres, treinados nas artes bélicas de cavalaria, mas sem terras ou feudos onde se estabelecer. Por esse motivo, as Cruzadas seriam uma válvula de escape, mandando esses homens belicosos para longe da Europa, onde pudessem obter terras para si à custa dos outros. Os pesquisadores atuais, graças à ajuda de bancos de dados computadorizados, desmontaram esse mito. Hoje sabemos que os “primeiros filhos” da Europa foram os que responderam ao apelo do Papa em 1095, e também nas Cruzadas seguintes.

Empreender uma Cruzada era uma operação extremamente cara. Os Senhores tiveram que hipotecar suas terras para angariar os fundos necessários. Além do mais, não estavam interessados em reinos no além-mar. Como os soldados de hoje, o Cruzado medieval orgulhava se de estar cumprindo o seu dever, mas queria voltar para casa. Após o espetacular sucesso da Primeira Cruzada, com Jerusalém e grande parte da Palestina em seu poder, quase todos os Cruzados voltaram. Somente um pequeno grupo ficou para consolidar e governar os territórios recém-conquistados. Foram raras as pilhagens. Embora de fato sonhassem com as grandes riquezas das cidades do Oriente, praticamente nenhum Cruzado conseguiu recuperar os seus gastos. Mas não foram nem o dinheiro nem as terras o principal motivo que os levaram às Cruzadas: o que queriam era fazer penitência pelos seus pecados e merecer a própria salvação fazendo boas obras em terras distantes.

Mito nº 3: Quando os Cruzados tomaram Jerusalém em 1099, massacraram todos os homens, mulheres e crianças, enchendo as ruas de sangue até os tornozelos.

Esse é o modo preferido de pôr em evidência o caráter malévolo das Cruzadas. Num recente discurso em Georgetown, o ex-presidente Bill Clinton disse que esse foi um dos motivos pelos quais agora os Estados Unidos são alvo de terroristas (embora no citado discurso o Sr. Clinton tenha subido o nível do sangue até a altura dos joelhos, para dar mais ênfase). É certamente verdade que muita gente morreu em Jerusalém após a tomada da cidade pelos Cruzados. Mas o fato deve ser analisado no seu contexto histórico.

O costume vigente em todas as civilizações pré-modernas, tanto na Europa quanto na Ásia, era que se uma cidade resistisse à captura e fosse tomada pela força, sua posse caberia às forças vitoriosas. Isso incluía não somente os edifícios e os bens, mas também as pessoas. Por isso, cada cidade ou fortaleza devia pensar muito bem se podia ou não resistir a um cerco: se não pudesse, o mais prudente era negociar os termos da rendição. No caso de Jerusalém, seus defensores resistiram até o último instante. Calcularam que as imponentes muralhas da cidade conteriam os Cruzados até chegarem os reforços do Egito. Eles erraram: a cidade caiu e conseqüentemente foi saqueada. Muitos morreram, mas outros muitos foram aprisionados ou deixados livres para partir. Pelos padrões modernos, isso talvez pareça brutal, mas até mesmo um cavaleiro medieval poderia replicar dizendo que nos bombardeios modernos morrem mais inocentes – homens, mulheres e crianças – do que seria possível passar ao fio da espada em um ou dois dias.

Convém lembrar também que nas cidades muçulmanas que se renderam aos Cruzados, as pessoas foram deixadas em paz, na posse das suas propriedades, e com permissão para praticar livremente a sua religião. Quanto às ruas cheias de sangue, nenhum historiador aceita isso: não passa de um mero recurso literário. Jerusalém é uma cidade grande, e a quantidade de pessoas que seria necessário abater para inundar as ruas com dez centímetros de sangue é muito superior à população de toda a região.

Mito nº 4: As Cruzadas não passaram de colonialismo medieval enfeitado com ornamentos religiosos.

É importante lembrar que, na Idade Média, o Ocidente não era uma cultura poderosa e dominante, que se lançava sobre uma região primitiva ou atrasada. Era o Oriente muçulmano que era poderoso, próspero e opulento. A Europa era o terceiro mundo. O Reino Latino de Jerusalém, fundado após a Primeira Cruzada, não era um latifúndio católico incrustado em terras muçulmanas, como depois viriam a ser as terras de plantio em algumas colônias ibéricas ou inglesas na América. A presença católica nesse Reino sempre foi mínima: menos de um décimo da população. Católicos eram os governantes, os juízes, alguns mercadores italianos e os membros das ordens militares: o resto, a imensa maioria da população, era de muçulmanos. O Reino de Jerusalém não era uma colônia agrícola nem industrial, como depois viriam ser as da América ou da Índia: era apenas uma cabeça-de-ponte fortificada.

A intenção primordial dos Cruzados era defender os Lugares Santos na Palestina – principalmente Jerusalém – e garantir um ambiente seguro para que os peregrinos cristãos pudessem visitá-los. Nenhum país europeu funcionava como metrópole, no sentido de manter relações de exploração econômica, nem havia na Europa quem se beneficiasse economicamente com a ocupação. Muito pelo contrário: as despesas das Cruzadas e da manutenção do Reino Latino de Jerusalém ceifaram pesadamente os recursos europeus. Como posto avançado, o Reino de Jerusalém manteve-se sempre atento ao seu papel militar. Enquanto os muçulmanos guerrearam entre si o Reino esteve a salvo, mas quando se uniram, conseguiram conquistar as fortalezas, capturar as cidades e em 1291 expulsar os cristãos definitivamente.

Mito nº 5: As Cruzadas combateram também os judeus.

Nenhum Papa jamais conclamou uma Cruzada contra os judeus. Durante a Primeira Cruzada, um grande bando de arruaceiros – que não fazia parte do exército principal – decidiu atacar as cidades da Renânia para matar e roubar os judeus dali. As razões para esse ato foram por um lado a pura cobiça, e por outro a falsa crença de que os judeus, por terem matado Jesus Cristo, eram também alvos legítimos das Cruzadas. O Papa Urbano II e os seus sucessores condenaram energicamente esses ataques, e os bispos locais – juntamente com o clero e os leigos – fizeram o que podiam para defender os judeus, embora com pouco sucesso. Algo parecido ocorreu na fase inicial da Segunda Cruzada, quando um grupo de renegados matou muitos judeus na Alemanha, até que São Bernardo os apanhou e pôs um fim a isso.

Essas falhas foram um infeliz subproduto do entusiasmo pelas Cruzadas, mas nunca o seu objetivo. Para usar uma analogia moderna: durante a Segunda Guerra Mundial alguns soldados cometeram crimes quando estavam em outros países (pelos quais, aliás, foram presos e punidos), mas isso não justifica dizer que o objetivo da Segunda Guerra foi o de cometer crimes.

Mito nº 6: As Cruzadas foram algo tão vil e degenerado que houve até uma Cruzada das Crianças.

A chamada “Cruzada das Crianças” de 1212 nem foi uma Cruzada nem consistiu num exército de crianças. Foi uma onda de entusiasmo religioso especialmente prolongada na Alemanha que levou alguns jovens – na maior parte adolescentes – a se autoproclamarem Cruzados e começarem a marchar rumo ao Mediterrâneo. Ao longo do caminho foram recebendo grande apoio popular, e a companhia de não poucos bandoleiros, ladrões e mendigos. O movimento se desmembrou quando chegou à Itália e terminou quando o mar se recusou a abrir-se para dar-lhes passagem... O Papa Inocêncio III não convocou essa tal “Cruzada”, pelo contrário: pediu insistentemente para que os não combatentes ficassem em casa e apoiassem o esforço de guerra apenas com jejuns, orações e esmolas. Nesse episódio, depois de louvar o zelo e a disposição desses jovens que tinham marchado até tão longe, mandou-os de volta para casa.

Mito nº 7: O Papa João Paulo II pediu perdão pelas Cruzadas.

É um mito curioso, porque João Paulo II – que já havia pedido perdão por todas as injustiças que os cristãos cometeram ao longo dos séculos – foi muito criticado justamente por não ter pedido perdão expressamente pelas Cruzadas. É verdade que João Paulo II pediu perdão aos gregos pelo saque de Constantinopla em 1204, durante a Quarta Cruzada, mas o Papa da época, Inocêncio III, também já tinha manifestado o seu pesar a respeito desse trágico incidente. Da sua parte, Inocêncio III fizera tudo para evitar que isso acontecesse.

Mito nº 8: Os muçulmanos, que conservam uma viva lembrança das Cruzadas, têm toda a razão em odiar o Ocidente.

De fato, o mundo muçulmano tem uma lembrança das Cruzadas tão boa quanto a do Ocidente, ou seja, uma lembrança incorreta. Isso não deve surpreender-nos, pois os muçulmanos obtêm a sua imagem das Cruzadas através mesmas histórias mal contadas que o Ocidente. O mundo muçulmano costuma celebrar as Cruzadas como uma grande vitória sua (aliás, eles venceram mesmo). Mas os autores ocidentais, envergonhados do seu passado imperialista, inverteram os papéis e passaram a pintar as Cruzadas como uma agressão e os muçulmanos como pacíficos sofredores agredidos. Fazendo isso, simplesmente omitiram os séculos de triunfos muçulmanos, e em seu lugar colocaram apenas o consolo do vitimismo.


Thomas F. MaddenDiretor do Departamento de História da Universidade de Saint Louis. É autor do livro A Concise History of the Crusades (Uma História concisa das Cruzadas) e co autor do livro The Fourth Crusade (A Quarta Cruzada).

Tradução: Quadrante

quinta-feira, abril 17, 2008

Buscar o equilíbrio

0 comentários

O exagero é um mal. Não saber o momento certo de fazer as coisas é um mal.

Se soubermos obedecer às horas de repouso, ao momento de comer, beber, caminhar, trabalhar, nossa saúde não será prejudicada (alem dos prejuízos advindos da herança genética).

Comer demais faz mal. Ficar empanturrado de comida oblitera a razão, amolece o corpo e a mente, embrutece. Não comer também é ruim.

Dormir muito não é nada bom, pois a preguiça nunca fez bem a ninguém. Entregar-se a lassidão enfraquece a vontade e termina por entregar o ser humano à prisão das sensações. Não dormir também não é bom. Envelhece, arruína a saúde e pode fazer enlouquecer.

O trabalho pode engrandecer o ser humano, se ele estiver assim realizando seus talentos. Mas ser um “workaholic” faz mal. Hoje em dia muitos estão tão envolvidos com seu trabalho que esquecem dos estudos, do lazer, da família, da vida espiritual. Tudo isso deve ser dosado. Equilíbrio é a chave do sucesso. Não trabalhar também faz mal. Devemos obter nosso pão com nosso trabalho, a partir de nossa contribuição à sociedade, seja tendo uma profissão ou administrando o lar. O importante é servir ao próximo tendo em mente que tais serviços são, no fundo, prestados a Deus. Daí a responsabilidade em procurar servir, em trabalhar e obter seu sustento honestamente.

Em tudo devemos buscar a parcimônia, o equilíbrio.

sexta-feira, abril 11, 2008

Alegria! O Verbo criou coisas lindas!

2 comentários

Algumas belas imagens da criação. Vida!


Photobucket
Uma criança

Photobucket
Uma nebulosa

Photobucket
Os animais

Photobucket
O homem



A mulher

Photobucket
O pôr do sol


Photobucket
O luar


Photobucket
A Terra


Gaudete!

quinta-feira, abril 10, 2008

Iluminados que me fazem chorar

6 comentários



Hoje em dia os homens vivem praticamente ajoelhados perante a “Deusa Ciência”. Mas ciência não é conquista da modernidade, já se fazia ciência muito antes disso. Apenas era uma ciência diferente, baseada no conhecimento Tradicional. A diferença é que os homens medievais, por exemplo, não tinham a prepotência de se acharem superiores a Deus ou mesmo de achar que Ele não existe. Por essa razão o que se fazia antes do advento do modernismo era uma Ciência com “C” maiúsculo e não uma ciência que tem entre seus representantes uma pessoa como R. Dawkins. Mas discorrer sobre conhecimento tradicional aqui não é possível. Até porque tenho pouco ou quase nenhum entendimento sobre o assunto. Recomendo a leitura de um pensador metafísico chamado Martin Lings, com seu livro “Sabedoria Tradicional e Superstições Modernas”, para entender melhor essa questão (tenho algumas ressalvas quanto a este livro, mas no que tange à questão da Ciência Tradicional, é bem interessante mesmo).


Não quero com esta crítica dizer que não gosto de ciência ou que não concordo com a pesquisa científica ou algo assim. Apenas não idolatro a classe científica transformando-os em deuses.

Há um trechinho de um belo artigo de Chesterton, no qual ele discorre sobre a ignorância do homem moderno sobre as coisas de antigamente (anteriores ao Renascimento):

“(...) imagine o homem moderno (o pobre homem moderno) que tivesse levado um volume de teologia medieval para a cama. Ele esperaria encontrar ali um pessimismo que não há, um fatalismo que não há, um amor à barbárie que não há, um desprezo pela razão que não há. Aliás, seria na verdade muito bom que fizesse a experiência. Far-lhe-á bem de uma forma ou de outra: ou o fará dormir – ou o fará acordar”.


Foi o pensamento iluminista com sua “ode a razão” (razão à maneira deles, não razão verdadeiramente) que quis tirar Deus do centro da vida do homem e colocar no centro...o homem mesmo!

Uma figura como Dawkins é fruto desse iluminismo que no fim das contas quer riscar a transcendência do mapa e colocar unicamente a razão humana (do ser humano decaído) como medida das coisas, como único meio de conhecer o universo. Daí surgem conceitos como o de “fé raciocinada”. Como se quem tem fé não tivesse razão! Ora ter fé é confiar, é ser fiel, é ter fidelidade. Você confia porque tem alguma razão para confiar. Como então a fé pode ser contrária a razão? Advirto logo que não estou falando aqui de crença, e sim de fé, de fides. Acredita-se em qualquer coisa ou pessoa, mas confiar, já é diferente. Às vezes você até quer confiar, mas não consegue. O homem tem sim que buscar usar a razão, só que a fé não se interpõe a isso. A fé em Deus é algo que até pode ter explicação racional (não sei se com a razão dos homens ou a de Deus), mas na verdade supera qualquer explicação.

As filosofias, ideologias e coisas do tipo podem ter aspectos positivos e negativos. Mas há sempre algo que se sobressai, para o bem ou para o mal. O que se sobressai no Iluminismo? Deus? O transcendente? Não. Sobrou o homem, com todas as suas mazelas...E agora, crescer como? Qual o referencial de Perfeição? Se o homem é a medida de tudo, então o ser humano torna-se o referencial. Aí está então uma das razões de nossa decadência.

Revolução francesa, cientificismo, racionalismo...estes os frutos do iluminismo! É de chorar!

terça-feira, abril 08, 2008

A beleza da vida é o amor

2 comentários
A vida é muito bonita. É triste passar por ela sem aproveitar o amor das criaturas, mesmo sabendo que elas irão embora ou que algum de nós vai embora antes. Sofrer todo mundo sofre, mas o melhor é ter vivido os bons momentos, ter aprendido a amar através das alegrias e das tristezas. Esse é um grande presente de Deus.

quarta-feira, abril 02, 2008

No verdadeiro amor não há lugar para o ‘eu’ e o ‘meu’

4 comentários
Photobucket


Convivendo com familiares, amigos, noivo, animais de estimação, obtenho valiosas lições de desprendimento e amor. Aprendo que quando existe amor, existe uma imensa vontade de fazer o outro feliz. Naturalmente eu busco então compartilhar meus bens, conhecimento e carinho. Claro que não é fácil às vezes. É sim um tremendo exercício a ser feito no cotidiano.

O verdadeiro amor não exige nada em troca e oferece ao que ama um profundo sentimento de deleite em dividir as bênçãos da vida com o ser amado. Mas eu não fico triste quando percebo que tenho que me esforçar para dividir o que tenho. Busco pedir forças aos Céus e então me prontifico a ser altruísta ou ao menos não tão egoísta por um tempo. E assim, de momento a momento, aos poucos, vou construindo um caminho mais bonito na convivência com as pessoas. Mas isso só acontece com a graça divina, pois por mim mesma nada de bom acontece.

É bom mesmo aproveitar a convivência com os mais chegados para exercitar esse desprendimento. Talvez esta seja uma forma de atingir as grandes alturas espirituais.