sexta-feira, agosto 29, 2008

Perseguição aos cristãos na Índia

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Em um momento como este que estamos vivendo, quando cristãos estão sendo perseguidos e martirizados na Índia, é muito bom ler algo como isto:


"Felizes os que são perseguidos por amor da justiça" (Mt 5,10) A morte de Cristo está na origem de uma multidão incontável de crentes. Pelo poder desse mesmo Jesus e graças à sua bondade, a morte preciosa dos seus mártires e dos seus santos fez nascer uma grande multidão de cristãos. Com efeito, nunca a religião cristã pôde ser aniquilada pela perseguição dos tiranos nem pelo assassinato injustificácel de inocentes: pelo contrário, sempre tirou disso grande fonte de crescimento.

Temos um exemplo em S. João, que baptizou Cristo e cujo santo martírio hoje festejamos. Herodes, esse rei infiel, quis, por fidelidade ao seu juramento, apagar completamente da memória dos homens a lembrança de João. Ora não só João não foi aniquilado como milhares de homens, inflamados pelo seu exemplo, acolheram a morte com alegria por amor da justiça e da verdade... Que cristão, digno desse nome, não venera hoje João, aquele que baptizou o Senhor? Em toda a parte do mundo, os cristãos celebram a sua memória, todas as gerações o proclamam bem-aventurado e as sua virtudes enchem a Igreja de perfume. João não viveu só para si e não morreu só para si.


Texto de Lansperge, o Cartuxo (1489-1539), religioso, teólogo. Sermão para a Degolação de S. João Baptista, Opera Omnia, t.2, p. 514s

segunda-feira, agosto 25, 2008

São Luís IX, Rei da França e Confessor

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25 de Agosto, dia de São Luís IX, Rei da França e Confessor (+ Tunísia, 1270)

Embora o calendário litúrgico registre considerável número de monarcas santos, talvez nenhum deles tenha realizado de modo tão completo a imagem ideal de Rei cristão quanto São Luís IX. Herdou a coroa com 12 anos, assumindo a regência sua mãe D. Branca de Castela, dama de excepcionais virtudes. Dizia ela ao filho que preferia mil vezes vê-lo morto a vê-lo manchado por um pecado mortal. Fiel aos ensinamentos maternos, São Luís foi sempre homem de muita oração e piedade. Era modelo de governante, de guerreiro e de legislador.

Considerava um dos principais deveres do monarca fazer justiça aos súditos, e por isso costumava sentar-se todos os dias à sombra de um carvalho, e ali atendia a todos os queixosos que se apresentassem, qualquer que fosse a condição social deles. Realizou duas Cruzadas para libertar a Terra Santa da opressão maometana, e morreu durante a segunda delas, vitimado pela peste.

Tão grande era seu prestígio moral que, tendo caído prisioneiro dos maometanos, estes o tomavam como juiz para resolver pendências que tinham entre si. Mandou construir em Paris a "Sainte Chapelle", um dos mais belos monumentos da arquitetura medieval, para guardar a Coroa de espinhos de Nosso Senhor.

Foi casado com Margarida daProvença, da qual teve onze filhos. Em 1864, o Príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, que trazia em suas veias o sangue de seu antepassado São Luís, casou com a Princesa Isabel, filha do Imperador D. Pedro II e herdeira do trono do Brasil. Em conseqüência desse casamento, a Família Imperial do Brasil tem a glória de descender, por linha direta, varonil e legítima, do grande rei cruzado.

Clique aqui para ler a história completa deste admirável santo.

sexta-feira, agosto 22, 2008

E TODAS AS GERAÇÕES ME PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA!

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Por Evelyn Mayer de Almeida

"E então Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão Bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo!" (Lc 1,46-49).


Este cântico mariano é conhecidíssimo entre os cristãos. Em todas as Bíblias têm e todos deveriam saber muito bem o que ele quer dizer.

Como todos sabem (cristãos e não cristãos), Maria foi escolhida para ser a Mãe do Salvador. Deus, em sua infinita bondade, criou tudo por amor e deu ao homem para que administrasse, mas este preferiu voltar-se contra Deus. Não foi a única 'espécie' que se voltou contra Ele. Também os Anjos, criaturas perfeitas e criadas por amor, voltaram-se contra o seu Senhor (é verdade que não todos, mas uma terça parte liderada por Lúcifer). O pecado encontrou espaço no mundo e Deus viu que seus filhos amados se afastavam Dele a cada dia mais e mais. Diante disto, prometeu a seu povo que não os deixaria viver em vão. No auge do Seu amor sublime, sonhou, idealizou e criou uma mulher que pudesse receber em seu ventre imaculado o Ser mais puro, mais Sublime, o Verbo de Deus, a Salvação Eterna: Jesus Cristo. Não poderia ser qualquer mulher (como alguns "cristãos" afirmam), mas A mulher.

Já no começo do Evangelho de São Lucas lemos que o Arcanjo Gabriel anunciou à Virgem a Encarnação; só que este anúncio não foi de qualquer jeito; Ele a saudou como a "Cheia de graça" (cf. 1, 28-38), e em seguida afirmou que Deus era com Ela, pois ela havia encontrado diante Dele graça. Deus se alegrou com Maria que não O decepcionou; ao contrário, colocou-se a serviço do seu Senhor, assumindo todos os riscos que sua decisão acarretaria. Tornou-se então Maria, naquele momento, a Filha, a Mãe e a Esposa da Trindade Santa.

O Arcanjo também contou a Maria nesta ocasião que sua prima Izabel estava grávida. Aquilo era um milagre, já que ela era tida como estéril (cf. Lc 1,36). Às pressas pôs-se a Mãe de Deus a serviço. Juntou suas coisas e foi cuidar de Izabel que já estava no sexto mês de gestação e ficou com ela o tempo necessário para seus cuidados. Chegando à casa de Zacarias, quando Izabel avistou Maria, João Batista, seu filho, último profeta antes de Cristo, nosso Senhor e Salvador, estremeceu no ventre de sua mãe a ponto de Izabel exclamá-la como a mais Bendita entre todas as mulheres. Diante da graça de Deus contida em Maria (porque Deus assim quis e fez) Izabel se humilha e reconhece as maravilhas do Senhor. Logo Nossa Senhora responde humildemente que o mérito não é dela, mas de Deus. Isto fica claro no famoso cântico "Magnificat" (leia Lc 1, 46-55).

Ora, podemos concluir que Deus, em seu infinito amor, deu-nos novamente a chance de vivermos uma vida plena. As portas do Céu foram abertas por Maria para que a Salvação chegasse a nós! Gosto muito da afirmação de São Luís Maria Montfort em seu livro "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem" quando diz: "Deus juntou todas as águas e fez o mar; juntou todas as graças e fez Maria." Estupendo!

E Jesus veio, viveu, proclamou ao mundo a Verdade, morreu numa Cruz para nos salvar do pecado, ressuscitou, prometeu que voltará para nos buscar, e mesmo assim o mundo continua indiferente a tudo isso. Não somente indiferente a Jesus, mas também com tudo o que seja Seu (e é claro que o homem está contido nisto também).

As formas de indiferença àquilo que é Divino são demonstradas a cada segundo para nós: luta pelo aborto, pelas pesquisas com células-tronco embrionárias, eutanásia, apelo à pornografia, à uma cultura de sexo depravado, à destruição dos lares, dos valores, da moral e da ética, à desvalorização do ser humano, à idolatria da natureza, do corpo, dos bichos, do dinheiro, dos bens materiais e de todo o tipo... Enfim, tantos absurdos colocados como "razão de ser" do homem do novo século. É a modernidade nada moderna cooperando para o seu mal próprio. Transmitem-nos isto de uma forma muito disfarçada, propondo de modo sujo que engulamos essas bizarrices como verdades supremas. E se alguém não aceitar, simples: exclua do grupo e culpe a retrógrada Igreja, pedra no sapato das "mentes livres".

Uma boa desculpa que se criaram para culpar a Santa Igreja foi dizer que o Estado é Laico, separado da Igreja, e, portanto esta não tem o direito a opinar em nada que seja referente a este. Só que não é esse o sentido primário da Doutrina Filosófica Laicista. O Laicismo (ou Secularismo) foi criado no intuito de separar o Estado da Igreja, permitindo que cada ser humano siga sua própria consciência. O Estado, por sua vez, teria uma posição neutra aos assuntos religiosos, zelando pela igualdade entre os cidadãos – em matéria religiosa –, permitindo que cada um professe sua fé livremente. Logo, o significado de laico não é ateu, mas separado. E esta doutrina insiste que todos têm o direito à liberdade de consciência (e aí eles "forçam a amizade" alegando que a Igreja oprime com seus dogmas, justo ela que tanto cooperou para o crescimento cultural e filosófico da civilização. Afirmam sem nexo algum que ela interferiu negativamente na idade média na política e nas Universidades e que por isto era urgente a necessidade de tal separação) e a liberdade de expressão, sendo todos iguais perante a Lei do Estado.

Claro que o Laicismo só é verdade no papel. Platão também idealizou uma sociedade politicamente perfeita que só ficou no papel. E nesta sociedade insana, o que vemos não é o respeito ao pensamento religioso, mas a saga pela sua extinção. Ou seja: aquela máxima de priorizar a liberdade de consciência e expressão só se limitou a quem está contra a Igreja. Todo o que se coloca a favor dela e/ou concorde com o que a mesma diz é um insano e deve ser linchado.

Pergunto-me que liberdade é esta que este Estado propõe, alegando surgir do autoritarismo eclesial, se ele mesmo está agindo conforme atesta a Igreja agir? Não é imaturo pensar, por exemplo, que por meu pai bater mim eu tenho que nele bater e assim alcanço minha liberdade? Ora, se a Igreja oprimiu, o Estado está oprimindo com este ideal ridículo. O Estado está usando a Igreja como "Judas em sábado de Aleluia" pra colocar nela os 'defeitos' que são deles.

Mas como a alegria de muitos é apenas opor-se à Igreja, surgiu por estes dias a mais nova moda: decretar o dia da Padroeira do Brail como um dia apenas para católicos! Isso mesmo. O ex-Deputado e Professor Victorio Galli criou um projeto de Lei (2623/07) onde retira o título de Nossa Senhora como Padroeira do Brasil. Sua tese para isto? "O País, por ser um Estado laico, não deve ter este ou aquele padroeiro". Certamente este Professor não sabe o que quer dizer Estado Laico. A Doutrina Filosófica diz que sobre os assuntos religiosos o Estado deve manter-se neutro, sem interferir-se (talvez porque na cabeça deles há o desejo louco de 'ensinar' a Igreja a não se meter também nos assuntos do Estado). Só que esta Lei é tão arbitrária e opressora que parte de uma mente presa ao preconceito religioso, uma atitude anti-católica e uma postura repressora onde não prima em momento algum pela liberdade, seja em que sentido entende-se isso. Como pode o Estado acusar a Igreja de opressora depois de pensar criar uma Lei grotesca como esta?

O autor do projeto confessa que alguns não católicos posicionaram-se a favor desta Lei (os protestantes). Engraçado ver os "evangélicos" (título dado por eles mesmos, assim como todos os outros títulos que eles mesmos se dão pautado em seu próprio "achismo" teologal) colocarem-se contra o Evangelho. Sim! Apoiando esta Lei, colocam-se contra o Evangelho. Por quê? Ora, a própria Virgem foi exaltada como a Bem-aventurada, e não só por sua Prima Izabel, mas pelo próprio Deus! Foi o Senhor quem a escolheu e quem a fez Bendita sobre todas as mulheres e em todas as gerações. Com que direito arbitrário podem então estes irmãos que se gabam de seguir plenamente as Escrituras passarem por cima desta verdade, opondo-se frontalmente à vontade Divina inspirada no cântico do Magnificat? Ah tá, talvez eles pensem que porque foi Maria quem o cantou, não é digno de mérito (mal sabem eles que Ela cantou do que o seu coração estava cheio. E não só seu coração, mas em seu ventre!).

Vale lembrar que o Professor é nada mais, nada menos, que um pastor da Assembléia de Deus e que também quis criar uma lei para "O dia do Evangélico". Pah! Então no Estado Laico não podemos ter uma Santa como Padroeira, mas vale criar o dia do Evangélico? Já pensou se a moda pega?

E daí que o Estado é Laico? Por causa disso não pode então ter uma Padroeira? Qual o mal em ter este Estado uma Padroeira? Já foi dito que ser laico não é ser ateu. Não sou eu quem digo, mas o próprio pensamento filosófico.

E Nossa Senhora só quer cooperar com a humanidade... Vejam vocês: quando o Papa João Paulo II consagrou a Alemanha ao Imaculado Coração de Maria (nação esta que sofria pelo comunismo) houve a queda do muro de Berlim. Ter uma nação consagrada a Nossa Senhora é estar certo de que ela nos indicará o caminho Àquele que é, que foi e sempre será. É ouvir sempre sua doce voz nos ensinando: "Fazei o que Ele vos disser!"

Com tanta coisa pra solucionar neste Brasil corrupto, de pouca renda, com uma educação de péssima qualidade, com tantas famílias sem o mínimo de condição pra viver, a gente tem que ler uma notícias desta? Faça-me o favor...

Matéria sobre a Lei 2623/07 disponível em http://www.clicnews.com.br/politica/view.htm?id=72961

Para citar este artigo:
ALMEIDA, Evelyn Mayer de. Apostolado Veritatis Splendor: E TODAS AS GERAÇÕES ME PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA!. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5065. Desde 8/18/2008.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Tal qual Narciso

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Há algum tempo atrás reli um texto do Professor de Filosofia Luiz Felipe Pondé, da USP, muito bom. Baseada neste artigo escrevi este post.


Enquanto o homem escolher estar no Caminho Dele, que Ele enviou como Seu Filho mesmo à terra, então há esperança de realizar no homem aquilo que Deus viu se realizar no humano Jesus. Porque Jesus foi o ser humano perfeito, o modelo de humanidade mesmo para cada um de nós e ao mesmo tempo é Deus. Isso tão fascinante, que me pergunto como é que não vi isso antes!

Eu não sei se em algum momento vivi essa “espiritualidade agônica” da qual fala o Pondé. Mas desde que me voltei para a Igreja passei a pensar em várias coisas nas quais não pensava antes. E dia desses me peguei pensando que só estou viva, só existo porque sou sustentada por Deus. Eu poderia cair no aniquilamento se Ele não me sustentasse. E pode acontecer também que eu fique separada Dele (no inferno). Isso é assustador! Muito! Pensando nisso me admiro em ver as pessoas vivendo como se nada tivesse tanta importância quanto seu jogo de futebol ou o vestido novo. Me admiro cada vez mais de ver que as pessoas à minha volta, a maioria, não pára mesmo para pensar no transcendente, no sentido da vida (ao menos é isso o que aparentam). Não é que eu não goste de diversão ou vestidos. É que não coloco isso em primeiro plano. É como foi colocado no texto, o ser humano fica “alienado do Bem” porque deseja o que não pode nunca lhe dar o verdadeiro conforto. Não repousa porque busca as coisas efêmeras. Só podemos repousar em Deus e enquanto isso não acontece vivemos sentindo falta, muita falta Dele, mesmo que não saibamos disso.

Pondé vê a cultura do bem-estar como narcísica e tem razão. Essa cultura é tão forte que causa estranheza que alguém queira se privar de doces na quaresma ou que não queira faltar a nenhuma missa de domingo. Pois hoje o que vale é sugar da vida até a última gota, como se nada mais tivesse sentido. Somente que a vida para estas pessoas é aquilo que há de mais mundano, vulgar até. Logo a gente vê que não há lugar aí para o cristianismo autêntico – digo isso porque há por aí um pastiche de cristianismo, com musiquinhas piegas, rock’n’roll na missa e pregações pseudo-sociais de cunho marxista entre outras barbaridades.

Há uma frase fantástica no texto dele: “o narcisismo só pode ser vivido como desespero da consciência mergulhada na própria miséria”.

Calculem então o tamanho da miséria na qual estamos mergulhados atualmente. Pois nunca vi sociedade mais narcísica do que a nossa.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Cada qual segundo suas capacidades

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Comentário ao Evangelho feito por Orígenes (cerca 185-253), padre e teólogo. Catequeses sobre o livro do Génesis 1,7

«Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os só a eles a um monte elevado» (Mc 9,2):

S. Tiago, testemunha da luz Nem todos os que contemplam Cristo são igualmente iluminados por ele, mas cada um na medida que pode receber a luz. Os olhos do nosso corpo não são igualmente iluminados pelo sol; quanto mais subimos a lugares elevados, quanto mais alto contemplamos o nascer do sol, melhor nos apercebemos da luz e do calor.

Igualmente o nosso espírito, quanto mais subir e se elevar para perto de Cristo, mais próximo se lhe oferecerá a luz da sua claridade, mais magnificamente e mais brilhantemente será alumiado pela sua luz. O Senhor disse de si próprio pelo profeta: «Aproximai-vos de mim, e eu me aproximarei de vós» (Zac 1,3) ...

Portanto não vamos todos a ele do mesmo modo, mas cada qual «segundo as suas próprias capacidades» (Mt 25,15). Se é com as multidões que vamos a ele, ele alimenta-nos em parábolas para que não enfraqueçamos de privação no caminho. (Mc 8,3). Se permanecemos a seus pés sem cessar, preocupando-nos apenas em ouvir a sua palavra, sem nunca nos deixarmos perturbar pelos múltiplos cuidados das obrigações (Lc 10,38s) ...; sem dúvida alguma que aqueles que se aproximam assim dele recebem muito mais a sua luz. Mas se, como os apóstolos, sem nunca nos afastarmos, «permanecemos constantemente com ele em todas as suas provações» (Lc 22,28), então ele explica-nos em segredo o que disse às multidões, e é ainda com mais claridade que nos ilumina (Mt 13,11s).

Enfim, se ele acha alguém capaz de subir com ele à montanha, como Pedro, Tiago e João, esse não é iluminado somente pela luz de Cristo, mas pela voz do próprio Pai.

sexta-feira, agosto 15, 2008

"Exalta os humildes"

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Ticiano "Assunção da Virgem Maria"

Comentário ao Evangelho feito por S. Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo leigo grego Homilia sobre a Dormição da Mãe de Deus.

"Exalta os humildes"

Era preciso que a Virgem fosse associada a seu Filho em tudo o que respeita à nossa salvação. Tal como ela o fez partilhar a sua carne e o seu sangue..., assim ela tomou parte em todos os seus sofrimentos e em todas as suas dores... Foi ela quem primeiro se tornou conforme à morte do Salvador por uma morte semelhante à dele (Rm 6,5). Foi por isso que, antes de qualquer outro, ela participou da ressurreição. Com efeito, depois de o Filho ter quebrado a tirania do inferno, ela teve a felicidade de o ver ressuscitado e de receber a sua saudação e de o acompanhar tanto quanto pôde até à sua partida para o céu. Depois da ascensão, ela tomou o lugar que o Salvador tinha deixado livre entre os apóstolos e os outros discípulos... Não convinha isso a uma mãe, mais do que a qualquer outra pessoa?

Mas era preciso que aquela alma santíssima se separasse daquele corpo sacratíssimo. Deixou-o e uniu-se à alma de seu Filho, ela que era uma luz criada uniu-se à luz que não teve princípio. E o seu corpo, depois de ter ficado algum tempo debaixo da terra, também ele foi levado ao céu. Era preciso, com efeito, que ele passasse por todos os caminhos que o Salvador tinha percorrido, que resplandecesse para os vivos e para os mortos, que santificasse a natureza em todos os aspectos e que, em seguida, recebesse o lugar que lhe convinha. Por isso, o túmulo o abrigou durante algum tempo; depois, o céu acolheu aquela terra nova, aquele corpo espiritual, mais digno do que os anjos, mais santo do que os arcanjos. E o trono foi entregue ao rei, o paraiso à árvore da vida, o mundo à luz, a árvore ao seu fruto, a Mãe ao Filho; ela era perfeitamente digna pois que ela o tinha gerado.

Ó bem-aventurada! Quem encontrará as palavras capazes de exprimir os benefícios que recebeste do Senhor e os que prodigalizaste a toda a humanidade?... Só lá em cima podem resplandecer as tuas maravilhas, nesse "novo céu" e nessa "nova terra" (Ap 21,1), onde brilha o Sol da Justiça (Ma 3,20) que as trevam nem seguem nem precedem. O próprio Senhor proclama as tuas maravilhas, enquanto os anjos te aclamam.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Quer saber mais sobre Idade Média?

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Se você quiser saber mais sobre Idade Média, não espere encontrar nada de verídico ou ao menos substancioso nos livros do MEC.

Muitos autores tendenciosos, ao escreverem sobre essa era histórica, tem como alvo atacar a Igreja; e para tal, não pensam duas vezes em deturpar fatos ... ou inventar outros.

Para se ter uma idéia do que foi essa verdadeira era de luzes, não deixe de visitar os seguintes blogs:


Glória da Idade Média
As Cruzadas
Castelos Medievais
Catedrais Medievais


Para comentar este artigo, acesse o blog fonte:

quarta-feira, agosto 13, 2008

Simbolismo do Sol

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Em todos os ciclos culturais surge o sol como símbolo mais constante da divindade. Aqueles que buscam uma explicação naturalista das religiões, em suas especulações, prendem-se, sobretudo, ao temor que causa ao homem primitivo os longos crepúsculos vespertinos, que antecedem as noites, como também a imensa satisfação do amanhecer, em que o sol ergue-se outra vez no horizonte.

Percorre o sol, durante o dia, diversas fases, a de ascensão e a de declínio. A noite penetra pelos abismos do mundo e vencendo todas as oposições, renasce outra vez, para outra vez realizar o mesmo ciclo.

Oferecia o sol o exemplo do herói em suas lutas constantes, mas vitorioso cada vez e cada vez vencido, numa luta eterna, com fluxos e refluxos, vitórias, derrotas e ressurreições.Esta pujança do sol seria para o homem primitivo o exemplo do extraordinário poder que ele possui, símbolo do máximo poder e, conseqüentemente, do poder supremo.

Não há que negar o aspecto positivo desta concepção naturalista. Realmente o sol é, em todas as culturas, o deus-herói, que conhece as vicissitudes, inclusive o holocausto, para ressurgir afinal, outra vez, vitorioso.

Encontramos esse símbolo na grande festa de Natal, da luz que cresce, crescite lux. É o sol invictos dos romanos, Apolo, o Helios dos gregos, Amon e Aton dos egípcios, que serviu de símbolo mais vivo na religião de Akenaton, no Novo Império Egípcio, há treze séculos antes de Cristo. No cristianismo, encontramos em S. Francisco estas palavras poéticas:

"Louvado sejas Tu, Senhor, com todas as tuas criaturas, principalmente o senhor Sol, meu irmão, que nos traz o dia e por meio do qual Tu iluminas; é belo e resplandece com o grande brilho de Ti, ó Altíssimo, ele traz a tua imagem. Louvado sejas Tu, Senhor, pela minha irmã Lua, e pelas estrelas, Tu as formastes no céu, luminosas, preciosas e belas."

Esta fraternidade cósmica entre os homens e as coisas do mundo é uma exaltação às participações que todas coisas, têm com as perfeições divinas. Toda a literatura clássica está cheia de hinos ao sol, e é ele sempre o símbolo da iluminação, da beatitude, da vitória do bem, etc.

Fonte da vida e de toda a ordem do nosso sistema solar, é o sol uma presença indireta da divindade junto a nós, daí o seu culto estar presente em todo o orbe, com as naturais variâncias dos diversos ciclos culturais.

Ao sol erguem-se Templos, como também as mais esperançosas orações humanas. A sua face resplandecente cega-nos, e se podemos sentir o benefício dos seus raios, não podemos vê-lo face a face, porque nos cega. Também face a face, nós criaturas finitas, não podemos ver a divindade, cuja luz resplandecente também nos cegaria.

Encontra-se assim, no sol, uma série de perfeições que uma, análise analógica, logo nos mostraria a significação simbólica, bem como a justificação do que exotèricamente estabelecem inúmeras religiões. (NA: No livro do prof. Anibal Vaz de Mello "O Evangelho à Luz da Astrologia" encontramos um estudo sobre os mitos solares nas diversas religiões, para onde remetemos o leitor desejoso de conhecer as particularidades das diversas crenças, bem como os pontos de encontro, tão bem evidenciados nessa obra.)

(Trecho do livro de Mário Ferreira dos Santos: Tratado de Simbólica. Editora LOGOS, 1956)

terça-feira, agosto 12, 2008

Veneração de imagens pelos cristãos primitivos

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Os apóstolos veneravam a imagem da Virgem Maria nas catacumbas de Roma, onde eles celebravam ocultamente:

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Veja como os primeiros cristãos veneram as sagradas imagens:

"Uma vez que evoquei a lembrança desta cidade [Paneas], não considero justo omitir uma narrativa digna de memória até para os pósteros. Com efeito, diz-se ter sido oriunda deste lugar a hemorroíssa que, conforme narram os santos evangelhos encontrou junto do Senhor a cura de seus males(cf. Mt 9,20ss; Mc 5,25; Lc 8,43). Mostra-se na cidade sua casa, e subsistem admiráveis monumentos da beneficência do Salvador para com ela.

Com efeito, sobre um rochedo elevado, diante das portas da casa, ergue-se uma estátua feminina de bronze. Ela tem os joelhos dobrados, as mãos estendidas para a frente, em atitude suplicante. Diante dela há outra estátua da mesma matéria, representando um homem de pé, sobre uma coluna, parece brotar uma planta estranha que se eleva até as franjas do manto de bronze; é o antídoto de doenças de toda espécie.

Assegurava-se que a estátua é imagem de Jesus; ela subsiste ainda até hoje, de sorte que nós a vimos ao visitarmos a cidade" (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,1-3. 375 DC)

"Não é de admirar que outrora pagãos beneficiados por nosso Salvador, a tenham erguido [a imagem do relato anterior], quando sabemos terem sido preservados ícones pintados em cores dos apóstolos Pedro e Paulo e do próprio Cristo. É natural, pois os antigos, segundo um uso pagão entre eles observado, tinham o costume de honrá-los desta maneira sem preconceitos, quais salvadores." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,4. 375 DC)

"Igualmente o trono de Tiago, o primeiro a receber do Salvador e dos apóstolos o episcopado da Igreja de Jerusalém e freqüentemente nas Escrituras é designado como irmão de Cristo (Gl 1,19; 1Cor 15,7; Mt 13,55), foi conservado até hoje e os irmãos da região sucessivamente o cercaram de cuidados. Deste modo realmente demonstram a todos a veneração que os homens de outrora e os atuais dedicavam e ainda dedicam aos homens santos, porque amados de Deus. Eis o referente a esta questão." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,19. 375 DC).

Fonte: Dicionário da Fé

Mais imagens aqui.

sexta-feira, agosto 01, 2008

A Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental

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Reproduzo aqui o texto escrito pelo Lord Tupiniquim sobre as impressões dele ao ler o livro How the Catholic Church built Western Civilization de Thomas E. Woods Jr, Ph.D. Os grifos são meus.

Acabo de concluir a leitura do livro How the Catholic Churc built Western Civilization de Thomas E. Woods Jr. Livro de leitura simples, rápida e agradável, no entanto, revelador de verdades que foram "esquecidas", ou seria melhor dizer, deliberadamente apagadas da memória dos contemporâneos.

Seleciono algumas verdades que foram e são sonegadas: o moderno pensamento econômico da Escola Austríaca (teoria subjetiva na formação dos preços) foi pela primeira vez formulada por pensadores escolásticos. A lei da inécia de Newton já está in potentia na obra dos pensadores cristãos. O apoio que a Igreja Católica deu à ciência durante séculos e séculos - que vai desde a construção das universidades ao apoio financeiro aos cientistas - quer sejam eles clérigos ou não. O número expressivo de clérigos cientistas em todas as áreas do conhecimento humano. A preservação do legado cultural do Ocidente durante a fase terrível após a queda do Império Romano por meio dos mosteiros - claro, houve também neste particular contribuição decisiva dos muçulmanos.

Além disso, a tese - que parecerá fantástica e pouco crível- mas inteiramente coerente com as fontes históricas é que o pensamento cristão - ao contrário das outras tradições sapienciais do mundo - favorece e FAVORECEU o surgimento da ciência moderna - o que explica o seu aparecimento e cultivo na Europa, onde o domínio cultural da Igreja Católica foi absoluto durante séculos. O fato principal é que a metafísica cristã propugna que o mundo natural é cosmos, é ordem, é inteligível. Além disso, a mensagem cristã dessacraliza radicalmente o cosmos (todo o universo físico), ao enfatizar que só Deus é transcendente. E Mais. O homem é o ápice da criação e dotado de razão, o dom maior dado por Deus a ele. Tal concepção do mundo permitiu aos cristãos e somente a eles investigar, de maneira inédita, com as poderosas armas da razão, o mundo circundante, tratando-o como matéria de investigação e não objeto de temor revencial, que o cristão só deve a Deus. Assim, a conclusão fantástica: o desencantamento do mundo que Weber coloca como fato da Idade Moderna, em especial após o Iluminismo, é na verdade, a própria metafísica cristã. O mundo já estava desencatado desde a pregação de Cristo - só os propagandistas querem que acreditemos que foi conquista da razão contra a Igreja Católica. Pelo contrário, foi conquista da razão em virtude da metafísica cristã e de sua defesa pela Igreja Católica durante séculos a fio.

Um outro fato paralelo e crucial: os escolásticos são retratados como pensadores de pouco importância teórica a repetir servilmente as verdades arisotélicas. Nada mais falso. A física aristotélica depois da síntese tomista foi rejeitada pela Igreja católica em 1277. O que poderia parecer um "erro" aos olhos modernos, visto que a Igreja Católica estaria censurando a livre circulação do pensamento de Aristóteles representou na verdade um ganho a longo prazo, visto que libertou os pensadores cristãos dos equívocos da física aristotélica dando início à livre investigação do mundo físico - o que a metafísica cristã já autorizava. Em suma: o livro é um tesouro precioso para quem quer saber a verdade sobre nós, sobre a civilização ocidental.