sexta-feira, abril 30, 2010

Corações fora de foco

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Os corações estão borrados, como que fora de foco. Estão sem rumo, perderam a direção. Não sabem mais de onde vem nem para onde vão. Sofrem, coitadinhos, tristes procurando quem os entenda. De tanto procurar, com o tempo alguns chegam a desistir.

O que falta a esses corações? O vazio que neles existe hoje não tem que existir para sempre.

Corações solitários, não pensem que estão realmente sozinhos. Existe amor, existe Alguém que os vê, os chama, os quer. Existe Alguém que com muito carinho moldou suas almas e seus corpos desde o início de tudo.

Corações fora de foco, afinem-se, olhem para o alto e busquem a única luz que pode aquecer a todos nós.

Coraçõezinhos não se entristeçam mais! O amor existe! Acreditem!
vida

quarta-feira, abril 28, 2010

Somos obrigados a buscar a perfeição

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Alguns trechos de um livro de Adolph Tanquerey sobre a obrigação do cristão de tender à perfeição. O texto completo está disponível aqui.
Os grifos são meus.
***



“Em matéria tão delicada importa usar da maior exatidão possível. É certo que é necessário e suficiente morrer em estado de graça, para ser salvo; parece, pois, que não haverá para os fiéis outra obrigação estrita mais que a de conservar o estado de graça. Mas, precisamente, a questão é saber se pode alguém conservar por tempo notável o estado de graça, sem se esforçar para fazer progressos. Ora, a autoridade e a razão iluminada pela fé mostram-nos que, no estado de natureza decaída, ninguém pode permanecer muito tempo no estado de graça, sem fazer esforços para progredir na vida espiritual, e praticar de vez em quando alguns dos conselhos evangélicos.”

“Assim, Nosso Senhor apresenta-nos como ideal de santidade a mesma perfeição do nosso Pai celestial: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito (...); assim pois, todos os que têm a Deus por Pai, devem-se aproximar da perfeição divina; o que não se pode evidentemente fazer sem algum progresso. E, em última análise, todo o sermão do monte não é mais que o comentário, o desenvolvimento deste ideal — o caminho para isso é o da abnegação, da imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo e do amor de Deus: “Se alguém vem a mim, e não odeia (isto é, não sacrifica) o seu pai, a sua mãe, a sua mulher, os seus filhos, os seus irmãos e até mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo (...). É necessário, pois, em certos casos, preferir Deus e a sua vontade ao amor de seus pais, de sua mulher, de seus filhos, de sua própria vida e sacrificar tudo, para seguir a Jesus: o que supõe coragem heróica, que não se possuirá no momento crítico, se a alma se não foi preparando para isso por meio de sacrifícios de superrogação. Não há dúvida que este caminho é estreito e dificultoso, e muitos poucos o seguem; mas Jesus quer que se façam sérios esforços para entrar pela porta estreita (...). Não será isto reclamar que tendamos à perfeição?”
S. Paulo lembra muitas vezes aos fiéis que foram escolhidos para serem santos: “ut essemus sancti et immaculati in conspectu eius in caritate” [Ef. 1, 4.]: o que certamente não podem fazer, sem se despojarem do homem velho e revestirem do novo, isto é, sem mortificarem as tendências da natureza perversa e sem se esmerarem em reproduzir as virtudes de Jesus Cristo. Ora isso é lhes impossível, ajunta São Paulo, sem se esforçarem por chegar “à medida do completo crescimento da plenitude de Cristo” [Ef. 4, 10-16]”

“São João, no último capítulo do Apocalipse, convida os justos a não cessarem de praticar a justiça e os santos a santificarem-se ainda mais [Ap. 22, 11].”

“Para triunfar dos nossos adversários, é necessário fazer mais do que o estritamente prescrito.”

“É absolutamente necessário subir ou descer; se se tenta parar, cai-se infalivelmente” [São Bernardo: Epist. XCI ad abates Suessione congregatos, n. 3

“Mas, se deixamos de fazer esforços por avançar, os nossos vícios acordam, retomam forças, atacam-nos com mais viveza e freqüência; e, se não despertamos do nosso torpor chega o momento em que, de capitulação em capitulação, caímos no pecado mortal. É esta, infelizmente, a história de muitas almas, como bem o sabem os diretores experimentados.”

“Há preceitos graves que não se podem observar em certos momentos senão por meio de atos heróicos. Ora, em conformidade com as leis psicológicas, ninguém é geralmente capaz de praticar atos heróicos, se não se foi antecipadamente preparando para isso com alguns sacrifícios, ou, por outros termos, com atos de mortificação.”

“Verifica-se, pois, de todos os lados esta lei moral que para não cair em pecado, é necessário evitar o perigo por meio de atos generosos, que não são diretamente objeto de preceito. Por outros termos, para acertar no alvo, é mister fazer a pontaria mais alto; e, para não perder a graça, é necessário fortificar a vontade contra as tentações perigosas por meio de obras de super-rogaçao, numa palavra, aspirar a uma certa perfeição.”

Quem (...) se permite a si mesmo tudo o que não é falta grave expõe-se a cair, quando se apresentar uma violenta e longa tentação: habituado a ceder ao prazer em coisas menos graves, é de recear que, arrastado pela paixão, termine por sucumbir, como o homem que vai costeando continuamente o abismo acaba por se despenhar.”

“Para não corrermos perigo de ofender a Deus gravemente, o melhor meio é afastar-nos das bordas do precipício, fazendo mais do que é preceituado, esforçando-nos por avançar para a perfeição”.

Quem tende, porém, à perfeição e se esforça por avançar, alcança larga cópia de merecimentos. Assim, cada dia aumenta o capital de graça e de glória; os seus dias de méritos: cada esforço tem como recompensa um aumento de graça na terra e mais tarde um peso imenso de glória”.

A melhor apologética é a do exemplo, quando se lhe sabe juntar a prática de todos os deveres sociais. E é também um excelente estímulo para os medíocres, que adormeciam na indolência, se os progressos das almas fervorosas os não viessem arrancar do seu torpor.”
vida

segunda-feira, abril 26, 2010

O que Aquino nunca disse sobre as mulheres

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Por Michael Nolan
Traduzido por Andrea Patrícia




Se a primeira vítima de guerra é verdade mal recebida, a primeira ferramenta do descontente é a mentira bem-vinda. Tais mentiras agrupam-se livremente ao redor de Tomás de Aquino. Aqui eu quero empregar duas freqüentemente encontradas na literatura feminista: que ele reivindica que as mulheres são machos defeituosos e que ele reivindica que o embrião humano masculino recebe uma alma racional mais cedo que a fêmea. Aquino não faz a segunda reivindicação em nenhuma parte, e para a primeira, não só faz ele não afirma isto, como nega nada menos que seis vezes.

Pode se desejar saber por que ele deveria achar necessário negar que a mulher é defeituosa. A resposta está em Aristóteles que, na sua consideração sobre reprodução, escreve que a fêmea é como se fosse um macho defeituoso. Como um teólogo Católico, Aquino acredita que Deus produziu a primeira mulher pessoalmente. Ela não pode ser então defeituosa. Ainda o nome de Aristóteles pela Idade Média evocava todo o respeito que o de Einstein evoca hoje em dia. O que ele disse sobre a fêmea ou qualquer outra coisa seria levado muito seriamente nas universidades medievais. Aquino tenta fixar o dito de Aristóteles em seu contexto e mostrar então diplomaticamente que tem uma aplicação estritamente limitada e que isso não implica que as mulheres são defeituosas.

A teoria de reprodução de Aristóteles identifica o sêmen corretamente como a substância reprodutiva masculina. Mas ele não sabia sobre a existência do óvulo que teve que esperar as pesquisas de William Harvey, um inglês do décimo - sétimo século que também descobriu a circulação do sangue. Aristóteles pensa que a substância reprodutiva feminina é uma fração muito pura do sangue menstrual. Ambas as substâncias, ele diz, são produzidas pelo corpo em um processo de concentração que requer calor. A substância masculina, o sêmen, está mais concentrada que a substância feminina. Aristóteles conclui que o macho possui mais calor do que a fêmea. A fêmea, de acordo com isso, está relativamente com falta de calor e este é o significado da declaração que a fêmea é um macho defeituoso. É, como pode ser visto, uma declaração muito limitada e não tem mais nenhuma significação geral que a afirmação de que às mulheres falta o poder muscular dos homens.

Porém, Aristóteles tem mais para dizer. Ele pensa que o sêmen masculino busca dominar a substância reprodutiva feminina e que isto causa a geração de uma criança masculina. Mas às vezes - manifestadamente em uns cinquenta por cento de ocasiões - o próprio sêmen é dominado, seja porque é fraco, seja porque a substância feminina resiste à sua ação, ou por alguma outra razão. Então uma criança feminina nasce. Em outra palavra, a criança feminina não é o que o sêmen masculino pretende e surge de algum fracasso na ação do sêmen.

Para ser justo com Aristóteles, deve-se adicionar que para ele este fracasso está embutido na natureza, tanto para as fêmeas quanto para os machos animais é requerido que se reproduzam e continuem as espécies. A fêmea não é verdadeiramente defeituosa, mas só como se fosse defeituosa.

A frase de Aristóteles “a mulher é como se fosse um macho defeituoso” veio para os escolásticos na tradução “femina est mas occasionatus”. Occasionatus é uma palavra não encontrada no latim clássico. Os escolásticos usam-na para falar sobre algo causado intencionalmente ou acidentalmente. Agora, os acidentes, em geral, são para o pior tanto quanto são para melhor, estamos falando de um acidente ‘feliz’. A frase, portanto, implica que há algo deficiente no feminino.Aquino, como já foi dito, leva o assunto tão a sério que ele lida com ela nada menos do que seis vezes. O tratamento principal é na sua Summa Theologiae (1, 92, 1). O problema surge quando ele está lidando com a criação do mundo. Ele pergunta se Deus deveria ter criado a mulher no começo do mundo. Embora a resposta manifesta a isto seja Sim, Aquino, no entanto, levanta algumas objeções a esta resposta. A primeira objeção é que Aristóteles afirmou que a mulher é um macho não “intencional” (occasionatus), e o que é involuntário está com defeito. Daqui resulta que a mulher é defeituosa. Ora, Deus não deveria ter feito alguma coisa com defeito, no início do mundo e, conseqüentemente, ele não deveria ter feito a mulher.

Aquino responde a objeção da seguinte forma. A mulher não pode ser planejada pelo sêmen masculino, mas certamente é planejada pela natureza. E já que Deus é o autor da natureza, a fêmea é planejada por Deus. Sendo planejada, não é defeituosa. Então Deus com razão fez a mulher no começo do mundo.

No que diz respeito à natureza da mulher ser algo com defeito e occasionatum, a força ativa do esperma masculino tem a intenção de produzir uma imagem perfeita de si mesmo no sexo masculino, mas se uma mulher deve ser gerada, isto é por causa de uma fraqueza da força ativa, ou por causa de alguma indisposição do material, ou mesmo por causa de uma transmutação [trazida] por uma influência externa... Mas, com respeito à natureza universal do feminino não é algo occasionatum, mas é por intenção da natureza ordenada para o trabalho de geração. Agora, a intenção da natureza universal depende de Deus, que é o autor universal da natureza. Assim, ao instituir a natureza, Deus produziu não só o masculino, mas também o feminino.

A passagem requer algum comentário. A frase “com relação à natureza particular da mulher é algo com defeito” pode sugerir aos ouvidos não habituados ao idioma escolástico que a natureza especial da mulher é defeituosa. Mas “natureza particular” significa o poder ou força de uma coisa particular, e aqui a natureza particular é o poder do esperma masculino. Não pode haver dúvida sobre este ponto, pois em sua Summa Contra Gentiles (3, 94) Tomás de Aquino afirma explicitamente que a natureza especial é o poder no sêmen.

A frase que diz que a fêmea é “pela intenção da natureza ordenada ao trabalho da geração” não deve ser tomada para significar que o homem não é então ordenado. Aquino defende explicitamente no mesmo artigo que tanto a mulher e quanto o homem têm coisas mais importantes a fazer do que procriar. Sua tarefa principal é conhecer e compreender o mundo em que vivem. Na verdade a razão pela qual os sexos são distintos é precisamente para que os indivíduos possam explorar o mundo à sua maneira. Pode-se notar o significado que Aquino dá a declaração do Gênesis que a primeira mulher foi formada do lado do primeiro homem. A mulher, diz ele, (Summa 1, 92, 3) não foi formada da cabeça do homem, porque ela não deve dominá-lo. Nem ela foi formada a partir de seus pés, para que ela não deve ser desprezada pelo homem, como se ela estivesse sujeita a ele como um servo. Em vez disso, ela foi feita a partir do seu lado, de modo a significar que o homem e a mulher devem ser unidos como aliados (socialis coniunctio).

A atribuição equivocada de que Aquino opina que o embrião masculino recebe uma alma racional, mais cedo do que a fêmea também surge de um comentário sobre Aristóteles. Aquino cita (na 3 sent., 3, 5, 2, co et ad 3) uma passagem do “História dos animais”, de Aristóteles, que diz que se um embrião é abortado, a articulação do macho pode ser percebida em quarenta dias, a da fêmea, após noventa dias. Ele cita a passagem, porque ele pretende argumentar que o corpo de Cristo foi completo em todos os detalhes, mesmo que pequenos, desde o momento da concepção, que os embriões restantes são apenas gradualmente articulados. Nem na declaração original de Aristóteles, nem no comentário de Tomás de Aquino sobre ele há qualquer referência à infusão da alma. Há mais de cinqüenta passagens em outras partes de Aquino, onde faz referência à infusão da alma racional. Em nenhuma dessas passagens ele faz qualquer distinção entre homens e mulheres.

No fim das contas então, aqueles que procuram por provas de que o Cristianismo via a mulher como defeituosa com relação ao homem terá que procurar em outro lugar, mas não em Tomás de Aquino.


MICHAEL NOLAN is Professor Emeritus in the Maurice Kennedy Research Center at University College, Dublin.

Original
aqui.

quarta-feira, abril 21, 2010

Filosofia da Música: Bach

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Vejam que beleza de entrevista esta concedida pelo Prof. Carlos Nougué sobre a música de Bach. Ele termina por falar da beleza, da transcêndencia, da espiritualidade, tudo relacionado à arte. Eu adorei a entrevista, aprendi e recomendo!
Achei muito interessante quando ele comentou sobre a diferença na arte Barroca e Renascentista, na questão moral: uma cobre os corpos, a outra descobre...

Está dividida em nove partes no Youtube:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9

quarta-feira, abril 14, 2010

Desânimo e renovação

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O desânimo é algo muito chato. Muito. Toda a inspiração, toda a vontade de vencer, de crescer, simplesmente some quando estamos desanimados. Mas é importante entender que é só uma fase.

Na vida as coisas são assim mesmo: vão e vem. Os sentimentos, os gostos, os pensamentos, tudo muda e hoje as coisas não são mais como eram ontem. Tudo passa, só Deus fica!

Sabendo disso fica mais fácil – ou menos difícil – passar por essa fase de falta desânimo, de pessimismo, de falta de vontade de fazer o que tem que ser feito e de lutar por melhoras na vida.

Nos momentos de desânimo, façamos como diz o santo e peçamos a Deus mais graças!

vida

segunda-feira, abril 12, 2010

Imagens para pensar no Mais Alto

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Algumas imagens que fazem pensar na grandeza da Criação. Para momentos de inspiração transcendente!








sexta-feira, abril 09, 2010

A tolerância criminosa

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“(...) Nem vai contra a natureza da paciência atacarmos, quando necessário, quem faz o mal; porque, como disse São João Crisóstomo (Hom. Op. imperf.) acerca daquilo da Escritura –
‘Vai-te satanás’ (Mt IV,10) – sofrermos com paciência as injúrias que nos atingem,
é digno de louvor; mas, é excesso de impiedade tolerar pacientemente as injúrias feitas contra Deus”.
(São Tomás de Aquino, Suma Teológica, 2a. 2ae., q. 136, a. 4, ad. 3).





Vejo por aí pessoas católicas muito interessadas no ecumenismo, mas de forma errada. Deixam que os membros de outras religiões digam todo tipo de barbaridade na sua frente, até mesmo dentro das igrejas, com a desculpa de que estão buscando o ecumenismo. Esquecem que ser ecumênico não é se juntar com os não-católicos para orar e cantar músicas dentro das igrejas simplesmente.

Creio que que quando se fala em ecumenismo está se falando em uma iniciativa que visa trazer de volta para a Igreja os hereges. Agora, cantar na Missa músicas de mentalidade própria de heréticos e aceitar que se fale mentiras sobre os santos e, pior de tudo, sobre a Santa Mãe de Deus, é um descalabro, uma infâmia tremenda!

Até mesmo músicas feitas por hereges que em suas horas vagas falam todo tipo de blasfêmia contra a Igreja e a Virgem Santíssima, tocam na Missa, e inclusive na hora da Eucaristia! Como algo assim pode acontecer?

Lembremos das palavras do santo: “é excesso de impiedade tolerar pacientemente as injúrias feitas contra Deus”.

vida

quarta-feira, abril 07, 2010

A poesia épica medieval captou o maravilhoso que latejava na realidade

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Por Régine Pernoud



Aquele que pretendeu que os franceses não tinham «a cabeça épica» ignorava a Idade Média. Nenhuma literatura é mais épica do que a nossa. Não só se inicia com a Chanson de Roland [Canção de Rolando], mas compreende mais de cem outras obras que são tão boas como ela e que continuam um tesouro a explorar.

Todas, ou quase todas, testemunham essa simplicidade na grandeza, esse sentido das imagens, que fazem do autor da Chanson um dos maiores poetas de todos os tempos.

O caráter da epopéia francesa é precisamente este tom simples e despojado que é o de toda a nossa Idade Média: os heróis não são nela semideuses, são homens, cujo valor guerreiro não exclui as fraquezas humanas.

Rolando ou Guilherme de Orange são seres todos cheios de contrastes, cuja valentia arrasta alternadamente desmesura e humildade, excesso e desalento.

Nossas epopéias não são um monótono desfile de indivíduos heróicos e de façanhas prodigiosas.

A valentia é nela estimada acima de tudo, mesmo a dos inimigos e dos traidores, e com ela o sentimento da honra, a fidelidade ao vínculo feudal.

Por isso os heróis da Chanson de Roland [Canção de Rolando] permanecem tão ricos em cores na nossa imaginação: Rolando, bravo mas temerário, Turpin, o arcebispo piedoso e guerreiro, Olivier, o Sábio, e Carlos, alto e poderoso imperador, mas cheio de piedade pelos seus barões massacrados e abatido por vezes pelo peso da sua existência «penosa».

O autor soube evocar esses personagens por imagens e gestos, não por descrições. Todos os pormenores que ele dá são «vistos» e fazem ver; esse estandarte completamente branco, cujas franjas de ouro lhe descem até aos joelhos, coloca melhor Rolando na beleza resplandecente do seu trajo do que o faria uma descrição minuciosa à maneira moderna.

Os feitos e os gestos dos heróis, seus pensamentos e preocupações são tratados em pinceladas claras e rápidas, com uma arte infinita nos pormenores como tal silhueta, cor, reflexo de um cobre ou o som de um tambor.

São as cintilações que jorram dos «elmos claros» durante a confusão de um combate, os rubis que luzem nas «maças dos mastros» da armada sarracena, ou ainda essa luva que Rolando estende a Deus no seu arrependimento e que o Arcanjo Gabriel agarra.


(Trecho do livro “Luz sobre a Idade Média”, de Régine Pernoud).

vida

segunda-feira, abril 05, 2010

Chesterton e a menininha

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Como eu gosto desta imagem! Quanta beleza em apenas uma fotografia! Adoro o contraste entre o tamanho do Chesterton e a miudeza da menininha, linda com sua mãozinha estendida entregando algo para ele. Gostaria de saber o que ela está entregando nas mãos dele e em quais circunstâncias foi tirada esta foto.

Para mim passa um ar de pureza, de doçura, de amor à vida.


Se Chesterton vivesse tão apressado que não tivesse um mínimo de tempo para dar atenção a uma coisinha tão pequenininha quanto esta menina, provavelmente não teríamos o prazer de contemplar uma imagem tão bela.

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Atualização em 21-12-10: soube por intermédio de um leitor - do site Mercabá -  que o presente da menininha é uma flor chamada dente-de-leão. A imagem vista aqui dá o título a foto de "The Gift of a Dandelion".
vida