domingo, abril 23, 2017

Comentários Eleison: Predições sobre a Igreja

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DX (510) – (22 de abril de 2017):

PREDIÇÕES SOBRE A IGREJA

Tudo no horizonte da Igreja é obscuro, obscuro.
Mas não tenha dúvida - Deus salvará a barca de Pedro.

Como seria de esperar, tem havido não pequenas reações de leitores ao retrato da Fraternidade Sacerdotal São Pio X "declinando lentamente", como apresentado em dois números recentes destes "Comentários". A reação mostra que nem todos os católicos estão cegos ou sem pensar. Aqui estão dois leitores especulando, um sobre o futuro próximo da Fraternidade, o segundo sobre o futuro mais distante da Igreja. Eis o primeiro:

A desestabilização, a confusão e o abrandamento das mentes dos sacerdotes e leigos da Fraternidade, infelizmente continuarão, e para muitos se tornará ainda mais doloroso, porque a liderança atual da Fraternidade perseverará e continuará seguindo em frente com o jogo que estabeleceu com os semiconservadores. A consagração dos bispos "urgentemente necessários" (Dom Tissier) não será mencionada. E quando a eleição dos superiores da Fraternidade já não puder ser evitada no Capítulo Geral normalmente previsto para julho de 2018, os atuais líderes da Fraternidade farão tudo o que estiver ao seu alcance para assegurar que sua busca pelo reconhecimento por Roma continue ininterrupta.

Dependendo de quantas orações sejam feitas para o resgate da fortaleza da verdadeira Fé construída pelo Arcebispo Lefebvre, o Deus Todo-Poderoso pode intervir com um milagre para salvá-la, mas humanamente falando, dir-se-ia que a podridão se alastrou muito para que ela seja salva. Assim, o apostolado mundial da Fraternidade necessita urgentemente de alguns bispos novos e mais jovens, mas como eles podem ser escolhidos para servir a verdadeira Fé anticonciliar sem se indispor com os romanos conciliares que são os únicos que podem dar à Fraternidade o reconhecimento tão desesperadamente perseguido pelo Quartel General da Fraternidade em Menzingen? O Arcebispo Lefebvre disse em 1988 que essa perseguição seria a "Operação Suicídio" da Fraternidade, mas desde quando os liberais ao fazerem cruzada já recuaram? A cruzada pela sua Admirável Nova Ordem Mundial é sua verdadeira religião, esqueça o catolicismo.

O segundo leitor pressupõe que o suicídio da Fraternidade é um trato feito, e ele olha para o futuro da Fé sem a Fraternidade, mais de um ponto de vista divino.

O silêncio que vem de Écône sobre a 'regularização' no momento é ensurdecedor. Parece que o acordo é, na realidade, um "fato consumado". Nesse caso, podemos agora voltar a nossa atenção para o longo caminho de recuperação e cuidado que os Refugiados Católicos Tradicionais certamente precisarão. Uma restauração da ordem a partir do caos e um bote salva-vidas para agarrar, enquanto o navio de Roma que afunda suga os fracos na fé para o fundo do mar. A Fé está diminuindo ou simplesmente se purgando daqueles que têm sido infiéis? Deus nos ajude!

Quando pensamos no futuro da Igreja hoje, devemos ter em mente que a situação é tão dramática que tudo pode acontecer, ou seja, que ninguém sabe de nada, porque se a Fraternidade que tem atuado como uma boia para a Verdadeira Fé por 40 anos está realmente afundando, então o que ainda impede a Roma Conciliar de sugar os fracos na fé até o fundo do mar? Mas Deus é Deus, e Ele pode intervir a qualquer momento e de várias maneiras para interromper o caminho da Sua Igreja para a destruição. No entanto, o pessimismo humano deste leitor parece bem justificado neste momento.

Menos fácil de entender é seu otimismo pelo futuro de uma restauração da ordem e o lançamento de um bote salva-vidas, se os Papas permanecerem conciliares. Pois se há alguma lição a extrair da história da "Resistência" desde 2012, é a extrema dificuldade de fundar uma obra católica sem a aprovação do que pelo menos parece ser a Igreja oficial. A Verdade Católica é imensamente forte por si mesma, mas sem o apoio e a proteção da Autoridade Católica, que é a autoridade de Nosso Senhor, a Verdade permanece altamente vulnerável. Por exemplo, dentro de uma estrutura de autoridade um sacerdote pode facilmente submeter-se a uma proposição com a qual ele discorda, mas fora de qualquer estrutura, ele pode facilmente contestar a sabedoria da mais sábia das proposições.

Paciência. O problema é insolúvel. Oremos e esperemos que o Deus Todo-Poderoso nos atordoe com a Sua solução!


Kyrie eleison.

sexta-feira, abril 21, 2017

Deus governa tudo


Louvai-o, sol e lua, louvai-o astros brilhantes! (Salmos, 148,3)

É Deus quem está no comando. Ele criou o universo inteiro e o governa desde então. Nada do que acontece está fora de Seu conhecimento, Ele é Onisciente e não abandonou o mundo após te-lo criado. Ele continua governando, cuidando, de tudo. É Ele quem julga, premia e castiga. É Ele quem perdoa, basta que o pecador se arrependa. Lembre-se: Ele está no comando.

quinta-feira, abril 20, 2017

Sobre a inépcia do brasileiro em perceber a verdade



Eu estava hoje mesmo conversando com meu esposo sobre este problema. Conhecemos pessoas, muito próximas, que correspondem fielmente ao quadro descrito no texto abaixo. 

Sobre a inépcia do brasileiro em perceber a verdade.

"Na maioria das vezes em que eu tento desfazer algum clichê acerca de qualquer assunto numa conversa com um brasileiro, seja sobre religião, filosofia, história, política etc., até que obtenho um certo sucesso no preciso momento em que o faço; contudo, trinta segundos depois (sério, mais ou menos isso) a pessoa já esqueceu completamente o que foi dito e passa a considerar o conteúdo do que lhe passei com os velhos olhos do que lhe era habitual. Isso acontece porque o brasileiro está morto para o Intelecto (ou Espírito). O Intelecto é a testemunha mais íntima; é aquele órgão, por assim dizer, que existe para compreender e fazer-se um com o objeto compreendido. Pessoas como essas, que tão logo você diz algo e elas esquecem, são pessoas que não possuem essa testemunha interior e vivem atreladas ao perpétuo fluxo de seus pensamentos e pulsões psíquicas (quando não aos movimentos puramente exteriores dos eventos físicos); o que equivale a dizer que elas são apenas uma minúscula parte de sua consciência. A vocação de todo o ser humano, pelo simples fato de ser um ser humano, é tornar-se um intelectual, porque o intelecto é o que há de mais alto e nobre nele; mas para o brasileiro essa potência parece ter se apagado completamente, o que é trágico, porque essa é a verdadeira e definitiva morte, a morte de sua essência mesma. O Brasil tornou-se um país de zumbis." (Roberto Santos).

terça-feira, abril 18, 2017

Comentários Eleison: Ressurreição Argumentada

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DIX (509) – (15 de abril de 2017):

Ressurreição Argumentada


Jesus ressuscitou dos mortos? Como diz a Escritura,
Eu não preciso de fé para argumentar que Ele o fez.

Na véspera do Dia de Páscoa, lembremo-nos de quão razoável é acreditar em um acontecimento tão extraordinário como o de um ser humano falecido irrompendo da sepultura por trás de uma pedra normalmente pesada o suficiente para impedi-lo de sequer sonhar em fazer tal coisa. Vamos, em primeiro lugar, ao "Como" teológico da Ressurreição, e depois ao histórico "Se" aconteceu.

Para os católicos que pela dádiva da fé sobrenatural acreditam que na Encarnação da segunda Pessoa divina da Santíssima Trindade, em plena posse da completa Natureza divina, uniu a si mesma uma natureza humana completa, fazendo duas naturezas numa Pessoa divina, não é difícil entender como a Ressurreição ocorreu. Na Cruz, a Pessoa divina verdadeiramente morreu, não em Sua Natureza divina imortal, mas em sua natureza humana, capaz de morrer como qualquer outro homem mortal pela separação de sua alma humana de seu corpo humano. No entanto, embora estes dois em Jesus Cristo pudessem ser separados um do outro, nenhum deles foi separado da Pessoa divina, razão pela qual os católicos recitam em seu Credo que Ele (corpo e alma) "sofreu e morreu", e que Ele (o corpo) "foi sepultado", e que Ele (alma) "desceu aos Infernos” (não o Inferno dos condenados, mas o Limbo das almas boas mortas que esperavam a morte redentora de Cristo para abrir para elas as portas do Céu fechadas por Adão e Eva). Como tanto o corpo humano quanto a alma humana de Cristo permanecem cada um deles unidos à Pessoa divina, pode não ter sido fácil para essa Pessoa morrer a morte atroz na Cruz, mas foi fácil reunir Sua alma humana com Seu corpo humano no sepulcro, para que Sua natureza humana voltasse à vida. E nenhuma pedra na Terra poderia ter sido pesada o suficiente para impedi-lo de voar imediatamente para Sua Mãe para consolá-la.

Mas será que uma alma deve então possuir o dom sobrenatural da fé para aceitar a realidade da Ressurreição? Não necessariamente. Se uma mente descrente, mas reta, considerar os argumentos meramente naturais tirados da psicologia natural e da história humana, ela pode facilmente concluir que somente algum evento pelo menos tão sensacional como a Ressurreição pode explicar os fatos como os conhecemos (e que ninguém diga que a Ressurreição é tão doce, pegajosa e agradável que ninguém precisa de argumentos! Os homens necessitam de argumentos! Deus não colocou nossas cabeças no topo à toa!).

Em primeiro lugar, vejamos a psicologia humana argumentando a partir dos Apóstolos. Durante três anos eles aprenderam a crer, confiar e amar o Mestre divino. Então ele é executado em público como um criminoso comum, depois do que todos eles fugiram no Jardim do Getsêmani. E depois da Paixão eles estão totalmente desanimados (Jo. XX, 19), algo absolutamente normal naquelas circunstâncias. No entanto, dentro de 50 dias aqui eles estão de volta a Jerusalém, enfrentando os judeus e convertendo-os a crer em Jesus Cristo, milhares de uma vez (Atos II, 41, IV, 4). E dentro de mais 300 anos esses Apóstolos e seus sucessores terão convertido o próprio Império Romano. Esses são os fatos da história. O que poderia ter acontecido e que fosse inferior a algo tão sensacional como a Ressurreição para explicar tal transformação psicológica de cães chicoteados (por assim dizer) em conquistadores do mundo?

Em segundo lugar, vejamos a história humana argumentando a partir dos judeus. Eles odiaram a Cristo e mataram-no, e eles têm-se esforçado para destruir Sua Igreja desde então. No entanto, dentro de 50 dias aqui estão seus seguidores, ordenando-os a serem batizados em nome de Jesus Cristo, usando a Ressurreição como seu principal argumento. Não seria a melhor maneira de detê-los mostrar o corpo morto de Cristo? E podemos duvidar que, então, assim como agora, eles não tinham todo o dinheiro, a polícia e o poder à sua disposição para encontrar algum cadáver se ainda estivesse ali para ser encontrado? Mas a Cristandade, em vez de ser parada, decolou. A única explicação que pode ser dada é que não havia nenhum cadáver para ser encontrado. A Ressurreição é verdadeira. Não é preciso sequer ter uma fé sobrenatural para aceitá-la. Então, Pedro estava certo – Atos II, 38 –: "Façam penitência e sejam batizados em nome de Jesus Cristo".


Kyrie eleison.

O que você chama de idade das trevas...

...eu chamo de Idade da Luz!


"(...) a era da humanidade onde os antigos conhecimentos foram preservados e novos foram desenvolvidos para que a era atual pudesse ser chamada de moderna. (...) desenvolvimento da ciência, da arte, arquitetura, literatura, filosofia, teologia, música, teatro, governos, os escritos antigos sendo preservados e copiados pelos monges copistas (a titulo de exemplo, os escritos de Platão e Aristóteles), as grandes navegações, as descobertas, as culturas conhecendo-se, o mundo moderno surgindo...".  Via

segunda-feira, abril 10, 2017

Comentários Eleison: Divindade transcendente

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DVIII (508) – (8 de abril de 2017):

DIVINDADE TRANSCENDENTE


Os homens orgulhosos não querem por Deus ser superados,
E ainda assim seus pensamentos são de longe por Deus sobrepujados.

Se há um momento do ano em que é especialmente adequado contemplar-se o sofrimento e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, esse momento é certamente hoje, na véspera do Domingo de Ramos, pouco antes da Semana Santa. E essa contemplação veio tornando-se mais necessária a cada ano nos últimos 50 anos, porque o sofrimento da Madre Igreja que apareceu com o Vaticano II se tornou cada vez mais escandaloso, cada vez mais misterioso. Todos precisamos lembrar-nos a nós mesmos de que Deus é misterioso; em outras palavras, que Ele vai infinitamente acima e além de nossas pequenas mentes humanas. Caso contrário, corremos o risco de recortá-lo e diminuir-lhe o tamanho até que se encaixe nessas mentes pequenas. "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos; nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, quanto os céus estão elevados acima da terra, assim se acham elevados os meus caminhos acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos" (Is LV, 8-9).    

Esta grande lição é ensinada no quinto Mistério Gozoso do Santo Rosário, quando, aos 12 anos de idade, Nosso Senhor se permitiu ser perdido por Sua Mãe e São José, a fim de lembrá-los de que Ele tinha de se ocupar dos negócios de Seu Pai. Sua Mãe não pôde entender – "Filho, por que procedeste assim conosco?" Ele causara três dias de intensa ansiedade a seus pais humanos: "Eis que teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição". Nosso Senhor respondeu-lhes como se eles tivessem ficado aflitos sem nenhuma razão – "Para que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai?”. Porém, tão intensa tinha sido a aflição de Seus pais que humanamente esta resposta não lhes fazia sentido – "E eles não entenderam o que lhes disse”. No entanto, Sua Mãe sabia que era melhor não fazer mais perguntas ao Filho. Em vez disso, Ela "conservava todas estas coisas em seu coração" (Lc II, 48-51), por ver que Deus estava certo, ainda que Ela não pudesse entender.

Para a futura cabeça da Igreja, a Pedra sobre a qual ela seria construída, a mesma lição sobre os caminhos de Deus que transcendem em muito os nossos precisava ser ensinada, ainda que de modo um tanto mais rude do que à Mãe gentil de Nosso Senhor. Bastante humanamente Pedro repreende Nosso Senhor por atrever-se a dizer aos Apóstolos que Ele subiria a Jerusalém para sofrer e morrer. A resposta de Nosso Senhor é contundente: "Retira-te de mim, Satanás!", Mas a explicação é essencialmente a mesma que foi para a sua Mãe, "não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens" (Mt. XVI, 21-23). Pedro, que acaba de ser nomeado Pedra da Igreja (Mt. XVI, 18-19), deve ser o último a pensar humanamente em vez de divinamente quando passar a governar a Igreja.

Mas, é claro, Nosso Senhor reconhece o problema dos seres humanos que pensam humanamente demais quando se trata das coisas de Deus. É por isso que, logo após a repreensão a Pedro, levou-o com Tiago e João até o Monte Tabor para, por meio de Sua Transfiguração, deixar a Divindade divina brilhar dentro da natureza humana. Assim, os Apóstolos poderiam em breve ser profundamente abalados pelo terrível deicídio em Jerusalém, mas três deles poderiam dar testemunho do que tinham visto com seus próprios olhos (cf. II Pedro I, 16-18), antes da Paixão, da Divindade que brilha de dentro do homem crucificado no Calvário.

E em nossos dias? Os católicos sabem que a vida da Igreja Católica é a continuação na terra da vida encarnada de Cristo na terra, de modo que em princípio eles sabem que assim como os 33 anos de Cristo terminaram com Sua Paixão e Morte, assim a Igreja também pode terminar seu tempo na terra pelo sangramento de todas as feridas até que seja praticamente extinta. No entanto, vê-lo na prática, ocorrendo diante dos olhos, pode abalar a fé de muitos homens bons – "Como é possível que esses Papas, esses Cardeais e esses Bispos sejam portadores da autoridade de Deus na estrutura de Sua única e verdadeira Igreja?". Claro que não são, em geral, seus portadores fiéis, mas onde mais estariam seus portadores estruturais? Paciência. Deus ainda estava lá, sendo arrastado para o Calvário, e então Ele ainda está ali, sendo arrastado para a Nova Ordem Mundial. Mas Ele ainda não deu a Sua última palavra!


Kyrie eleison.

terça-feira, abril 04, 2017

domingo, abril 02, 2017

Comentários Eleison: Declinando lentamente II

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DVII (507) – (1º de abril de 2017):

DECLINANDO LENTAMENTE – II


O mundo moderno perdeu completamente o seu rumo.
Não posso segui-lo e não me perder.

A carta original do autor dos EUA era muito mais longa do que trecho que o CE da semana passada retirou dela, e muitas coisas interessantes foram deixadas de fora. Estão aqui outros dois interessantes parágrafos, sobre escolas tradicionais e mulheres tradicionais. A grande lição é sempre a mesma – se eu não viver como penso, inevitavelmente pensarei como vivo. Paciência. Deus não nos pede o impossível, mas, por outro lado, Ele espera que façamos o melhor possível:

Talvez seja na educação que o modernismo está realizando a sua maior incursão no movimento tradicionalista. Todos os tipos de práticas modernas entraram em suas escolas sem que ninguém percebesse. A filosofia modernista psicológica e pedagógica dos anos 50 e 60 está sendo incorporada junto com todos os chavões e parafernálias usuais. Professores antiquados tornaram-se o problema. Um exército moderno de administradores, especialistas em currículo, especialistas em educação, psicólogos infantis, etc., estão agora no comando, prometendo, como de costume, fazer tudo melhor, especialmente em questões mundanas como avaliação de testes, colocação universitária e carreiras lucrativas. As escolas supostamente tradicionais estão se tornando cada vez mais indistinguíveis das escolas públicas.

A revolução social que acontece entre as crianças em nossas escolas diariamente é especialmente forte entre as jovens damas. Há uma virulenta nova cepa do feminismo tradicionalista. Muitas têm estado embebidas do veneno moderno da igualdade com os homens e competição contra eles. Desde a tenra idade elas são confrontadas com os homens. Elas querem competir contra eles, e elas pensam que podem fazer quase tudo o que um homem pode fazer. Pensam que o único teste para saber se uma mulher deve ou não fazer uma coisa é se ela é fisicamente capaz. O que quer que seja que a Tradição possa dizer sobre o papel das mulheres, elas prestam pouca ou nenhuma atenção. Elas acreditam nas mesmas mentiras que já arruinaram uma ou duas gerações. Elas têm a ideia de que podem ter uma carreira profissional altamente bem-sucedida em qualquer campo, e ainda serem uma boa esposa e mãe católica ao mesmo tempo. A velha frase “O lugar de uma mulher é em casa” não é mais ouvida nos círculos tradicionais, e na verdade é abertamente desprezada. Pior de tudo, nossas jovens senhoras estão ouvindo e aprendendo isso não do mundo, mas do nosso próprio círculo. Há muitas mulheres em posição de autoridade em nossas escolas e há muitas professoras. Isto é revolucionário, e dá um exemplo terrível para nossas jovens senhoras, que não pode ser superado por qualquer pregação que seja. No entanto, de que serve uma mulher vestir-se modestamente se agir como um homem de outra forma, especialmente social, econômica e politicamente? Alguns anos atrás, todos, não apenas os tradicionalistas, saberiam disso, mas agora aqui está sendo promovido como tradicional.

Então, o que há de errado com a educação moderna e seus métodos modernos? Resposta: o coração e a alma da verdadeira educação é a Fé Católica, que significa os adultos com o apoio da (verdadeira) Igreja usando sua autoridade para ensinar os jovens, por contato humano direto, em primeiro lugar como chegar ao Céu, em segundo lugar como viver vidas sãs como adultos no mundo, em conformidade com o chegar ao Céu. Quantos “administradores, especialistas em currículo, especialistas em educação e psicólogos infantis” ainda têm experiência da vivência em sala de aula, e quantos, menos ainda, têm a Fé? Por falta da Fé, a vivência nas salas de aula hoje é uma selva, cheia de bestas selvagens. Não admira que os “especialistas” fujam dela. São ignorantes e impotentes para educar.

E o que há de errado com as mulheres modernas? Homens modernos, que deixaram que elas saíssem do controle. Deus fez as mulheres para estarem sob seus homens, mesmo antes da Queda. Então, o que uma boa moça poderia fazer? Reze para São José e para Santa Ana – ambos encontraram esposos maravilhosos – para encontrar um marido que lhes possa respeitar. A mão de Deus não é encolhida pela maldade dos homens (cf. Is LIX, 1). E os homens? Vossas mulheres acharão muito mais fácil obedecer a vocês, se vocês mesmos obedecerem a Deus (I Cor XI, 3).

Kyrie eleison.

segunda-feira, março 27, 2017

Comentários Eleison: Declinando lentamente

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DVI (506) – (25 de março de 2017):

DECLINANDO LENTAMENTE I

Se eu não vivo à altura do que penso,
Para o nível de minha vida estarão meus pensamentos em descenso.


                Aqui segue um testemunho abreviado dos Estados Unidos, que coloca o dedo na ferida:

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X mudou sua imagem (“rebranded”), e não é mais a mesmo que era. Tal como a FSSPX original pertencia à Igreja Católica, assim a Neofraternidade pertence à Neoigreja. Para os mais velhos o suficiente para recordar, é como se fosse novamente o Vaticano II, mas ainda pior, porque desta vez não há ataque doutrinário direto nem um Concílio importante; em vez disso, a revolução está sendo propagada por uma lenta, quase imperceptível, transformação social.

Por enquanto mantém-se as aparências de Tradição, o Movimento Tradicionalista está sendo lentamente mudado desde dentro. As coisas externamente e materialmente parecem ser mais bem-sucedidas do que nunca, com quantidades crescentes de dinheiro e edifícios, mas interna e espiritualmente há decadência, porque a doença do modernismo está infectando imperceptivelmente as fileiras. Uma variedade de sintomas indica que o modernismo é o mesmo, como por exemplo, os novos e jovens sacerdotes de rostos felizes da Fraternidade que são como os "sacerdotes da paz" dos anos 60 e 70, como o chamava o grande Cardeal Mindszenty. Mas, ao contrário da geração anterior de sacerdotes, eles não têm masculinidade, assim como alguns dos principais professores leigos da Neofraternidade.

Assim, a Missa pode ainda ser Tradicional, mas toda a cultura ao seu redor é Novus Ordo. Os tradicionalistas querem preservar a Antiga Missa e os Sacramentos, e alguns também a moral do Catecismo, mas ao mesmo tempo eles querem ter tudo mais que o mundo moderno tem para oferecer. Isso faz com que muitos chamados católicos tradicionais, fora da Missa e dos Sacramentos, sejam em grande parte indistinguíveis dos suas contrapartes no resto do mundo moderno. As estatísticas são as mesmas quando se trata de divórcio, nulidade, "mães solteiras", etc. Se os tradicionalistas querem ir com o mundo moderno, não podem ficar com a verdadeira religião. É um ou outro.

Tal como é, o Movimento Tradicionalista está agora se abrindo ao mundo, a fim de se tornar socialmente aceitável e normal; e o processo de modernização está em andamento, lenta mas seguramente. Há uma nova e jovem geração a cargo, e eles estão mudando as coisas. Os velhos, excêntricos, embaraçosos intransigentes foram substituídos, e a Tradição tem uma nova imagem, um rosto jovem, feliz e amigável. A Igreja oficial teve seu “aggiornamento” há cinquenta anos, a Fraternidade está sendo atualizada hoje. A velha geração que lutou tantas batalhas para preservar as coisas está agora sendo substituída por uma nova geração que nunca conheceu o Novus Ordo, ou como ele veio a ser, e nunca teve de lutar por nada. Os jovens de hoje tendem a ter crescido em uma bolha tradicional, e têm muito pouco conhecimento da guerra de ontem, base da de hoje. Antes do Concílio, Bella Dodd testemunhou a infiltração comunista na Igreja. Estamos certos de que o mesmo não está acontecendo agora com o movimento tradicionalista?

Era tudo muito previsível. Não sendo infalível nem indefectível, a Fraternidade passa agora pelo que a Igreja atravessou há cinquenta anos – infiltração, compromisso, desintegração e o mesmo processo de autodemolição. O Arcebispo Lefebvre teria notado a mudança radical imediatamente, mas um grande número de sapos na panela da Fraternidade nem sequer notou o quanto a temperatura da água está subindo. O Arcebispo "transmitiu o que recebeu", mas como pode a nova geração transmitir o que não está mais recebendo? Portanto, ouvimos agora que a "inevitável reconciliação" está ao alcance da mão. A FSSPX será aceita como parte da Neoigreja, e, inversamente, terá de aceitar a Neoigreja. Agora será apenas uma das muitas capelas laterais do Panteão da Nova Ordem Mundial. E, quanto à "reconciliação", qual lado cedeu ao outro? A Igreja Conciliar tornou-se católica? Longe disso!

Veja na próxima semana outros exemplos da mesma testemunha.


Kyrie eleison.

As portas de Wiktor Bernatowicz





sábado, março 25, 2017

Meu Senhor, muito obrigada pela Virgem Santíssima!



Meu Senhor, meu Deus, muito obrigada por ter criado a Virgem Santíssima, Mãe Amável, tão pura, tão misericordiosa! quisera eu amá-la por todos aqueles que ainda não a amam!

Meu Deus, o Senhor que ama a pureza só poderia ter criado para ser mãe do Vosso Filho uma mulher puríssima, imaculada, perfeita! Que riqueza! O Senhor que criou o céu, o mar, todo o universo tão lindo, criou também a mais bela mulher de todos os tempos. O Senhor quis nos dar como mãe Vossa filha mais amada, esposa do Espírito Santo, a mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, O Salvador! Como poderei agradecê-Lo o bastante? Sinto que por mais que eu agradeça, ainda não é o bastante, mas não importa, agradeço assim mesmo.

Obrigada, Senhor! Que esta Mãe Amorosa rogue por todos nós, principalmente pelos que mais precisarem.


Salve 25 de março! Salve Maria Santíssima!

quinta-feira, março 23, 2017

Chesterton lança seu encantamento sobre Tolkien

Tradução do artigo Chesterton Casts a Spell on Tolkien, escrito por Joseph Pearce.

Traduzido por Ageu Marinho
O grande G. K. Chesterton teve um impacto formidável em mim para que abraçasse a doutrina Cristã. Não seria, de fato, exagero algum dizer que ele foi a maior influência individual, abaixo da graça, na minha conversão. Assim, fiquei extremamente grato por descobrir, durante as pesquisas para o meu livro Literary Converts [nota do tradutor: algo como Os Convertidos pela Literatura], que Chesterton também fora uma influência significativa nas conversões de muitos outros, incluindo escritores como Maurice Baring, Ronald Knox, e Graham Greene, bem como o ator Sir Alec Guinness.
Ele também foi uma influência marcante sobre C. S. Lewis, que havia descoberto Chesterton durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto se recuperava num hospital de campanha, na França. Pouco depois foi a obra seminal de Chesterton, O Homem Eterno, que permitiu a Lewis enxergar o panorama de história Cristã que estava colocado diante dele de uma forma que fizesse sentido, uma epifania que foi um marco significativo na jornada de Lewis para a conversão Cristã. Foi, todavia, aquela famosa “longa conversa noturna” entre Lewis, J. R. R. Tolkien e Hugo Dyson em setembro de 1931 que se provou decisiva para a aceitação do Cristianismo por parte de Lewis. O tópico daquela “conversa noturna” foi o que eu chamo de “ a filosofia do mito de Tolkien”, uma compreensão da inestimável verdade a ser descoberta nos mitos e contos de fadas. Foi essa filosofia subjacente que daria forma ao trabalhos de Lewis e Tolkien nos anos que se seguiriam, e desse modo abençoaram a civilização com jóias literárias, tais quais O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Narnia. Embora essa “conversa noturna” seja merecidamente celebrada por ter semeado as sementes de tão belos frutos literários, não é tão amplamente sabido que a “filosofia do mito de Tolkien” é ela mesma um fruto das sementes plantadas por Chesterton na sua obra Ortodoxia, publicada em 1908, quando Tokien tinha dezesseis anos de idade.
Quando jovem, Tolkien foi um ávido leitor de Chesterton. Ele deve ter conhecido bem a obra Ortodoxia. Não é de surpreender, portanto, que muitas das convicções próprias de Tolkien a respeito da filosofia do mito, segundo foram delineadas em sua importante preleção publicada On Fairy Stories [N. do T.: Sobre Contos de Fadas, ensaio contido no livro Árvore e Folha], são encontradas no capítulo da Ortodoxia intitulado The Ethics of Elfland [N. do T.: livremente traduzido neste texto como A Ética no País das Fadas]. Pegue, por exemplo, a asserção de Tolkien na sua preleção, de que os contos de fadas “estavam evidentemente envolvidos em primeiro lugar não com a possibilidade, mas com a qualidade de ser desejável,” e a compare com estas linhas de A Ética no País das Fadas:
As coisas em que eu mais acreditei então [quando ele era uma criança], as coisas em que eu mais acredito agora, são aquelas coisas chamadas contos de fadas. Elas parecem-me coisas completamente razoáveis. […] O país das fadas não é nada além do que o território ensolarado do senso comum. Não é a terra que julga o céu, mas o céu que julga a terra; então ao menos para mim não era a terra que criticava o país das fadas, mas o país das fadas que criticava a terra.
A asserção de Tolkien de que os mitos ou contos de fadas estão principalmente interessados em ser desejáveis encaixa-se com a asserção de Chesterton segundo a qual o país das fadas encaixa-se com o céu, no sentido de que o país das fadas é o domínio da retitude moral, o reino da bondade, verdade e beleza, o qual todo bom homem anseia. É o céu (o lugar da perfeição permanente) que julga a terra (o lugar da imperfeição transitória). É o bem que julga o mal (e é bom que ele o faça). É o verdadeiro que julga o falso; é o belo que julga o feio.
Esta verdadeira ordem das coisas, a qual o céu e o país das fadas compartilham, é o modo como as coisas deveriam ser, é o que ajusta os nossos eixos morais, o que põe as coisas de volta ao caminho certo, ou com o lado certo virado pra cima. Se esta nobre ordem das coisas é revertida de forma que o mal presida o julgamento do bem e o falso julgue o verdadeiro, nós estamos na presença do caos que o dragão traz, ou do feitiço maligno da bruxa. Dragões e bruxas adotam muitas formas, no nosso mundo assim como no mundo das fadas. Como Tolkien declara, a verdadeira ordem das coisas encontrada nos contos de fadas é algo para ser desejado, especialmente num mundo como o nosso, que está cheio de dragões e em desesperada necessidade de caçadores de dragões. Esta qualidade de ser desejável que têm os contos de fadas não apenas se encaixa com as coisas do céu que podem ser ditas “dove-winged”, para tomar emprestada uma expressão de Hopkins, à medida que é uma semente de desejo plantada pelo Espírito Santo para nos guiar até Ele. Nesse sentido, aqueles que viram suas costas para os contos de fadas estão virando suas costas para o céu.
Há, não obstante, um sentido no qual aqueles que viram suas costas para os contos de fadas também estão virando suas costas para o próprio mundo no qual vivem porque, como Chesterton insiste, nós não vivemos no melhor de todos os mundos possíveis, mas no melhor de todos os mundos impossíveis. Se tivermos os olhos da humildade, os olhos do espanto, nós perceberemos que estamos vivendo num conto de fadas, e não apenas qualquer um desses velhos conto de fadas, mas no melhor de todos os contos de fadas. Em “A Ética no País das Fadas”, Chesterton procura nos lembrar que “a vida era tão preciosa quanto era surpreendente”: “era um êxtase porque era uma aventura; era uma aventura porque era uma oportunidade.” Não importava se nós nos considerávamos pessimistas ou otimistas. O que importava era que nós estávamos na história da vida e deveríamos ser gratos por isso:
A bondade do conto de fadas não foi afetada pelo fato de que haveriam mais dragões que princesas; era bom estar num conto de fadas. A prova de toda felicidade é gratidão; e me senti grato, embora eu dificilmente soubesse a quem. Crianças são gratas quando o Papai Noel põe nas suas meias brinquedos ou doces de presente. Poderia eu não ser grato ao Papai Noel quando ele coloca nas minhas meias duas pernas milagrosas de presente? Nós agradecemos às pessoas pelos charutos e chinelos de presente de aniversário. Posso não agradecer a ninguém pelo presente de aniversário de ter nascido?
Para reformular a prosa lucidamente bela de Chesterton na linguagem do filósofo e teólogo, podemos dizer que a gratidão é o fruto da humildade e que ela abre os olhos para o admirável presente da maravilha. É somente quando nossos olhos estão abertos desta maneira que podemos verdadeiramente ver e apreciar o maravilhoso conto de fadas no qual nos encontramos. Esta realidade crucial, que está no coração do verdadeiro realismo a ser encontrado nos contos de fadas, estava enfatizada de maneira igualmente forte por Tolkien na sua aula publicada. Ao discutir o dom do que ele chama “recuperação”, nos contos de fadas, as palavras de Tolkien são um reflexo exato das de Chesterton:
Recuperação (que inclui a devolução e renovação da saúde) é uma reconquista — reconquista de uma visão limpa. Eu não digo “ver as coisas como elas são” juntando-me assim aos filósofos, todavia aventuro-se a dizer “ver as coisas da forma como nós estamos (ou estávamos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em qualquer caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam estar desembaraçadas do borrão pardo da banalidade ou familiaridade — da possessividade. […] Essa banalidade é na verdade o castigo pela “apropriação”: as coisas que são repetitivas, ou (num mau sentido) familiares, são as coisas que nós temos nos apropriado, legalmente ou mentalmente. Dizemos que as conhecemos. Elas se tornam aquelas coisas que uma vez nos atraíram por seu brilho, ou sua cor, ou formato, e nós lançamos mãos sobre elas, e as trancamos em nossos mealheiros, as adquirimos, e as adquirindo deixamos de olhar para elas.
Essa cegueira singular, que Tolkien satirizaria com grande efeito em seu próprio grande conto de fadas, O Hobbit, apelidando ela de doença do dragão, é a mesma cegueira para as maravilhas da vida sobre a qual Chesterton escreve. Aqueles que não têm a humildade para enxergar com os ohos de espanto não estão apenas cegos para os brinquedos ou doces de presentes, ou charutos e chinelos, mas até mesmo para “a dádiva das duas pernas milagrosas” com as quais eles andam, ou para o maravilhoso “presente de aniversário de ter nascido” com o qual eles têm sido abençoados.
Considerando a congruência entre o senso de gratidão e encanto e a discussão de Tolkien de “recuperar” e a reconquista de uma visão limpa, não deveria ser nenhuma surpresa que Tolkien continue sua própria discussão pagando tributo à “Fantasia Chestertoniana” que “foi usada por Chesterton para denotar a estranheza das coisas que têm se tornado banais, quando elas são repentinamente vistas a partir de um novo ponto de vista.” Há poucas dúvidas de que Chesterton habilitara o jovem Tolkien a enxergar a realidade a partir de um novo e surpreendente ponto de vista quando este lera pela primeira vez Ortodoxia. Sua influência inspiraria o futuro do autor de O Senhor dos Anéis a formular sua própria visão de “A Ética no País das Fadas”, expressada na preleção “Sobre Contos de Fadas” e em suas próprias histórias magníficas. Não há dúvida de que o grande G. K. Chesterton lançou um encantamento sobre o grande J. R. R. Tolkien pelo qual todos os amantes da Terra-média deveriam estar inestimavelmente agradecidos.

Joseph Pearce é um colaborador senior no The Imaginative Conservative. Ele é escritor em casa e diretor do Center for Faith and Culture at Aquinas College in Nashville, Tenessee. Suas obras incluem a recém-publicada biografia de Chesterton: Sabedoria e Inocência: Vida de G. K. Chesterton


www.sociedadechestertonbrasil.org

terça-feira, março 21, 2017

Oscar Wilde morreu católico


A conversão de Oscar Wilde

Depois de uma juventude de homossexualidade e escândalos, o escritor inglês se arrependeu ao fim da vida e morreu recebendo os sacramentos da Igreja.

Por Francesco Agnoli | Tradução: Equipe CNP — No dia 30 de novembro de 1900, morria, em Paris, o escritor Oscar Wilde, autor do famoso romance "O Retrato de Dorian Gray". A sua figura é frequentemente instrumentalizada e mal compreendida, tanto na profundidade de sua obra quanto no drama de sua vida. Por isso, pode ser útil recordar ao menos algumas coisas.
Wilde nasce em Dublin, no atual território da Irlanda, em 16 de outubro de 1854. O seu pai, sir William, é um médico de muito renome, que "muda com mais frequência de amante que de camisa". Sua mãe, Jane, "não é muito dada ao cuidado da casa, nem à educação moral dos filhos" [1].
William e Jane vivem uma relação "aberta", com todas as suas consequências. Quando Oscar nasce, a mãe, "que esperava ardentemente uma menina", fica desiludida e termina projetando sobre o filho homem os seus desejos: o pequeno Oscar é vestido como menina, "enfeitado com laços e rendas", e sofre tanto com as imposições da mãe quanto com a ausência do pai. Muitos biógrafos jogam luz sobre o fato de que Wilde tinha interiorizado uma figura negativa de pai, e isso o impediu de desenvolver plenamente a sua virilidade e o seu senso de paternidade. O escritor vai acabar procurando, em outras figuras masculinas, o pai que nunca teve, além de ser, dentro da própria família, o marido infiel e o pai ausente que ele tanto desprezava em seu pai.
Wilde logo se separa de sua família e vai para a universidade, primeiro ao Trinity College, de Dublin, e depois a Oxford. Em certos aspectos ele vai continuar sendo "uma eterna criança", incapaz de "amadurecer, pelo menos no plano afetivo".
Seu pai não é para ele objeto de admiração. De fato, Oscar não aprova "a libertinagem desenfreada do pai e não exclui que, justamente como reação aos excessos paternos, ele tenha concebido desde a adolescência uma espécie de relutância a estabelecer relações de compromisso com as mulheres". Ele se casará, amará a sua mulher, mas, assim como o seu pai, jamais conseguirá fazê-lo verdadeiramente, alternando os remorsos e o desejo de reatar o casamento com a insegurança e a instabilidade de suas múltiplas e fugazes relações com mulheres, homens e adolescentes. O vértice de sua depravação – como ele mesmo dirá – levará o escritor, depois do sucesso, à prisão, bem como a uma saúde frágil, graças ao uso prolongado de álcool... até o fim dos seus dias.
Encarcerado em 1895, depois de ser acusado de relações homossexuais com vários adolescentes e prostitutos, Wilde escreve da prisão à sua mulher, Constance: "Perdoa-me... os meus pecados têm sido tremendos e imperdoáveis". Wilde sente vergonha da sua vida passada, anela por sua regeneração, por seu renascimento, faz com que lhe dêem um Evangelho, os escritos dos cardeais Newman e Manning, a História dos Papas... e planeja escrever, uma vez fora do cárcere, alguma coisa sobre São Francisco, quase como uma reparação por sua "selvagem perseguição do prazer que torna áridos o corpo e o espírito". Em 1897, ele escreve uma carta ao seu amante, o lorde Alfred Douglas, que leva o título De profundis – as palavras iniciais do Salmo 130.
Em 30 de novembro de 1900, Oscar Wilde morre, depois de ter entrado para a Igreja Católica— da qual sempre havia sido admirador confesso — e de ter recebido o sacramento da Extrema Unção [2].
Assim como Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Joris-Karl Huysmans (que depois se tornará oblato beneditino), todos tendo passado, uns mais outros menos, por um forte relacionamento com a fé religiosa, também Wilde não pode ser compreendido senão remontando à sua pergunta: são os prazeres do mundo, os "frutos terrestres", que saciam a fome do homem, ou, ao contrário, a nossa "inquietude", para citar Agostinho, é saciada somente pelo encontro com Deus?
Reportamos abaixo algumas frases de seu livro De profundis, escrito quando o poeta já não estava mais sobre um palco, mas debaixo do pedestal sob o qual ele mesmo quis se meter, para ser, por si mesmo, o sentido da própria vida; escrito quando, no lugar dos prazeres sensuais e da dissipação, restaram apenas a dor e a solidão; quando a tentativa de construir uma vida esplêndida, para além do bem e do mal, "como se Deus não existisse" e "tudo fosse permitido", terminou se revelando um fracasso:
"Devo dizer a mim mesmo que eu me arruinei, e que ninguém, grande ou pequeno, pode ser arruinado, exceto por sua própria mão. Estou quase pronto para dizê-lo. Estou tentando dizê-lo, ainda que, no presente momento, talvez não seja o que pensem. Essa cruel acusação eu trago sem piedade contra mim mesmo. Foi terrível o que o mundo fez para mim, mas muito mais terrível foi o que eu fiz a mim mesmo. [...] Diverti-me sendo um vagabundo, um dândi, um homem da moda. Acerquei-me das naturezas mais baixas e das mentes mais mesquinhas. Tornei-me o dissipador do meu próprio gênio, e trouxe-me uma curiosa alegria desperdiçar uma eterna juventude. Cansado de ficar nas alturas, deliberadamente desci às profundezas, à procura de uma nova sensação. O que me era o paradoxo na esfera do pensamento tornou-se para mim a perversidade na esfera da paixão. O desejo, no fim das contas, era uma doença, ou uma loucura, ou os dois. Cresci sem prestar atenção às vidas dos outros. Senti prazer no que me agradava, e fui em frente. Esqueci que toda pequena ação do dia comum constrói ou destrói o caráter e que, portanto, o que alguém fez na câmara secreta um dia terá que clamar do alto dos telhados. Deixei de ser senhor de mim mesmo. Deixei de ser o capitão da minha alma, e não sabia. Permiti que o prazer me dominasse. Terminei terrivelmente desgraçado. Só me resta agora uma coisa, a humilhação absoluta."
Depois, falando de Jesus, ele escreve que:
"Piedade ele tem, é claro, pelos pobres, por aqueles que são encerrados nas prisões, pelos humildes, pelos miseráveis; mas ele tem muito mais compaixão dos ricos, dos hedonistas obstinados, daqueles que desperdiçam a sua liberdade tornando-se escravos das coisas, daqueles que usam roupas finas e vivem em casas de reis. Riquezas e prazer pareciam-lhe ser, na verdade, tragédias maiores que a pobreza ou o sofrimento. [...] No Natal consegui a posse do Novo Testamento em grego e, toda manhã, depois de limpar minha cela e polir meus metais, leio um pouco dos Evangelhos, uma dúzia de versos tomados por acaso. É uma forma agradável de começar o dia. Todo o mundo, mesmo que em uma vida turbulenta e indisciplinada, deveria fazer o mesmo."
Isto era o que esperava Oscar Wilde: que Jesus tivesse piedade também dele e de seu hedonismo desenfreado, do qual ele tinha se aproximado para construir a própria felicidade, mas que se tornou, contudo, o motivo da sua ruína.
Fonte: La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere

Referências

  1. MEI, Francesco. Oscar Wilde (Le Vite). Milano: Rusconi, 1987.
  2. GULISANO, Paolo. Il Ritratto di Oscar Wilde. Milano: Ancora, 2009, p. 181.