domingo, janeiro 08, 2017

Comentários Eleison: "Guerra" Vaticana

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXCV (495) - (7 de janeiro de 2017): 

"GUERRA" VATICANA


Para o Vaticano Segundo os católicos acordarão?
Certamente antes tarde do que nunca o farão!

Na crise hodierna da Igreja, de uma gravidade sem precedentes em sua história, é muito importante que os católicos deem a devida importância tanto ao movimento tradicional como à Igreja Católica fora do movimento tradicional. A Tradição em seu sentido mais amplo, ou seja, tudo o que Nosso Senhor confiou à Sua Igreja para que fosse transmitido (tradendum em latim) até o fim do mundo, é indispensável para a Igreja, e o movimento tradicional tem desempenhado um papel indispensável em preservar a doutrina tradicional e os sacramentos da destruição pela Revolução Conciliar durante o último meio século. Mas para sobreviver, o movimento tradicional teve de se colocar fora da estrutura eclesiástica normal da Igreja, e essa estrutura é parte em alto grau da Tradição – “Pedro, apascenta minhas ovelhas” (Jo XXI, 17). Portanto, por mais profunda que seja a corrupção conciliar em Roma, os católicos ainda devem olhar para Roma.

Daí o interesse do seguinte relatório do interior de Roma pelo fundador e diretor de uma publicação americana do Novus Ordo, LifeSiteNews. Steve Jalsevac visita Roma normalmente duas vezes por ano com colegas para conversar com todos os tipos de contatos em Roma, para melhor poder avaliar como a situação na Igreja está se desenvolvendo. De sua visita da segunda metade de novembro, ele publicou em 16 de dezembro um relatório “profundamente preocupante” de suas impressões sobre a situação hoje em Roma. Seguem os extratos:

“Nossa visita a Roma de 16 a 23 de novembro foi a mais dramática de muitas dessas viagens a trabalho que fizemos duas vezes por ano durante os últimos 10 anos. Após encontrarmo-nos com cardeais, bispos e outros funcionários da agência vaticana e do dicastério, nosso novo repórter em Roma John-Henry Western, Jan Bentz e eu percebemos um padrão consistente de ansiedade generalizada e medo muito real entre os fiéis servos da Igreja. Nunca havíamos encontrado isso antes. Muitos tinham medo de ser removidos de suas posições, despedidos de seus empregos nas agências do Vaticano ou enfrentar severas reprimendas públicas ou privadas e acusações pessoais daqueles que cercavam o Papa ou mesmo do próprio Francisco. Eles também estão temerosos e ansiosos sobre o grande dano que está sendo causado à Igreja e estando impotentes para ajudar a detê-lo.

“...As universidades católicas em Roma são vigiadas e as aulas dos professores são supervisionadas para garantir que estejam de acordo com a interpretação liberal de Amoris Laetitia. Reportam-se Clérigos aos Superiores se se os ouvem expressando preocupações sobre o Papa Francisco. Muitos têm medo de falar abertamente, embora no passado estivessem sempre muito dispostos a fazê-lo. Repórteres do Vaticano disseram-nos que foram advertidos inúmeras vezes para que não reportassem as dubia (as questões levantadas pelo Cardeal Burke e outros três Cardeais quanto à doutrina contida em Amoris Laetitia). Tenho ouvido relatos de que o Vaticano é como um Estado ocupado. Certas fontes com quem conversei têm um medo de que as comunicações com as autoridades do Vaticano estejam sendo monitoradas; algumas têm relatado até mesmo anomalias suspeitas em suas conversas telefônicas nas quais, quando uma chamada caía, o áudio dos últimos momentos de sua conversa retornava, e outra vez, em um loop, como se eles estivessem ouvindo uma gravação. Alguns indivíduos que trabalham dentro do Vaticano estão aconselhando os seus contatos no exterior para que não compartilhem informações confidenciais via e-mail ou de seus celulares a partir do Vaticano.

“Temos que saber para onde tudo isso está indo. É preocupante, profundamente preocupante. A frase comum que ouvimos naquela semana em Roma é que há uma “guerra” na Igreja – uma guerra dos progressistas do “Espírito do Vaticano II” contra os católicos ortodoxos. Uma pessoa após outra usou alarmantemente a palavra “guerra”. Nunca havia experimentado nada assim em minha vida, e estou certo de que a maioria dos leitores regulares do LifeSiteNews, se não todos, pode dizer a mesma coisa”.

Os Tradicionalistas podem dizer que os quatro Cardeais e o Sr. Jalsevac são vítimas do Vaticano II, acordando um pouco tarde, mas que ninguém diga que eles não querem ou não pretendem ser católicos. A Igreja só será curada quando a verdadeira Doutrina e a verdadeira Hierarquia se reunirem novamente; então, que os tradicionalistas rezarem urgentemente por essas almas que despertam para a guerra conciliar. Que Deus dê a eles luz e força.

Kyrie eleison.


*Tradução de Cristoph Klug